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Tianzhuo Chen (n. 1985, Beijing, China) é um dos jovens artistas mais vibrantes no actual panorama internacional de arte contemporânea. No passado verão no Palais de Tokyo em Paris, naquela que foi a sua primeira grande exposição no ocidente, expôs uma série de trabalhos onde apresentou uma prática artística multidisciplinar – performance, instalação, cinema, moda, e pintura são algumas das disciplinas onde podemos contemplar uma obra em constante movimento de transgressão. Em parte resultado de uma educação artística obtida no Central Saint Martins College of Art and Desgin,e no Chelsea college of Art and Design, ambas importantes instituições no contexto Europeu, Tianzhuo acaba por ter o privilégio do olhar distanciado e crítico em relação a algumas das manifestações culturais que tomamos por garantidas. Um dos aspetos fulcrais da obra de Tianzhuo prende-se justamente com apropriação de ícones oriundos da cultura popular. Partindo, é certo e sabido, de um gesto já repetido e ensaiado até à exaustão, a Tianzhuo interessa sobretudo (e apesar de tudo) propor uma estética do choque, que traduza uma vontade em quebrar categorias e confrontar políticas de gosto dominantes, no contexto de uma estratégia de acesso àquilo que poderíamos designar por uma experiência…religiosa.

A pose de enfant terrible, esse gesto maldito que tende a perturbar leituras porventura mais clínicas da obra de arte, surge aqui enquanto prática estruturante de um olhar na direcção de um conjunto de artefactos culturais. Eric Cartman, um dos personagens mais célebres (e detestáveis) da série de animação norte-americana Southpark, ou o mítico basquetebolista Michael Jordan, são algumas das figuras que surgem de forma recorrente na obra de Tianzhuo. Deste movimento de apropriação dos atributos das estrelas da cultura popular desenham-se os parâmetros de uma religião fictícia, assumidamente kitsch e fervorosamente alucinante. É também neste contexto que a aproximação ao imaginário ocidental – que Tianzhuo integra numa matriz religiosa (tendencialmente) oriental – se apresenta enquanto comentário à objectificação da experiência religiosa, aqui codificada como mero objecto de consumo.

Tianzhuo Chen 1
Adaha II

Numa das suas instalações mais exuberantes, uma entidade religiosa fictícia (Adaha) é colocada lado a lado com bongos dispostos em série, seguindo uma lógica expositiva evocativa dos expositores das lojas de centro comercial, esses templos (tão contemporâneos) dedicados ao culto do consumo. Esta abordagem à cultura do shopping através da experiência narcótica intoxicante, lança alguma luz sobre a natureza material da Religião proposta por Tianzhuo, predicada no consumo de imagens e objetos. No contexto da sua obra, um eventual posicionamento exterior face à sociedade do consumo é encarado como alguma suspeita – recusando um posicionamento crítico vindo de um exterior imperturbável, Tianzhuo coloca-se antes numa posição estrategicamente inclusiva, esgotando os signos até ao limite, levando-os à sua exaustão.

É por isso que uma das características mais vincadas da sua obra consiste em fazer da experiência da arte uma experiência estética avassaladora e totalizante. Nesse sentido, não surpreende, por mais provocadora que possa ser a proposta, que o clubbing e a rave culture surjam na sua obra enquanto investigações ou ensaios das condições de possibilidade de uma convivência luxuriante, e inebriante – utópica até.

Em Tianzhuo’s Acid Club (2013), um dos momentos mais emblemáticos da sua carreira, transformou a Star Gallery em Shangai num club temporário. É um das situações mais elaboradas do seu trabalho: um dos aspectos fulcrais da sua prática artística, reside justamente na atenção dedicada a uma encenação de uma situação elaborada, onde é manifesta a tentativa de esboçar os limites de uma experiência partilhada e comunitária, colocando em primeiro plano o papel do artista enquanto agente importante no encontro entre pessoas, e na articulação de uma noção de sociedade.

Tianzhuo Chen 8
Tianzhuo’s Acid Club

Nos seus trabalhos em vídeo, que regra geral são exibidos em campo expandido no contexto de instalação, Tianzhuo privilegia uma estética herdeira do videoclip. Em obras como 19:53, a lógica de videoclip serve de ponto de partida para um cruzamento de referências iconográficas recorrentes em toda a sua obra, que aqui surgem reunidas numa espécie de formalização coreográfica do culto a Adaha. Não tanto pelo kitsch ou grotesco que tende a atravessar o seu trabalho, mas pela forma como faz confluir no corpo humano gestos oriundos de fontes tão diversas quanto a dança Butoh ou a cultura urbana ocidental, olhar para a sua obra é também pensar o contemporâneo a partir de uma perspectiva próxima do absurdo.

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