No dia 22 Gabriel Garcia convida-nos a percorrer a sua narrativa pictórica ao longo das paredes da Galeria António Prates. Iremos assistir a um manancial de histórias, fantasias e personagens pintadas em diversas faixas que encaixam em 90% do espaço expositivo. Uma experiência única para o olhar de cada um em que o mote é: construa a sua própria narrativa...
Trazes para esta mostra uma fábula que se mistura entre o sonho, o pesadelo e o humor, numa espécie de sátira carnavalesca. De onde surgem todas estas personagens?
É de facto uma espécie de cortejo carnavalesco em que compilo personagens minhas como o "Rei peludo" ou o "Feiticeiro rezingão" juntando ao baralho a "Alice" ou o "Astro Boy"... Bonecada até dizer basta ou nem por isso, pois defino-me como um pintor de bonecos e gosto de assim o ser. Lowbrow ou não, sigo as correntes que gosto. Gosto sempre de novas experiências mas temos de seguir aquilo que acreditamos. Costumo dizer que sou um surrealista à minha maneira, que tenta fazer rir quem tem pouca vontade para tal.
E os rinocerontes e gnomos gigantes que vamos ver, como aparecem eles?
Rinocerontes, gnomos... Criei estas personagens já há algum tempo. Os gnomos são os mentirosos, narigudos, rezingões e de casaco amarelo, um pouco à minha semelhança pois sou um pouco rezingão. São Bonecos com letra grande pois são importantes para mim, fazem parte do meu imaginário de criança e acompanham-me nos meus desenhos já há muito. Tentei fazer uma pausa aos narigudos, digamos que os arrumei durante algum tempo para entrar noutras experiências artísticas, mas eles voltam sempre e desta vez talvez com mais força. Talvez porque todos os dias na minha vida criativa são sempre diferentes e com mais força e vontade.
Pode dizer-se que esta exposição é antológica?
Posso dizer que sim, antológica pelas várias formas como pintei o painel, tocando aqui e ali em várias fases da minha pintura.
As telas são independentes, mas estão organizadas de forma a comporem uma história?
Podem ser independentes mas foram feitas sempre com a linha do horizonte presente. Como se estivesses dentro de uma arena, um verdadeiro cenário para a imaginação de cada um.
Poderá ser uma espécie de viagem surreal?
Sim, sou um surrealista à minha maneira. O surrealismo é de facto uma ideologia/corrente que muito admiro e só tenho pena que essa utopia não faça mais parte da minha vida.
O que sentes agora que está tudo finalmente pronto?
Estou pronto para outra. Não parto o pincel pois eles estão caros, mas parto mentalmente para recomeçar com um novo projecto.



























