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Fotografias: Amplifest.

Hélder, gabardine preta, cabelo à la Robert Smith e docs nos pés. Poderia ser baixista dos Hospital Psiquiátrico, no entanto optou pelo caminho de ouvinte atento e respigador frenético. Catálogos da Ananana, Contraverso, Symbiose, Audeo, outros tantos estrangeiros e evidentemente a sua inseparável caneta rosa fluorescente. Quem se sentasse a seguir a ele no Café Imperial sabia em que mesa tinha estado. Um risco aqui, um ponto ali, todos cor-de-rosa e o resultado de uma tarde de sublinhados constantes. O mote – descobrir aquela banda que ninguém conhecia: B-shops for the Poor, Boredoms ou God is my Co-Pilot. Daí até pegar numa Handycam e mais tarde num MiniDisc para gravar tudo o que podia foi um passo, isso e a alcunha de “o rosa choque”. O entusiasmo foi esmorecendo, com a idade e sobretudo com uma oferta musical que não o satisfazia.

Até um dia. Encontro ocasional a caminho do Café Ceuta e um amigo daqueles que desaparecem do radar pergunta-lhe: “Vais ver Godflesh?” (os da t-shirt guardada religiosamente durante anos, os que editaram Streetcleaner) e bang cerebral imediato. Comprar bilhete e rumar até ao emblemático Hard Club no não menos histórico Mercado Ferreira Borges. Corria o ano de 2011, e a primeira edição do Amplifest, Justin Broadrick e G. C. Green ali mesmo à frente ao fim de tantos anos, o regresso definitivo de Godspeed You! Black Emperor, em 2012, e a estreia de Chelsea Wolf na edição do ano passado são momentos que jamais esquecerá. E sim, para a edição de 2014 já desenterrou a sua velha amiga e sublinha com afinco os míticos Swans de Michael Gira e companhia para a apresentação do mais recente e muito aclamado trabalho To be Kind, e que expectativas já estão a gerar, Ben Frost e as ondas sonoras que cruzam latitudes infinitas, da sua Austrália natal à Islândia de acolhimento, Peter Brötzmann & Steve Noble, nunca se saberá o que poderá acontecer quando se cruzam dois magos da improvisação, saxofone, clarinete e bateria em diálogo esquizofrénico, ou para momentos de distensão absoluta as melodias de Marisa Nadler.

Oferta variada, coerente, mas sobretudo com a preocupação em traçar pontos de contacto entre géneros que geralmente se encontram dissociados. As margens e respectivas pontes é imagem de marca do Amplifest nestas três edições. Da música e todo o seu enorme universo e que não é imediatamente perceptível a quem está na plateia, por isso, não poderia deixar de ir às Amplitalks, (You Fucking Music Make Me Sick; Some Girls are Bigger than Others; Behind the stage; Dark City, Dead Promoter), visitar a parte do mershadising e a Terminal Tower, exposição de ilustração de André Coelho com textos de Manuel J. Neto.

Com isto voltar à Ribeira, a do tempo do Mercedes, Meia Cave e do Aniki Bóbó, passear pelo rio e ver a outra margem, os saltos dos putos enquanto se delicia com os pratos vegetarianos da Casa da Horta; velhos hábitos da cultura vegan, das muitas horas a ouvir X-Acto e a sublinhar, claro está.

4 e 5 de Outubro, Hard Club – Praça do Infante D. Henrique, Porto

Bilhetes:
Passe de 2 dias – €65
Amplipack 2014 (Amplifest 2014 + Tim Hecker + Kadavar + Maybeshewill) – €75
Bilhete diário – €35
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