Criador de cenários magníficos para teatro e ópera, ilustrador surrealista, pintor transversal. Até mesmo autor de imagens de publicidade repletas de humor. Antoine Helbert vem de Estrasburgo e é um nome a manter debaixo de olho. As suas imagens são fortes, inesquecíveis e de um ecletismo exuberante sempre relacionado com ícones clássicos da História de Arte. Toda esta mistura de imagens é posta ao serviço da sua própria imaginação e aplicada também em cartazes de espectáculos e de exposições. Pelas suas mãos passou o restauro dos frescos da Igreja de St Florent na sua cidade. Para breve prevê-se uma incursão no domínio da escultura. A moda fascina-o e também o influencia em algumas séries. Senhoras e senhores, a Umbigo apresenta Helbert, o autor da fantástica imagem que os leitores encontram na nossa capa.

Fazes parte do grupo de artistas seleccionados para o novo livro Illustration Now 2, da Taschen. Como é que isso aconteceu?
A Taschen recruta os ilustradores de forma oficial e convencional junto dos seus agentes. É preciso sermos referenciados e termos catálogos. Depois, a selecção é livre de se orientar de acordo com as suas afinidades pessoais e como todos os editores, eles estão sempre à procura de novidades e de estilos emergentes.
Quando e como foi a primeira vez que te apercebeste de que tinhas talento para criar arte?
Fui criado no seio de um ambiente favorável à criação artística. Uma família de arquitectos de um lado. Uma família de pintores do outro. Como tal, penso que o caminho já estava naturalmente traçado. A ilustração foi a minha primeira paixão e foi por isso que fui parar à Escola de Artes Decorativas de Estrasburgo. Esta escola oferecia a possibilidade de tocar em todas as áreas das artes e assim fui tentado a interessar-me por outros domínios, como o design e a arquitectura - que eu abandonei mas que me trouxe uma grande abertura a uma outra linguagem e uma outra percepção.
Como é que produzes as tuas obras? Consideras-te mais um pintor ou um ilustrador?
Faz parte de um todo. Não há diferenças notórias e a fronteira entre as duas disciplinas, se é que existe uma, é ínfima. A multiplicidade ou o ecletismo é a minha divisa. Numa palavra, eu diria que o sectarismo me chateia deveras. Uma sede insaciável de conhecimento impulsiona-me desde sempre a tocar em todos os campos. Sou curioso por natureza, sobretudo no domínio das técnicas. Ao procurar o teu próprio estilo, experimentas diversos media, exploras o desconhecido, viajas e quando finalmente o encontras estás em posição de explorá-lo melhor.
Também trabalhas para publicidade. Consegues separar bem estes diferentes aspectos do teu trabalho?
Para mim, na publicidade em geral, responde-se a uma série de comandos muitas vezes dirigidos aos detalhes mais ínfimos. Assim, o interesse ou o prazer é unicamente técnico e por este aspecto reencontro-me a cada nova proposta de trabalho. Tento ultrapassar-me a mim próprio e explorar os meus limites. É um verdadeiro desafio. Ao contrário das dificuldades apresentadas nos trabalhos de publicidade, as minhas ilustrações pessoais permitem-me relaxar, descomprimir e evadir-me para os meus mundos imaginários.

As tuas imagens remetem-nos frequentemente para momentos específicos na História de Arte. Com isso tentas subvertê-la ou homenageá-la?
Acredito profundamente na mistura de épocas e culturas. Há sempre nos nossos vizinhos planetários diferenças excelentes. É preciso não ignorar o nosso passado cultural e técnico que nos rodeia quotidianamente. Em Estrasburgo, onde vivo, acumulamos vinte séculos passados e cada um deles traz consigo as suas próprias linguagens. Não os ter em consideração significa rejeitá-los e arrumá-los definitivamente dentro de uma gaveta. Só avançamos ao conseguirmos olhar ao mesmo tempo para o passado e para o futuro.


























