MÚSICA

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Fotografias: Vera Marmelo.

Imaginação é palavra antes do golo. Sensible Soccers desenham jogadas, triangulações e desmarcações com a mesma subtileza que uma equipa que joga no Olimpo. Conquistar não é ordem. Evasão e prazer. Os abonados, entendida como horda privilegiada, aclama, exalta. Jogam em casa. Definitivamente a ZDB tornou-se “factor motivacional” para muitas das bandas nacionais, mas não só. Dúvidas? Não para Sensible Soccers. No final, no encore, não se esquecem e agradecem – “São do caralho! Obrigado, receberam-nos como ninguém. Caralho!”.

Até aqui, uma longa viagem. Se Father Murphy, concerto surpresa de Quarta-feira, as sonoridades eram chamamentos interiores, rituais litúrgicos, uma espécie de cerimonial xamânico para meia dúzia de resistentes, no concerto do passado Sábado, o interior, o nosso e o deles, transfere-se para lugares de múltiplas viagens – realizadas e imaginadas. De Menorca, e dos olhos de quem se ama que se pintam na paleta do mar, as linhas infinitas de uma Los Angeles futurista, próxima do universo de Blade Runner, ou um baixo que ecoa como a bruma e a densa vegetação da Amazónia de Herzog ou Gabriel Abrantes. Em camadas sonoras que se vão sobrepondo e entrecruzando vão-se definindo os limites, ou falta deles, de uma narrativa infinita. A tantas imagens, poderíamos juntar a dança de uma pastilha dentro do sol ou a de uma associação de ciclistas amadora a pedalar atrás de um feijão-verde. E ainda, porque não, qualquer outro vegetal que correspondesse a esta sonoplastia gastronómica. No aquário o “cardume” acompanha, interage, grita para o palco.

Em cada um dos presentes, uma imagem. Correspondência com os múltiplos estilos que se vão sobrepondo - psicadélico, rock, post-rock, electrónica, em cada tema que vai sendo mais ou menos conhecido – Maria RosaNikopolUlrike, e dentro destas as inúmeras variações, como tocar a guitarra com arco, por exemplo. Emanuel Botelho, Filipe Azevedo, Hugo Alfredo Gomes, Manuel Justo são quarteto robusto e, simultaneamente, mutável. Aceleram e desaceleram, controlam os tempos. Conhecedores dos mecanismos e de como interagir com o público, afinal tinham conseguido “encher esta merda toda”.

Há tempo para umas sarrafadas, entradas a pés juntos e passes mal medidos? Certamente. Afinal, acabam de lançar o álbum de estreia (8). Aqui poderá ver a crítica.

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