DIÁRIOS DO UMBIGO

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Fotografias: Hell Yeah

23 - dia Internacional do Livro. Na Catalunha comemora-se o Sant Jordi. Os rapazes dão flores às raparigas e estas retribuem com um livro. Os casais mais progressistas, chamemos-lhes assim, ou menos sexistas, para ser mais precisos, oferecem uma flor e um livro a cada um.

25 - para os italianos a Festa da Libertação, entre nós a Revolução dos Cravos. Impossível não ter um e descer a Avenida para acompanhar desfile.

29 - dia Internacional da Dança e em 1945 o primeiro campo de concentração alemão, Dachau, foi libertado. Definitivamente, Abril está impregnado de liberdade e carregado de flores para não o esquecermos.

Decido pegar num guia. Para comprar flores? Não. Terminantemente não. Das mais belas coisas que tenho, e posso reivindicar a sua posse, nunca foram compradas. As flores, arbustos, árvores e a infinidade de espécies que gravitam em seu redor são para ser desfrutados. Folheio uma excelente publicação da CM Lisboa - Guia dos Parques, Jardins e Geomonumentos de Lisboa, ordenando-o de uma forma muito própria. Faço-me à estrada: máquina fotográfica, manta e livro - check.

Começo pelos grandes. Pelos parques, em consonância com a ambição, com o desejo de liberdade. Lumiar e Parque Monteiro Mor. Aos Domingos e feriados grátis até às 14 horas. Entrada por portão de antiga quinta e a partir daqui: verde, verde, um horizonte de verde. Na sua forma mais desenhada, jardins, ou através de uma mata a perder de vista. E azul também: as fontes, pequenos lagos e espelhos de água. Para quem desejar uma visita de matriz mais cultural: Museu Nacional do Teatro e Museu Nacional do Traje. Alvalade, e respectiva mata, ou para obedecer à designação oficial Parque José Gomes Ferreira. Excelente para picnics, brincar com os filhos ou sobrinhos até os cansar; ou para os pouco dados a lugares comuns, vide “gordura é formusura”, impecável para corrida ou passeio de bicicleta.

Diminuo escala, aumento o desejo de privacidade. Uma das primeiras opções é o Jardim do Torel. O prazer da contemplação, distender as pernas, folhear livro ou conversar com amigos sabendo que lá em baixo o turbilhão é contínuo. O Jardim Boto Machado, bem no meio da Feira da Ladra, é outro dos eleitos. A cúpula do Panteão, a margem sul como linha contínua, a facilidade de estacionamento e limonada a preceito são argumentos q.b., acrescidos, a partir do primeiro de maio, de proposta cinematográfica do mais melancólico cineasta não português - Aki Kaurismäki (www.facebook.com/#!/events/119063174960177/).

Visitar e usufruir dos jardins da cidade não é só a afirmação de urbanidade; é revindicação de um desejo de plenitude, de um tempo lento, de liberdade. Tantos e tantos jardins estão aí para isso. E grátis quase todos eles. 

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