DIÁRIOS DO UMBIGO

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No sábado passado fui tocar na Capela, o famoso bar no 45 da Rua da Atalaia. Como estava cansado e tinha dormido pouco parecia que ia com pouco ânimo, pois os efeitos da noite anterior ainda se faziam sentir. Mas ao subir o degrau de laje senti-me logo confortável, pois a música que tocava era relaxante e bonita. Fui direito à cabine e enquanto preparava os discos para começar a tocar estava curioso pois, não me lembrava o que era aquele disco que girava no prato e me estava a encantar e a tornar o ambiente tão acolhedor. Era um doze polegadas, tinha duas faixas do lado A e o rótulo era azul claro, era tudo quanto conseguia observar com o disco a girar e a pouca luz que se fazia sentir. Estava a saber-me mesmo bem aquela sonoridade que me soava bastante familiar. Estava pronto a começar mas deixei o disco de rótulo azul correr até ao fim contendo a curiosidade. A música melancólica, profunda e viajante, parecia de algum modo estar a levantar-me o espírito no seu ritmo caminhante. É daquelas músicas que parece que nos esquecemos que estão a tocar mas que continuam a fazer efeito. Quando parei o disco saquei da lanterna para iluminar o rótulo e vi que era do Lawrence e exclamei “Ah pois é” para mim mesmo. Afinal tenho vários discos dele todos melancólicos e paisagísticos alguns deles meramente conceptuais e experimentais. Assim começou a minha noite de sábado ao som de Lawrence – Friday’s Child da editora Mule Musiq de 2007:

Lawrence é um dos heterónimos de Peter M. Kersten, produtor alemão de Hamburgo que não está propriamente na linha da frente da cena electrónica mas que conseguiu criar o seu próprio estilo. Tem ainda o heterónimo Sten mais virado para o techno, que tem mais a ver com as suas vivências na pista de dança e mais dois projectos, Loyd de hip hop abstracto e Bordeux de guitarra ambiental. É definitivamente uma alma virada para a música, mesmo não obtendo grande notoriedade.

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