A artista plástica acabou de ser distinguida com o Prémio EDP – Novos Artistas na sua 10ª edição de entre outros candidatos.
Os seus trabalhos estiveram expostos na Galeria da EDP e no espaço da Casa da Música, ambos no Porto. Actualmente participa com uma dezena de peças na mostra colectiva no Museu de Serralves 12 Contemporâneos – Estados Presentes até ao mês de Maio.
Esta jovem criadora vem da área da Escultura e tem aprofundado estudos em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias; no Curso de Criatividade e Criação Artística na Gulbenkian, e concluiu o projecto individual do Ar.Co. Fez uma residência artística em Nova Iorque no International Studio & Curatorial Program.
O seu percurso desenvolve-se em torno de um discurso coerente, rigor e uso instintivo do espaço aspeto aliás realçado pelo Júri que a premiou. Um dos pontos fortes e singulares da sua obra baseia-se na relação estreita que estabelece num diálogo aberto e permanente entre os objectos e os materiais, articulação feita através de uma análise minuciosa, resultando numa combinação de aparente fragilidade com um apurado sentido poético e uma clareza na intenção.
O trabalho premiado é composto por sete peças pensadas para o espaço específico da Fundação, constituindo uma produção variada que cruza a escultura, a pintura e o desenho formadas por tecidos e mármore a objetos de vidro com barro. Esse conjunto não tem títulos atribuídos como é usual na sua forma de expor.
A artista admite que os seus objetos em jeito de instalação possam vir a ser adaptados e desenvolvidos noutros espaços em conjunto ou sob peças individuais. No seu processo de trabalho a autora selecciona primeiramente o material, elemento basilar, e só de seguida é que trabalha a forma, experimentando várias soluções em torno deste, dado que o que se torna essencial são as qualidades formais da matéria.
O vídeo de apresentação da sua de candidatura ao Prémio torna-se expressivo e elucidativo quanto ao seu aspeto metódico. "Trabalho com objetos que encontro na rua ou que vou colecionando no meu atelier e depois reconverto-os".
A possibilidade de dois materiais distantes, se juntarem, é o mais aliciante
O seu lado criativo desenvolve-se a partir de uma prática diária de encontro e acumulação de materiais e objectos. Cada peça, cada material, contém em si mesmo a chave da solução, fazendo um exercício sistemático para cada caso, utilizando uma prática a aplicar que permite manipular, alterar, fragmentar, torcer, refazer, transformar, recompor ou deixar o objeto intacto, tal como foi encontrado.
Os materiais não têm uma proveniência fixa, podem vir da rua ou de lojas de materiais de construção. "É como se eu visse o mundo sem hierarquias, a luz, os objectos e as pessoas".
O que é interessante é esta noção de liberdade total. Tira partido dos objectos coleccionados no atelier para os transpor para o campo do espaço expositivo, num entendimento perfeito para que a obra funcione, como se se tratasse de resolver a decifração de um enigma.
Segundo Ana Santos o sentido do dever dos artistas é exactamente devolver aos outros numa espécie de dádiva o momento de ligação cósmica que ele captou, e que durou um milésimo de segundo.
No atelier, tenta perceber as formas, ouvir as vozes da história dos materiais e procurar sintonias. Trata-se de um processo preciso, que não é aleatório. Há uma arrumação do caos do mundo. A artista necessita de deixar que o próprio objecto se resolva por si próprio, observando o que daí vai acontecer. A partir desse momento passa a existir um mecanismo operativo onde a criadora constrói uma relação com os materiais dando as evocações da forma, como numa espécie de sinais do pensamento sobre a matéria e a sua origem.
Os objectos por si escolhidos podem ser mais ou menos resistentes, por vezes junta dois tipos de materiais contrastantes numa tentativa de relação amistosa onde à partida nada os aproxima, numa conciliação irreconciliável, tais como a utilização do chumbo com o papel de cenário. "O meu trabalho vem muito da relação com os materiais, numa tentativa de associar coisas que, à partida não fazem sentido juntas".
As características da sua obra têm vindo a acentuar-se e tornaram-se especialmente visíveis na sua primeira individual Trabalho, em 2012 no Chiado 8 – Arte Contemporânea. Quanto ao papel do observador prefere que desempenhe a função de participante em detrimento de espectador, aproximando-se do seu trabalho indo ao encontro do gesto, desse fazer operativo.
Não lhe interessa que o público explique o que aquilo representa mas que identifique a sua presença a partir do encontro com esse momento, criando uma relação visual e física. As suas obras exigem disponibilidade para serem entendidas.































