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O palácio onde nasceu Marquês de Pombal, vai ser hoje palco de uma série de inaugurações de artistas que entraram em diálogo com o espaço levando até ele a sua arte.

Trying to Reach Point Zero de Carlos Noronha Feio, 33” de fama de Manuel Caeiro, O passageiro de Nuno Cera, Site Size de Samuel Rama, Acidente de Tatiana Blass e MNÉMOSYNE de John Akomfrah.


Trying to reach point zero de Carlos Noronha Feio (video performance)

Carlos Noronha Feio é natural de Lisboa, Portugal. Vive e trabalha em Londres, Inglaterra.

Na instalação, onde uma aura vermelha cria uma moldura para a performance, somos espectadores de uma desconstrução, através da poda de uma árvore. Um corte tão extremo que nos deixa somente com o tronco central. Trata-se de uma metáfora onde a força destrutiva humana tenta começar de novo. A experiência de recomeço, a crença na capacidade de reorganização e de revitalização civilizacional, estão na base desta acção.

 

33” de fama, de Manuel Caeiro

Manuel Caeiro é natural de Évora, Portugal. Vive e trabalha entre Lisboa e Rio de Janeiro.

A obra de Manuel Caeiro trata da construção da personalidade do ponto de vista estético, da pessoa enquanto ser pensante, mas vaidoso. O artista dialoga com o espaço, no caso as escadas do Palácio Pombal, para intervir de forma que haja interação do espectador com a obra. Caeiro convida o público a entrar no ‘espetáculo’ através de um red carpet, como se fosse ele o ator ou o artista. Duas estruturas de grandes dimensões, num exercício de tromp l'oeil tridimensional, fazem a porta triunfal que acolhe a população que habita este espaço. O artista completa a obra com uma ‘reportagem fotográfica’ que regista os momentos de subida e descida do espectador pelo red carpet. Em 1968 Andy Warhol afirmou que todos terão os seus 15 minutos de fama. Com esta peça, Caeiro oferece a cada pessoa 33 segundos de fama.

O passageiro de Nuno Cera

Nuno Cera é natural de Beja, Portugal. Vive e trabalha em Lisboa, Portugal.

A caverna marítima é a estrutura e o ambiente de O passageiro, exposição que o artista Nuno Cera apresenta no Carpe Diem Arte e Pesquisa. São fotografias a preto e branco que observam as passagens de dentro para fora, na transição entre luz e sombra, entre conhecimento e ignorância, entre o sagrado e o profano, numa possível releitura da alegoria da Caverna de Platão. A mostra traz ainda um vídeo que com a sua estrutura temporal forma uma teia de movimentos de entrada e saída das cavernas marítimas, numa oscilação interminável entre o exterior e o interior, entre conhecido e desconhecido. O verdadeiro e único momento é o da transição e o da passagem. O passageiro é também uma forma de introspecção; de questionamento e um retrato do contexto social e político contemporâneo.

Site Size de Samuel Rama

Samuel Rama é natural de Coimbra, Portugal. Vive e trabalha em Lisboa, Portugal.

Site Size propõe dois olhares paradoxais, porém fundamentais e recíprocos - olhar para o céu e olhar para a terra. Para a exposição no Carpe Diem Arte e Pesquisa, Samuel Rama traz dois conjuntos de trabalhos que mobilizam o desenho, a fotografia e a escultura. O primeiro conjunto é constituído por fotografias que remetem para o espaço desdiferenciado do céu, assumindo a retórica da pintura e são apresentadas na parede. No segundo conjunto os trabalhos estão dispostos no chão, sobre uma base de cimento onde assentam primeiro uma fotografia e depois um riscador de grafite, modelado em forma de massa encefálica, que situa o lugar do subúrbio no espaço visual da fotografia. Para Samuel Rama a massa encefálica é apenas e só mais uma massa indiferente. Por isso, da instalação podem fazer parte apenas três elementos ou centenas deles, tantos quanto o espaço e a decisão do artista comportar.

Acidente de Tatiana Blass

Tatiana Blass é natural de São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo.

Na sua primeira individual em Portugal, Tatiana Blass apresenta pinturas, esculturas e vídeo. Metade da fala no chão - Piano surdo, é o registo da performance-instalação apresentada na 29ª Bienal Internacional de São Paulo. O vídeo mostra um pianista a executar peças de Frederic Chopin num piano de cauda. Enquanto ele toca, dois homens derramam cera derretida dentro do piano. Conforme a cera endurece e mais cera é jogada, o pianista vai tendo mais dificuldade de executar as peças, até as teclas pararem de funcionar e não ser mais possível tocar. As esculturas, feitas de latão fundido, bronze e cera micro-cristalina, são expostas no chão. Cerco #2 é um faisão em que uma cinta presa na parede captura-o no chão. Cão cego #3 é composta por quatro patas de cachorro e uma poça de cera que configura o corpo do cachorro desfeito, tal com a escultura Morto, que é composta por pés humanos de bronze. Já nas telas da série Acidente, figuras humanas aparecem observando algo, engolidas pelo espaço e pela cor. O que une as obras é a atmosfera de um momento paralisado, uma acção em suspenso, como um acidente que acabou de acontecer.

MNEMOSYNE de John Akomfrah

John Akomfrah é natural de Accra, Gana. Vice e trabalha em Londres, Inglaterra.

A instalação MNEMOSYNE, é uma releitura idiossincrática, invulgar e estilizada da história da migração em massa para a Grã-Bretanha no pós guerra. Estruturado como uma fábula alegórica e vagamente inspirado pela ficção científica existencial, o filme, com 45’ de duração, questiona a memória e sugere a possibilidade de infinitas reinterpretações dos acontecimentos históricos através do cruzamento de imagens de arquivo dos EUA e da Grã-Bretanha, com “retratos” contemporâneos de Inglaterra.

Carpe Diem:

Rua de O Século, 79, Bairro Alto.

De quarta a sábado, das 13h às 19h

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