Antigamente a tradição da capa e batina era apenas de Coimbra, não vejo motivo para se ter estendido a todo o país. A única vantagem que me ocorre é podermos fugir para bem longe se virmos aproximar-se um grupo de pessoas com capas à Batman. Hoje em dia tudo o que seja académico é de fugir. As escolhas musicais para as festas académicas são terrivelmente foleiras. A necessidade urgente de ficar o mais bêbedo possível que impera nessas festas é assustadoramente triste e decadente. Qualquer ajuntamento estudantil é estridente e histérico. Da praxe nem vou falar porque não deveria existir sequer.
Ainda recordo, com alguma aflição, cada vez que entrava antes das 8h da manhã no bar do Instituto que frequentei e já lá estavam as moças da tuna feminina a “cantar” desesperadamente. Depois de poucas horas de sono já me bastavam os empregados do bar a atirarem com tabuleiros inteiros de chávenas e pires sujos para dentro da máquina de lavar louça fazendo um cagaçal tremendo, quanto mais ouvir a tuna feminina logo antes da primeira aula. Era deveras desconcertante. Pior do que a tuna masculina a cantar A Mulher Gorda pela quingentésima sétima vez só mesmo ter de aturar a tuna feminina àquela hora da manhã. Apressava-me, por isso, com o café, e também porque detestava chegar atrasado às aulas. Punha os phones nos ouvidos e lá ficava semi-distante do ambiente que me rodeava e depois seguia pelos corredores para a primeira aula do dia. Ficava bem mais confortável e bem disposto a cantarolar "Get up, get out, get on with me" de Ralphi Rosario do que com as tunas enfadonhas.
Ralphi Rosario ainda não tinha terminado o ensino secundário quando se juntou em 1981 ao colectivo de DJs Hot Mix 5, o qual foi bastante importante no inicio da House Music em Chicago pela sua divulgação na radio.
As pessoas mais sensíveis à música, na certa compreenderão que assim como há música que nos traz satisfação, conforto e saúde, existe música que nos dá vontade de fugir em pânico pois é como ser torturado, e mesmo que façamos ouvidos moucos ela entra no nosso inconsciente e instala-se. É desesperante e contagioso!

























