DIÁRIOS DO UMBIGO

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Fotografia: Tiago Castro

“Tradição é tradição”. Expressão vezes sem conta repetida para quem não pretende perder tempo, nem paciência em justificar uma decisão. Nada de mal vem ao mundo se com isso não prejudicar terceiros. Qualquer tradição deverá assumir data oficial e designação condigna. Esta última tem-na, a 20 de Abril e dá pelo nome de Record Store Day (www.recordstoreday.com). Lisboa celebra-o desde o primeiro dia e nós não podíamos deixar de nos associar, através das bem imaginativas “capas alternativas” de Tiago Castro, que ilustram possível roteiro que se espera animado e cheio de grandes descontos.

Comecemos a passeata. Ponto de partida Flur. Em frente à estação de Santa Apolónia, com o Tejo como horizonte e o Lux por companhia. Já teve exposições, as de capas de discos da colecção de Joaquim Paulo, por exemplo, e concertos. Este ano optou por valorizar outras das facetas do Record Store Day, a das edições especiais. Se se justificar colocá-las-ão à venda e só por isso já vale a pena.

Pela margem em passo tranquilo, que a paisagem merece, o tempo convida e o dia promete. Para trás ficaram os cais, das Colunas e do Sodré e sobe-se. Segunda paragem - Trem Azul. Em remodelação, mas que reabrirá, lá está, dia 20. Não podia faltar à festa. A rua continua íngreme, mas a animação não esmorece. Sei que a próxima paragem é obrigatória. Louie Louie como não?! Há dois anos reeditaram o álbum de estreia dos Pop dell’ Arte, o Free pop. Em edições anteriores sempre tiveram o cuidado em expor capas de discos bem curiosas e mantêm os 20% em todos os artigos excepto vinil novo. Em frente, um pequeno salto à Sound Club Store.

Mais escondida, mas com material não menos interessante e geminada com a Casa de Velas do Loreto, não estivéssemos em dia sagrado, encontra-se a Vinil Experience. Seguindo de saco cheio, no bom sentido do termo, vai-se pela Rua da Rosa até à Matéria Prima com a certeza em encontrar autor desconhecido, mas que rapidamente se transforma em amor à primeira vista. Enquanto se escuta, degusta-se Sovina fresquinha, cerveja artesanal de gosto inconfundível e que se espera nos dê sorte no já mítico jogo da tômbola.

Pelas ruas do Bairro Alto até à Calçada do Duque e mais duas: a Discolecção e a Magic Bus. Por fim, Rua do Telhal e a Carbono. Este fim-de-semana a celebrar a vintena. Deseja-se que para além dos descontos habituais, se mantenha mais uma tradição: a de oferecer sacos ou t-shirts bem apropriados para os dias solarengos que se adivinham ou surpreender-nos com picture discs da Amália após resposta acertada em quizz musical como já me aconteceu.

Para os mais afoitos, afinal são aproximadamente 4,5 km’s a pé, segue a lista das lojas mencionadas. É que esta coisa de prestarmos devoção a santos, sejam eles António ou João, Reininhos ou Paredes, Dylans ou Lenons, Bowies ou Zappas não invalida prévia preparação.

Capelinhas:

. Flur - Avenida Infante D. Henrique Armazém B4, loja 4 (www.flur.pt)

. Trem Azul - Rua do Alecrim 21 A (www.tremazul.com)

. Louie Louie -Rua Nova da Trindade 8 A (www.louielouie.biz)

. Sound Club Store – R. Nova da Trindade, nº5, loja 24 – 1º piso (thesoundclub.wordpress.com)

. Vinil Experience - Rua do Loreto 61

. Matéria Prima – Rua da Rosa, 197 (www.materiaprima.pt)

. Discolecção - Calçada do Duque 53 A

. Magic Bus - Calçada do Duque 17 - A

. Carbono – Rua do Telhal, nº6 B (www.carbono.com.pt)

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