DIÁRIOS DO UMBIGO

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Fotografia: João Castro.

Os Dead Meadow vieram a Portugal pela primeira vez com seis álbuns de atraso, ao contrário deste artigo que só se atrasou uma semana. Certo é que a ZDB os agarrou em plena tournée europeia e o público agradeceu convenientemente.

Os Dead Meadow são uma banda de liceu que felizmente se internacionalizou. Amigos que em fins da década de 90, se viram a braços com o movimento de Washington DC e lançaram o primeiro álbum Dead Meadow pela editora do conterrâneo Joe Lally, também baixista dos Fugazi.

O trio retoma sons do rock setenteiro, dos Zeppelin aos Blue Cheer, psicadeliza os riffs e por vezes mandam uma pedrada ao charco e afirmam-se como stoners, sem contudo compartimentar aquilo que se quer linear. E é isso que os Dead Meadow são, lineares. A banda não tem elementos prodígio, não se exalta na construção que fazem dos temas e não têm nenhum elemento que salte à vista, ao contrário da maior parte das bandas que os influenciam.

Aqui não existem solos cirúrgicos nem ritmos inexecutáveis. Existe sim uma banda que nos mostra um som uniforme e embalante, um pouco como os candeeiros de magma que estiveram na moda há uns anos em Portugal mas que nos anos 70 eram o pão nosso de cada dia nos Estados Unidos. Projectaram o magma na parede da ZDB e também no nosso aparelho auditivo. Elementos que estão por vezes separados, que se fundem num elemento maciço para logo a seguir, quase aleatoriamente se voltarem a separar, repetindo este processo até ao infinito ou pelo menos até que a luz esteja ligada.

O público bateu o pé e abanou a cabeça. A uma dada altura também ergueram as pranchas de skate, isto porque existem temas dos Dead Meadow a rolar em vídeojogos da modalidade. Ao que parece, esse facto também foi importante na lotação da sala, que estava cheia mas não a abarrotar.

Os cães ladraram e os Dead Meadow passaram. Podemos imaginar isto numa pradaria verdejante mas aconteceu na ZDB no passado dia 11 de Outubro.

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