Desde os anos 90 e sempre que vejo um filme do Tarantino sou “in loco” e “in situ” assolado por uma vontade enorme de fazer algo inusitado e grandioso, porque não dizer épico. Senão vejamos:
Quando vi o “Pulp Fiction”, nos idos 1994, deu-me uma vontade enorme de comer um hambúrguer e beber um batido de morango e ouvir “You’ll be a woman soon” dos Urge Overkill em boa companhia e, numa versão extra deste menu, ser massajado nos pés por quem sabe, mas também por quem quer, desde que disfarce que saiba ou que não sabendo amacie e festeje a superfície epidérmica que está à sua mercê.
Já quando vi o “Reservoir Dogs, fiquei com vontade de ser gansgster-chic na baixa-underground de Los Angeles e de vestir todos os dias fatos pretos, camisas brancas e gravatas pretas e de me chamar Mr. Violet e de participar em roubos amorais mas, e ao contrário do filme, bem sucedidos.
Quando vi o “Jacky Brown” assolou-me novamente o desejo de ser piloto de aviões, sublimado - e depois de embater com a impossibilidade de o concretizar só por questões de idade - , pela vontade de fazer uma viagem à América do Norte que se consumou em 2001, entre Toronto, Montreal e Nova Iorque.
Flashback #1.
Lembro-me de estar no elevador de uma das Torres Gémeas e a meio da ascensão ter ouvido um grande estoiro e, para além do silêncio imediato das cerca de sessenta pessoas que iam dentro do elevador, testemunho o começo de uma prece em russo ortodoxo de um homem de meia-idade que se vira de costas para nós enfrentando uma das paredes metálicas do elevador. Chegámos ao andar 101 sãos e salvos. O ascensorista recuperou a fala, solicitando testemunhas indiferentes e fugidias. Como se não bastasse a pessoa que estava comigo e depois de avistar a imensidão “à escala Lego” da baixa nova-iorquina manhattaniana disse-me: - Tenho que falar com os árabes. Um pormenor importante: a visita foi a 28 de agosto de 2001.
Durante o visionamento de “Death Proof”, em 2007, tive vontade de mudar de sexo e de especializar-me em conduzir automóveis de chapa dura a alta velocidade, ter as melhores respostas a provocações de pessoas repulsivas e, sem malas aviadas e com o melhor dos figurinos, fazer finalmente a Route 66 ao volante de um Cadillac El Dorado Convertible Coupé de 1959.
Aquando do visionamento de “Kill Bill – The Bride” deu-me vontade de ir ao Japão e mais concretamente a Tóquio e de ser um samurai na actualidade e em Lisboa. Outra coisa que este filme me ensejou foi a de andar de moto e atingir os 250km/h numa grande avenida de Tóquio, podia ser a Omete-Sandô às 8 da manhã e não respeitar semáforos e esperar pelo choque de preferência numa parede, mas também podia ser contra uma multidão ou contra um automóvel, desde que pudesse sentir no corpo a força do embate e conseguir levantar-me e ver o mundo tornar-se outra vez possível, como se nada fosse. A parede desfazer-se e eu a levantar-me. As pessoas levantavam-se, riam-se e seguiam o seu caminho e eu dizia-lhes adeus. O condutor saía do carro sem o desligar, deixava o rádio ligado (gostava que estivesse a passar uma música dos Pizzicatto Five, uma qualquer), dirigia-se a mim e perguntava-me em japonês: Queres boleia? Enquanto eu percebendo-o perfeitamente levantava-me e perguntava-lhe em português: No teu ou na minha? E ele respondia-me com os dois dedos da mão direita a passear tranquilamente sobre a mão esquerda em direcção ao braço. Mas o corpo raramente resiste a um choque violento com a matéria, em média demora 30 segundos a sucumbir.
E agora depois saído de “Django Unchained”, veio-me à ideia de dinamitar todas as pessoas, lugares, memórias-recuerdos, sentimentos, bloqueios difíceis que impedissem de estar com a pessoa que amo, para que e estando ela montada a cavalo sob uma lua cheia me recebesse com a seguinte frase: - Hello you big troublemaker...
Sometimes, I love happy-endings, yoooooohhh!!!































