MODA E BELEZA

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“Alta Costura” em formato de Sapato

Senhor Prudêncio é o nome do avô de João Pedro Filipe, criador da marca homónima, juntamente com Diana Rocha. O avô foi sapateiro nas décadas de 60 e 70, trabalhava em casa e fazia a distribuição do calçado de bicicleta. A marca é nova, mas é como se já tivesse alguma história pois surge um pouco com a forma de trabalhar do antigamente, embora com um design contemporâneo. Uma empresa familiar, em que parte das formas dos actuais sapatos ex quisite foram retiradas das formas de madeira do avô Prudêncio.

Desfilam na ModaLisboa em parceria com o designer Ricardo Andrez, participaram na London Fashion Week onde obtiveram uma reacção muito calorosa à colecção e seguiram para Paris, onde a reacção já foi diferente pois os franceses procuram algo mais clássico e menos arrojado. Já vem a ser construída há alguns anos mas só se tornou real em Março de 2012 pelas portas do Fashion Guimarães, cujo objectivo era apoiar jovens designers a lançarem a sua própria marca, torná-la sustentável e internacionalizá-la.

No norte há alguns apoios a projectos que se estão a iniciar.

Eu acho que existe alguma abertura mesmo por parte da indústria. Embora seja difícil no início, se tiveres meios próprios podes crescer muito mais rapidamente. Na realidade se não tivesse existido apoio por parte da indústria o projecto tinha nascido mas teria ficado por ali. Sinto que de facto há uma abertura, principalmente na indústria do calçado.

Também se deve ao facto de a indústria do calçado ser muito forte em Portugal.

Sim, e está cada vez mais internacional, cada vez se exporta mais. A imagem também é relativamente forte. As pessoas aperceberam-se que o design é uma parte fundamental para conseguir chegar lá fora. Não para fazer sapatos para os outros, mas se quisermos ter a nossa própria marca. É um valor acrescentado não sermos apenas uma fábrica.

Pode dizer-se que Sr Prudêncio é uma espécie de “alta costura” dos sapatos?

Sim, acho que sim. Fazemos tudo em Portugal e os materiais vêm de tinturarias e cortumes. Fabricamos uma parte na Benedita, os sapatos mais clássicos em que a sola é toda cozida e depois a parte dos sapatos mais desportivos é feita em Guimarães numa fábrica que trabalha muito bem e produz para Givenchy. Os sacos são feitos no Porto.

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E o design?

É todo nosso e basicamente é um trabalho que tem sido bastante difícil porque para conseguir injectar dinheiro no nosso próprio projecto temos que estar constantemente a trabalhar para outros. Claro que nos dá prazer mas também nos tira imenso tempo porque somos uma equipa bastante reduzida.

E porque decidiram apostar apenas em colecções masculinas?

Na altura que a marca começou a ideia era: já que vou ter que gastar dinheiro ao menos que possa usar os sapatos caso não os consiga vender.

E as vossas malas, como é que surge a ideia e a ligação às bicicletas?

Pensámos criar uma oferta para um lifestyle que englobasse produtos que fossem acessórios e artigos em couro, ou seja, sacos, sapatos, luvas, cintos. Os sacos surgem como um produto versátil que pode ser usado em várias situações. É um saco em pele que pode ser usado como um saco de viagem ou como mochila, pode crescer e tornar-se num saco de viagem grande, pode também ser usado como saco de mão. Os das bicicletas têm como ideia serem uma pasta normal, mas que possa ser colocada em cima da bicicleta. A colecção de sacos é muito pequena e mais uma vez a marca foi feita à minha medida, numa altura em que achava super difícil encontrar sacos bonitos em couro.

Onde se pode encontrar a Sr Prdudêncio?

Estamos à venda na Wrong Weather e nos sites aos quais estão associados, como o Farfetch, um site aglomerador de lojas. A elevada qualidade dos nossos produtos não nos permite ter preços baixos e às vezes é difícil que as pessoas queiram apostar numa colecção de uma marca que não conhecem. Temos agora um agente que pode fazer esse trabalho. A verdade é que temos crescido a uma velocidade que não estávamos à espera, em termos de aceitação de mercado e procura.

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