Fotografia: Carlos Ferreira.
O que é que leva as pessoas a saírem do sítio onde nasceram? Desejo de clandestinidade ou a busca de uma vida melhor?
No caso dos Night Beats, falando apenas enquanto banda, a segunda permissa aplica-se, mas a primeira nem por isso. O curioso desta banda, é o facto do guitarrista Danny Lee "Blackwell" (de Dallas) e o baterista James Traeger (de Austin) terem saido do estado do Texas, tão prolífero em bandas com inclinações psicadélicas (a par com a Califórnia), e terem elegido Seattle (Washington) como destino e novo poiso. As razões, eu não as sei. Talvez um encontro marcado com o baixista Tarek Wegner que por lá andava ou um (re)encontro com as saudosas camisas de flanela "to face the cold on their own".
Sair de um estado "quente" e "fervilhante", próximo da fronteira com o México, por onde passam legal ou ilegalmente tantas coisas boas (como os Mariachis ou a Tequilla) e, rumar a norte onde o frio se faz sentir, só pode ter sido uma óptima decisão. Isto porque os Night Beats não se esqueceram do melhor que se faz (e fez) no Texas e paralelamente absorvem a energia das bandas cheias de rodagem que concerteza ainda ecoam nas ruas de Seattle.
A ZDB acolheu os Night Beats e o público expectante também. O aquário estava próximo de cheio e o fumo dos cigarros, apesar de em teoria não ser permitido fumar, acentuava o "delay" deste trio norte americano.
O concerto começa com uma batida refinada, digna de uma noite que ainda era uma criança. A guitarra assume-se imediatamente como a "nómada" desta jornada, sob o olhar atento da guitarra baixo e da bateria quase krautiana de tão precisa e atrevida. No terceiro tema já se sente o pulsar texano dos 13th Floor Elevators, quase como se estivéssemos num ritual de consumo de peyote. Mas aquilo que a banda ofereceu cruzou estados, tal como a viagem que eles encetaram no Texas e que acabou (ou não) em Seattle. Pudemos ouvir uma versão do Rumble de Link Wray, que apesar de ser da Carolina do Norte, popularizou-se junto dos surf-rockers da Califórnia, farejámos os ares do México (os Caléxico também já tinham andado por lá) e mais para o fim do concerto, pudemos assistir a um desfile de acordes pujantes e coros garageiros mais descompensados (para não destoar do público que se encontrava na linha da frente).
A banda de facto foi para o norte... mas o ponteiro da bússola seguiu o magnestismo do sul. No entanto, sendo o planisfério uma imensidão de destinos e sendo os Night Beats uns nómadas dos tempos modernos (até porque andam em tournée), para quê matematizar uma viagem que se pretende longa, sinuosa e ziguezagueante?


























