MÚSICA

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Fotografia: Pic-Nic produções.

Aceitemos a abordagem e comecemos da forma tradicional. Da mesma forma que Siza afirma que uma cadeira é uma cadeira e o resto são arrebites de design. Assim simples. E simples foi o concerto de Kurt Vile & The Violators, Armazém F. Na sua construção, na dinâmica que foi criando até ao final da noite. Noite ganha, que como tradicionalmente acaba à conversa entre amigos na borda do rio, a falar de música, deste e doutros concertos, com as canções do músico de Filadélfia ainda bem presentes.

Lushes 1

Pela primeira parte então, pela banda de Brooklyn (Nova Iorque) – Lushes. Duo formado por James Ardery (voz e guitarra) e Joel Myers (precursão). Não por mera formalidade, foram banda de corpo inteiro. Longe de proporcionarem um mero aquecimento, fizeram jus ao nome e compensaram aqueles que ainda acreditam que uma primeira parte vale sempre a pena. A bateria com presença forte, a marcar o rumo, sincopada por vezes, outras mais livre, gerando devaneios sónicos e noutros momentos em chamamento e empilhamentos de camadas sonoras que a guitarra acompanhava e acentuava. Ora entre o psicadélico e o noise, pescando em tonalidades mais sombrias com James Ardery numa espécie de prece e evocações várias e noutras vezes, e porque não inverter as comparações, a fazer lembrar Cave Story. Com dois álbuns na bagagem, o recentíssimo Service Industry (2015) e What Am I Doing (2014) terminam actuação com elemento extra e amigo dos The Violators, com o saxofone de Jon Natchez, a acrescentar uma dose de dissonância sempre bem vinda.

Kurt Vile 1

Quase quarenta minutos passados, demasiado tempo diga-se, e os cabeças de cartaz Kurt Vile & The Violators. Cabelo comprido, simplicidade e um ar de quem sai directamente da década de 70 a recordar-nos que há grandes malhas rock, à guitarra, com bateria e órgão a acompanhar, no fundo uma banda. Presença assídua no nosso país, desta feita para apresentar o mais recente trabalho, e que trabalho – B’lieve I’m goin down... E com Dust Bunnies abre o recital de como se deve construir uma canção, mestria nos ritmos e transições e sobretudo no encandeamento entre cada uma delas. Seguiram-se I’m an Outlaw, em que troca de guitarra pelo banjo, e nova troca para guitarra durante Pretty Pimpin. Uma guitarra atrás da outra, como que a necessitar de novo formão, de lixa como carpinteiro à procura de um acabamento escorreito. Constrói entremeado de excelentes melodias a permitir-nos deitar de costas e flutuar para longe de um espaço que não é o mais cómodo. Mais outras tantas guitarras e depois de tocar a solo chegamos a temas bem conhecido Walkin on a Pretty Day e Freak Train, com passagem por tema de Lynyrd Skynyrd pelo meio. No final, e como em todos os nossos primeiros concertos, tempo para dois encores com que Kurt Vile encerra a noite e a tournée europeia.

KurtVile-2

Sim, uma cadeira será sempre uma cadeira e um concerto é sempre um concerto. Simples, basta que os encaixes/canções sejam sujeitas a um cuidado superior.

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