Já está na rua o segundo álbum dos OqueStrada e um destes dias tive o prazer de abrir a caixa do correio recheada de música. Lá estava ele, com uma lindíssima capa, um design cuidado e fotografias de cinco estrelas. Pelo aspecto, o segundo filho foi alvo de grandes cuidados estéticos, por isso estava ansioso por verificar o que sai da rodela lá dentro. Pois que se poucos duvidavam do génio destas pessoas, aqui comprova-se que ao génio e humor soma-se a maturidade sonora. Este Atlantic Beat é um disco que conserva todo o ADN dos OqueStrada mas aprofunda a sonoridade num registo mais maduro. Todo o ambiente teatral e cinematográfico é tornado mais denso e complexo com arranjos sonhadores e que trazem paisagens e viagens à cabeça de quem ouve.
É um som "sem retenção fiscal"!
Tudo começa com um convite para beber café. A coisa é dita num portunhol confuso que sai da cabeça da personagem Miranda. É melhor não pensar em regras, nem sequer gramaticais, quando se ouve um disco dos OqueStrada. Nem sempre as regras são aqui benvindas. Neste disco a festa é menos efusiva, há mais momentos de calmaria num mar que se fez para navegar e onde se sente a influência da morna de Cabo Verde, da bossanova do Brasil, do acordeão e da chanson de Paris, das sonoridades dos Balcãs, do fado português, de um povo de marinheiros e de saudade que aqui criou o seu melting pot tuga. As memórias de infância, os lamentos e alegrias, os comentários politizados, a Europa e o que resta desse ideal, tudo aqui se mistura ao sabor de uma certa anarquia. A voz de Miranda embala com a doçura sua característica, emocionando e fazendo sorrir. A guitarra portuguesa vem das mãos de um verdadeiro génio das mãos que é o despenteado Lima e muito ritmo sai de Pablo, que canta muito pouco aqui e além, numa voz maravilhosa, de um francês sussurrado. Queremos muito, muito mais ouvir a voz de Pablo. OqueStrada, aceitam pedidos? Sem desfazer, queremos que o Pablo cante mais, pode ser?
Tenho a convicção de que os Oquestrada são uma banda de concerto. Só consegue entender esta banda na perfeição quem os viu ao vivo. Se o primeiro disco era um registo de uma performance, ainda que em estúdio, este novo promete ser igualmente um souvenir daquilo que está por acontecer no Teatro Tivoli esta semana. Por isso se trata de um pack: disco e concerto. Quem pode ter os dois sairá a ganhar. Agora uma questão para a banda: e que tal um dvd?
A não perder no teatro Tivoli dia 28, concerto de apresentação de Atlantic Beat!

