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Viajar numa excursão organizada ou com um guia tem os seus prós e contras.

Mas uma coisa é certa, acabamos sempre por visitar uma ou outra loja local.

Há um certo interesse monetário de ambas as partes e se comprarmos algo, os guias recebem uma comissão sobre esse valor.

Viajar de mochila às costas também tem as suas vantagens e desvantagens.

A locomoção é bem mais fácil, mas há um limite de carga. Comprar pequenas recordações ou mesmo um livro não traz qualquer tipo de inconveniência, mas quando nos querem impingir uma gigantesca carpete, aí a história já é outra. E eis mais um relato absurdo a juntar-se a um monte enorme de récitas incongruentes em solo indiano.

A caminho da cidade de Jaipur passámos pelo magnífico palácio Jal Mahal.

Uma das características que torna este palácio tão mágico e único, é o facto de se encontrar no meio de um lago, parecendo um palácio flutuante.

A primeira paragem na cidade de Jaipur foi numa loja de carpetes.

Apesar de não estarmos minimamente interessados em comprar carpetes, alcatifas ou tapetes, entrámos com todo o respeito e demos uma vista de olhos.

Sem sombra de dúvida que as imensas cores a contrastar com desenhos tão minuciosos elevam estas carpetes a autênticas obras de arte.

O dono era bastante simpático, mas a simpatia em terras de marajá era um estado que mudava em frações de segundos. Mesmo que estivéssemos interessados em comprar uma carpete, seria impossível viajar com algo maior que a minha própria mochila.

Agradecemos a amabilidade, gabando todo o recheio do interior e saímos.

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Imediatamente, o dono da loja veio atrás de nós, implorando-nos que comprássemos uma carpete.

Agradecemos mais uma vez, explicando que era inviável adquirir algo tão vultoso.

De imediato, este fulano tinha descoberto a solução para o nosso dilema, dizendo-nos que poderíamos comprar a carpete e enviar pelos correios para casa. No primeiro instante ainda esbocei um sorriso. Já me estava a imaginar a entrar nos correios com uma gigantesca alcatifa e pedir uns quarenta selos para enviar a dita cuja por correio azul.

Mais uma vez agradecemos toda a amabilidade e do nada aquele falso sorriso transformou-se num olhar pouco simpático e rude. O homem começou a refilar.

Quem também ficou bastante aborrecido por não temos comprado uma carpete foi o nosso guia e taxista.

Com cara de poucos amigos, ambos já só falavam no vernáculo deles e nem nos ligavam nenhuma.

Como é óbvio, nem eu, nem a minha amiga, estávamos a usufruir ao máximo desta viagem. Voltámos a entrar no veículo e passados uns breves momentos pararam o carro. O Taxista apontou para uma rua, dizendo que era a rua do mercado e mandaram-nos sair do carro.

Fiquei meio pasmado sem perceber o que estava a acontecer e perguntei ao taxista se ele não vinha connosco. Com ar de pouco amigos, o condutor respondeu que não.

Meio abismado e sem saber já o que fazer, perguntei de seguida a que horas ele nos viria buscar.

O condutor olhou para nós e com um ar de poucos amigos afirmou que não nos viria buscar, pois o mercado era tão grande que ele nunca nos iria encontrar, e que o melhor seria no final apanharmos num tuk-tuk e ir para o hotel.

Chateados e com alguma raiva, saímos do táxi. Nada disto fazia sentido.

Com tudo pago, excursões, entradas e guia, estávamos sozinhos no meio de um frenético caos.

O verdadeiro problema não era andarmos sozinhos, já que isso era um dos objetivos no início da viagem. O dilema era uma constante deslealdade e falsidade por parte do nosso taxista.

Para além de não querer trabalhar, ainda nos ficava com o dinheiro das entradas a que tínhamos direito.

Creio que todo o ser humano tem o seu lado bom, mas eu não via qualquer tipo de benevolência neste fulano.

Ou melhor, talvez até tenha sido um pouco malévolo e impiedoso, porque na realidade ele até tinha uma qualidade. Peculiar é certo, mas não deixa de ser um atributo ou uma mera idiossincrasia deste tipo.

Ele tinha um faro apurado para enganar os turistas. Arrisco-me mesmo a conceder-lhe mais um atributo, usando um simples superlativo para o adjetivo apurado.

O fulano tinha um faro apuradíssimo para burlar, calotear e defraudar os turistas. Agora sim!  Soa melhor e vai ao encontro deste fulano.

Se toda esta viagem fosse um livro, ansiava com alguma voracidade o seu desfecho e por isso mesmo folheava a cada dia todas as partes menos prazerosas até ao próximo capítulo.

Naquele exato momento, não me importaria nada voltar à loja das alcatifas e poder comprar um tapete bastante especial. Um daqueles tapetes mágicos como o do Aladino e simplesmente voar para longe.

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