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Fotografia: Bruno Ferrari.

Sabem aqueles concertos que mal soa o primeiro acorde já se sabe que vai ser bom? Pois bem, quem perdeu os nipónicos Acid Mothers Temple na ZDB no passado Domingo perdeu também a oportunidade de sentir o que acabei de descrever… o som do primeiro acorde. E o primeiro acorde denunciou de imediato o tema Iron Man dos Black Sabbath.

Foi o quarteto de Birmingham a razão pela qual os Acid Mothers Temple encetaram uma tourné de nove datas pela península ibérica, com duas paragens em Portugal, uma delas na ZDB. A banda propôs-se a tocar vários temas dos Black Sabbath e digo desde já que os Sabbath perto disto parecem uns meninos.

Começar com o Iron Man é não querer perder uma aposta. E logo a seguir tocar Sweet Leaf é afirmar que não existe bluff nem Kamikazes num concerto de Acid Mothers Temple. Claro que a “linearidade” dos temas dos Black Sabbath sai algo distorcida quando temos um quarteto japonês, com quase 20 anos de experiência em concertos acidificantes, a fazer versões de temas sobejamente conhecidos do grande público. Quem estava na ZDB soube escutar o enredo de uma narrativa com princípio, meio e fim, sendo que o meio trata-se de psicadelia sumarenta, rica em referências e bem executada.

Seguiu-se The Wizard e aí evocaram-se as referências Blues dos Sabbath. A harmónica tocada por Higashi Hiroshi (também encarregue da electrónica e das brincadeiras sónicas) ecoou na sala, tão bem acompanhada pela guitarra corpolenta de Kawabata Makoto. Por esta altura consegui finalmente vislumbrar o baterista (Okano Futoshi) que não tocava bateria mas gozava sim com a cara dela!

Chega o momento de Black Sabbath, os demónios saem do armário e os “headbangers” mais reticentes também. A interpretação vocal de Tabata Mitsuru (igualmente incumbido de vincar a secção rítmica com a guitarra baixo) deixou evidências claras que os Acid Mothers Temple gostam mesmo daquilo que estão a fazer. Se assim não fosse, as palavras “Satan's sitting there he's smiling / Watches those flames get higher and higher / Oh no, no, please God help me!” não ganhariam tanta importância e era sintoma de que estávamos a assistir a um concerto de uma banda de covers corriqueira.

Para o final, não faltou o Paranoid, tema que tantos consideram um hino de uma geração Heavy Metal e no encore o N.I.B., onde se viu Makoto às aranhas com os acordes.

Foi um concerto pesado, deci-bélico e longo… mas ao mesmo tempo leve como uma refeição à base de sushi. Em Dezembro confirmarei em terras de Sua Majestade se é verdade aquilo que escrevi em cima – Serão os Black Sabbath uns meninos comparativamente aos Acid Mothers Temple?

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