Isabel Nogueira escreveu um livro que nos conta a história da arte do século XX. Esta conheceu uma transformação consideravelmente rápida e definitivamente avassaladora, que encontra as suas origens em meados do século XIX, com o profundo questionar do racionalismo e da ordem social burguesa, com a designada crise da representação – fortemente despoletada pelo desenvolvimento da fotografia, nos anos quarenta e, a partir de 1895, com a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Louis e Auguste Lumière –, e com um desejo profundo de descoberta e experimentação de novos códigos visuais, estéticos e artísticos.
Do questionar o objecto a partir de dentro, da componente conceptual que está na origem da sua forma. O objectivo deste livro é o de operar uma proposta de compreensão da arte do século XX, a qual, naturalmente, tem os seus antecedentes imediatos ainda em Oitocentos, como anteriormente se afirmou. Contudo, esta perspectiva de análise e de reflexão organiza-se em torno dos conceitos que acreditamos serem determinantes para o seu entendimento: modernismo, vanguarda, neovanguarda e pós-modernismo.
Trata-se, no fundo, de uma aceitação prévia de que os conceitos em questão são a base de compreensão da arte do período em análise – o século XX – e que se instituem como propósito conceptual que, por conseguinte, determina o modo de operar dos diversos movimentos artísticos ou tendências estéticas de fundo. Estabelece-se, pois, um entrosar da abstracção do conceito com a prática artística concreta, historicista e orgânica. Este livro confere enfoque a estas questões, contribuindo para o enriquecimento do panorama da produção teórica portuguesa, nomeadamente no que respeito ao campo da história e teoria da arte do século XX.

























