Fotografias: Annick Geenen e Kristof Vrancken.
“Forget bondage – furniture is the new perversion.” Kathy Greaves, Wallpaper
Formado em design industrial pela SHIVKV Genk (Bélgica), Casimir nasceu em Koersel, na Bélgica, em 1966. Procurando uma área onde a versatilidade teórica e prática, bem como a criatividade intelectual e artística estivessem bem presentes, nunca pensou orientar a sua actividade somente para o design.
Durante os anos de formação em design industrial descobriu que o design de produtos com objectivos industriais não era aquilo que procurava, uma vez que um produto industrial compreende uma série de compromissos e representa raras vezes a expressão de emoções ou visões pessoais do designer. Ainda durante o seu percurso académico, concebeu uma série de peças de mobiliário que representam a sua visão muito particular do que é o design. Mais tarde, já estabelecido como designer de mobiliário, esta visão deu origem a um estilo muito pessoal.
O estilo de Casimir mostra a verdadeira essência dos seus objectos e da razão para a qual foram originalmente concebidos, a ideia de arquétipo. A semiótica, a linguagem dos sinais e dos símbolos, representa um papel fundamental: a linguagem como base de uma cultura.
O seu mobiliário é caracterizado como pesado e sólido e, no seu ponto de vista, tipicamente Flamengo, Burgúndio e Galês. A escolha de materiais duradouros e genuínos, assim como das técnicas construtivas aplicadas, permitirá que o tempo actue da melhor forma sobre os objectos. Para além de opções estéticas, todas estas decisões são também uma forma de garantir a sua utilidade. Os objectos desenhados por Casimir são, acima de tudo, utilitários, para usar e serem usados.
A estética de Casimir parte de um conceito em constante movimento e que constantemente se auto questiona. Até que ponto são os arquétipos legíveis, ou seja, se seis tábuas colocadas com determinado ângulo entre si constituem uma arca, a partir de que altura é que estas mesmas seis tábuas passarão a ser um armário? As dimensões influenciam a semiótica/legibilidade de uma peça de mobiliário? A imagem que temos de determinado objecto poderá ser dissociada da sua função: poderá uma cadeira com uma prateleira embutida ser considerada uma mesa de cabeceira? Até que ponto será possível alargar o uso tradicional de uma peça de mobiliário: e se, ao invés da tradicional cama dupla para dormir lado a lado, esta fosse longa e estreita, permitindo um uso em linha? Ou então, usar um armário para abrir outro em vez de usar uma porta? Os materiais serão suficientes para contar a história? Será possível enfatizar simultaneamente qualidades aparentemente contraditórias como o rústico/rude e o refinado? É na pertinência e na constante procura da resposta a estas questões que se encontra a tensão de todo o trabalho de Casimir e que sempre fascinará o espectador.
Em poucas linhas o filósofo Francis Smets sintetiza na perfeição o perfil do trabalho deste designer: “os seus [Casimir] objectos nunca serão indiferentes. Atraem ao mesmo tempo que permanecem imóveis, retirados da sua identidade autónoma e inacessível. O jogo é a sedução. Modestos, reservados e despretensiosos como só os seus objectos conseguem ser, são, ao mesmo tempo, físicos, desejáveis e sensuais. Estes objectos não são elegantes nem tão pouco bem apresentados, aborrecidos ou neutros, conseguindo ocupar simultaneamente os dois extremos de determinado espectro. O seu rigor, clareza e utilitarismo categorizam-nos como masculinos. A sua generosidade, susceptibilidade e intimidade sugere que talvez possam ser femininos. Ainda assim estes escapam a toda e qualquer tentativa de rotulagem, tornando-se indefiníveis. A melhor palavra para descrevê-los é ‘ilusório’.”









