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Fotografias: Diogo Lopes.

Kenneth Frampton subiu ao palco do grande auditório do CCB no passado dia 3 para receber o Prémio Carreira Trienal de Lisboa Millennium BCP 2013. Depois de nas duas edições anteriores este prémio ter destinguido Vittorio Gregotti e Álvaro Siza Vieira, é dedicado nesta terceira edição ao arquitecto britânico de 83 anos que lecciona actualmente na Graduate School of Architecture, Planning and Preservation da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

A conferência a que Lisboa assistiu, depois de uma primeira noite esgotada na Casa das Artes no Porto, trouxe-nos um homem sereno com as questões principais da sua longa carreira de investigação, mesmo nos momentos que causaram controvérsia. Frampton, dos nomes mais reconhecidos mundialmente na crítica e teoria da arquitectura, começou por assumir à plateia que não só de reflexão se fez o seu percurso, mostrando mesmo um edifício por si assinado. Mas é no campo teórico que Kenneth Frampton nos deixa um enorme legado, com livros como História Crítica da Arquitectura Moderna, que continua a ser uma grande referência.

Enfatizando momentos de viragem e certeza na sua carreira, Frampton foi pautando o seu discurso com nomes que consigo se cruzaram e alteraram a sua precepção do mundo e da arquitectura, como a filósofa política alemã Hannah Arendt, a partir do seu texto The Vita Activa: Labor, Work and Action. Numa prespectiva de análise do seu próprio percurso, Frampton fala-nos como chega ao entendimento de que há identidades próprias de cada território e a denominações controversas até aos dias de hoje como a de “regionalismo crítico”.

Questões de como a arquitectura pode reflectir o território local, sem cair em padrões nacionalistas politizados, levaram Frampton a especificar exemplos de construções com referências vernaculares, de linguagens universais com meios locais. Afirma que a maioria dos arquitectos denominados de “primeira linha” não saberiam intervir em territórios do terceiro mundo, sendo crítico a posturas deslumbradas de construção. Como antítese, fala-nos de Álvaro Siza e da sua capacidade de ligar a arquitectura ao local. Mas o apelidar Álvaro Siza de “regionalista”, embora tenha contribuido para fazer chegar o nome do arquitecto português a um discurso mais internacional, não foi bem aceite na Universidade do Porto. Porventura, nesta viagem a Portugal, quebram-se alguns preconceitos associados a esta designação.

O premiado crítico, quando traz o seu discurso aos dias de hoje, não esconde as indefinições e reticências que alguns caminhos contemporâneos da arquitectura lhe suscitam, distinguindo o Studio Mumbai como um bom exemplo, elegendo, uma vez mais, um notório conhecimento de um mundo global traduzido numa arquitectura cheia de especificidades regionalistas.

Todos aprendemos a ouvir e a problematizar com Kenneth Frampton e não podemos deixar de perguntar como é que os alunos das nossas faculdades de arquitectura não se deslocam em massa para o fazer.

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