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Na próxima Quinta-Feira, dia 31 a galeria Bloco 103 abre as portas para uma nova exposição e a escolha foi para as artistas Ana Velez e Inês Norton. O que une estas autoras e as leva a partilhar o mesmo espaço mesmo em frente ao Hotel Ritz? "São da  mesma geração e sentem a mesma vontade e energia de ir em frente", conta o  galerista  Miguel Justino Alves, que acrescenta que "compete ao galerista ver mais além, dialogar com os autores e perceber os movimentos interiores subjacentes ao seu trabalho. No caso específico desta exposição colectiva, a plasticidade das obras é totalmente distinta, o que não deixa de ser um desafio em termos de curadoria e uma aventura quanto ao resultado da interacção. Mas é também este sentido de risco e originalidade que nos faz mover, que nos envolve e cativa. Os contrastes, quando devidamente enquadrados, trazem consigo uma certa perplexidade, é isso que espero resultar da conjugação do trabalho destas duas autoras".

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A galeria Bloco 103 surgiu no final de 2011, num momento já conturbado do país e das artes: galerias e publicações ligadas à arte a fechar, mercado em contracção. Mas mesmo assim decidiram arriscar. "Pessoalmente, o meu contacto com a pintura advém das minhas raízes, através do meu pai, o pintor Justino Alves, o que me permitiu ao longo da vida frequentar a Escola de Belas Artes, museus, galerias e sobretudo manter uma contínua proximidade com pintores e com a sua praxis" conta Miguel Justino Alves. E é neste conceito de proximidade e conhecimento dos autores que a Bloco103 se revê e distingue. Partem de um conceito ecléctico, propõem uma atenção permanente aos actos criativos, optando por aqueles que constroem uma identidade própria, abarcando distintas áreas técnicas e processos de realização. "Não tenho uma visão minimalista, concêntrica da arte. Como em muitos outros campos há distintas linguagens que inspiram e nos retêm. A Bloco103 procura autores que realizem e assumam um caminho próprio, tenham eles 70 ou 20 anos, projectem o gestualismo ou a figuração. São os actos e a coerência dos mesmos que traduzem e ampliam o seu significado. E aí reside o poder da arte", conta.

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O espaço está aberto a propostas que se adaptem à sua identidade e as escolhas têm sido uma opção de Miguel partilhada, ou seja, resultam de um diálogo com os autores e decorrem da articulação de experiências com os movimentos à volta da galeria. A curadoria acaba por ser uma consequência deste processo. Miguel pretende que a Bloco103 conquiste um espaço que se adapte e conviva com o tempo presente, com a contemporaneidade, e isso significa estar disponível para um modelo aberto a iniciativas periféricas e complementares às artes plásticas. "Tendo em conta a arquitectura interior e o trabalho desenvolvido na projecção do espaço, que considero brilhante, faz todo o sentido abrir a galeria a propostas inovadoras. O tempo das galerias como um repositório de quadros terminou", conta.

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Para  2013 já têm a agenda de preenchida com seis exposições: duas colectivas e quatro individuais. Trazer à luz novos autores é um dos objectivos do ano. Mas também procurar projectos em espaços públicos e formas distintas de dar a conhecer os autores da galeria. "Nesse sentido estamos a trabalhar e temos feito algumas parcerias com espaços e empresas. A ideia da galeria fora das quatro paredes é portanto uma realidade. Internacionalmente, contamos estabelecer parcerias com galerias na Alemanha, Suiça e Holanda no decorrer do ano, assim como pensar a presença numa feira de arte. Sobra ainda a ideia e a vontade de desenvolver os tais projectos paralelos à arte, usando o espaço da galeria como suporte físico de uma intervenção", refere o galerista. Tendo em conta que vivemos num tempo em que a forma se sobrepõe demasiadas vezes ao conteúdo, Miguel afirma numa expressão muito portuguesa, que "há que separar o trigo do joio. No nosso país, o espaço dado aos movimentos e expressões artísticas, e a sua importância na sociedade, é ainda reduzido. É preciso ter em conta a dimensão e o facto de Portugal ser globalmente conservador, o que não facilita. Depois temos a crise, que na minha opinião vai para além da questão económica. Há uma depressão generalizada que nos afasta daquilo que a arte nos aporta: o sonho, o imaterial, a beleza, a expressão interior. Há no entanto algo inultrapassável, a arte faz parte da nossa essência, é algo vital numa sociedade equilibrada. Por isso mesmo é preciso seguir em frente e trazer a arte a publico, como forma e expressão de conquista na aridez dos tempos". 

Quinta-Feira às 19h30 na Bloco 103

Rua Rodrigo da Fonseca, 103B (Em Frente ao Hotel Ritz)

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