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A indústria do cinema é perversa. O filme de Cronenberg? É mais do que isso.

Realizado pelo canadiano David Cronenberg e com argumento do novelista Bruce Wagner, Mapas Para as Estrelas oferece-nos uma sátira rebuscada à indústria de Hollywood, focando-se nos dramas da família Weiss – no jovem actor Benjie (Evan Bird), que passa por uma fase de reabilitação, na irmã Agahta (Mia Wasikowska) que volta 7 anos após ter começado um fogo e ter tentado matar o irmão, e nos pais Christina (Olivia Williams) e Stafford (John Cusack) – numa estrela de cinema de meia-idade, Havana Segrand (Julianne Moore), e em Jerome Fontana (Robert Pattinson), um motorista com ambições elevadas.

Apesar de representar a prematura rebelião de adolescentes que são famosos desde demasiado cedo, o desespero demente de estrelas que já não circulam no mercado como desejavam ou a necessidade exasperada de manter a aparência sobre os valores morais, a película de 111 minutos acaba por abranger algo mais além das superficialidades esperadas do meio do cinema – é um grito de desespero.

Se existe algo intrínseco a nós de difícil alheamento, são as origens. Mapas Para as Estrelas mostra um universo onde a bagagem que carregamos connosco nos invade a essência. A verdade é que, apesar de não nos definir, contribui para modelar, e é neste sentido que surge a primeira grande temática abordada por Cronenberg – a nossa Origem, a nossa educação, e, principalmente, os nossos pais. Voltando atrás às histórias das personagens, damos de cara com a informação necessária para as compreender. Todas elas estão débeis, todas elas são sombrias, todas elas estão condenadas, seja física ou psicologicamente, pelo seu passado.

Os podres familiares apresentam-se como a causa elementar do drama que assistimos ao longo da ação, assim que damos conta que Benjie e Agatha surgiram de um casamento incestuoso e Havana tem um historial de abusos psicológicos e sexuais por parte da sua já falecida mãe. Per-ver-so. No meio de clamores de angústia, sexo sem significado, materialismos supérfluos, mortes frias e realidades cruas, as personagens inserem-se num todo mas destacam-se unitariamente.

Porque somos parte de quem nos fez e colhemos aquilo que plantamos, a segunda principal temática do filme prende-se na futilidade e individualidade do ser, na incapacidade moral e na inversão de valores. É como se estivéssemos em constante ponto morto ao contemplarmos indivíduos que estão desde início condenados ao infortúnio – existe um desejo alucinante de ser mais e o que resulta dele é um pesadelo sangrento que vagueia incessantemente no fogo. O elemento inflamado insere-se no filme como parte integrante e, simbolicamente, descreve a direção de cada uma das personagens: destruição.

Apesar de pecar com algumas cenas claramente escusadas para o efeito pretendido, Mapas Para as Estrelas cumpre o objetivo de sátira e conta-nos uma piada extremamente apetecível. Com interpretações magníficas, mas destacando as representações femininas de Julianne Moore e Mia Wasikowska, é uma Ode à alucinação hollywoodesca. É um labirinto com uma saída para o precipício. É um poema sobre a liberdade onde não existe liberdade nenhuma.

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