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Já está aí a 10ª edição do Temps d'images - uma edição especial que celebra 10 anos de festival com uma programação transversal e contínua até dezembro.

Apesar de Gerard Byrne ser parte integrante desta 10ª edição ( inaugurou a 20 de setembro no CAM), o derradeiro arranque do Temps D'Images' aconteceu a 20 de outubro  e decorre até 20 de dezembro num conjunto de espaços, onde a imagem encontra o palco um pouco por toda a cidade.

10 anos TEMPS D’IMAGES LISBOA

Nestes 10 anos o TEMPS D’IMAGES ancorou-se na paisagem artística contemporânea fazendo aparecer géneros e disciplinas. Aqui as formas contaminam-se, as artes cruzam-se e abrem portas a novas propostas artísticas híbridas - O confronto entre o real e as imagens projetadas no palco. Fiel à sua ambição o TEMPS D’IMAGES LISBOA continua a apresentar projectos artísticos que cruzam a imagem em movimento com a performatividade, juntando artistas destas linguagem complementares que aqui se querem unas, resultado de uma programação conjunta, estando mais do que nunca atenta à criação nacional.

TEMPS D'IMAGES a IMAGEM encontra o PALCO com Alfredo Martins | André Godinho e Paula Garcia | Anne Teresa de Keersmaeker | António Jorge Gonçalves | Carlota Lagido e Miguel Bonneville | Carlos Pimenta | Cintia Marcel | Gerard Byrne | João Onofre | João Sousa Cardoso e Ana Deus | Mala Voadora | Mariana Tangner | Neuer Tanz / Va Wölfl | Olga Mesa | Olga Roriz e João Raposo | OqueStrada | Solange Freitas e Catarina Vieira | Sónia Baptista e Cláudia Varejão | Teresa Gentil

Um dos projectos do TDI 10 anos mostra-nos a imagem de um X perfeito. Cruzada, encruzilhada, incógnita, multiplicação, tem sido o nosso tempo, as nossas imagens.

No passado fomos cruzada e multiplicação. O futuro; encruzilhada e incógnita. O presente é todo o X.

PROGRAMAÇÃO

INSTALAÇÕES

Gerard Byrne { Imagens ou Sombras }

CAM | 20 SET > 6 JAN 2013

Gerard Byrne (Dublin, 1969) apresenta-se pela primeira vez em Portugal com Imagens ou Sombras. Esta exposição é constituída por três grandes instalações e um vídeo, que exploram os códigos da linguagem televisiva, problematizam e desmontam as fronteiras entre performance, televisão, teatro e cinema.

Vinda do Irish Museum of Modern Art (IMMA) em Dublin e terminando na Whitechapel Art Gallery em Londres, a mostra assume uma forma diferente em cada um destes espaços. Imagens ou Sombras, título da exposição e do catálogo que a acompanha, é mais do que uma evocação da caverna platónica – em que o que nós humanos veríamos seria somente as sombras do mundo verdadeiro –, é sobretudo uma síntese do que interessa a Byrne, a realidade e a ficção, a verdade e a fantasia, não como categorias opostas mas porosas, que se contaminam e instabilizam, tal como uma escultura minimalista exige um uso e manuseamento simultaneamente delicado e complexo.

Curadoria: Enrique Juncosa

Curadora associada: Isabel Carlos

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Cinthia Marcelle {Cruzada}

CARPE DIEM – Arte & Pesquisa | 20 OUT > 29 de Janeiro

Dezasseis músicos surgem dos quatro cantos de um cruzamento, quatro de cada lado, trajando quatro cores: amarelo, vermelho, azul e verde. Os grupos (grupo dos pratos, grupo dos taróis e bumbos, grupo dos trompetes e trombones, grupo dos bombardinos e tubas), entram em cena, um de cada vez, ao som desencontrado dos instrumentos até alcançarem o centro do cruzamento. Quando todos se vêem na encruzilhada, frente a frente, inicia-se um duelo entre eles, embate que termina em uma coreografia na qual os músicos trocam de lugar, formando então quatro bandas de cores e instrumentos misturados. Ao som de uma mesma canção, enfim harmonizados, os músicos deixam a encruzilhada espalhando-se, cada qual no seu tempo, pelas quatro vias.

produzido por KATÁSIA FILMES

apoio: Construtora INPAR, Valores de Minas, Escola Municipal Anísio Teixeira

Cortesia: Juan Carlos Bendana-Pinel

Anne Teresa De Keersmaeker {Violon Fase}

MNAC | 30 OUT > 11 NOV

Violon Fase é o primeiro solo de Anne Teresa De Keersmaeker. Foi coreografado em 1981 em Nova Iorque. Um ano mais tarde, tornou-se parte integrante de Fase: quatro movimentos para música de Steve Reich.

Thierry De Mey filmou, em 2001, a performance de um guindaste de 20m de altura.

A instalação mostra Anne Teresa De Keersmaeker a dançar na areia branca, os movimentos dos seus pés desenham na areia, uma forma que se assemelha a uma rosa.

MNAC

João Onofre {Untitled (N’en finit Plus)}

MNAC | 12 DEZ > 6 JAN 2013

Vídeo HD Monocanal, PAL, 16:9, cor, som, 3' 03'' loop

Copyright © João Onofre 2010-11

Uma adolescente, Beatriz Mateus, canta "La nuit n’en finit plus" de Petula Clarck, à capela, numa vala escavada na planície durante a noite.

Realização: João Onofre | Com: Beatriz Mateus | Fotografia: Leonardo Simões | Som: Emídio Buchinho | Direcção de produção: Toni Tàpies | Chefe de Produção: Manuela Ribas | Pós-produção de Imagem: Carlos Almeida, Irmalucia SFX | Primeiro assistente de Camara: Hugo Azevedo | Assistente de Chefe de Produção: Sandra Bogalho | Operador de Grua Technocrane: Rui Guerra | Operador de Grua assistente Technocrane: Paulo Miguel Rosa | Electricista de grua: Paulo Freitas | Operador de Dolly: Anabela Vieira, Filipe Ribeiro | Chefe Electricista: Raúl Caldas | Electricistas: João Oliveira, António Correia | Onofre Studio Manager: Ana Bilbao | Gaffer: Luís Filipe | Assistentes: Vladimir, Jorge, Ricardo, Sr. Ramalho | HD encoding: Pedro Reis/Resize | Equipamento técnico: Cinemate, Portugal, Planar Filmes, Vendap, Fátima Correia, Rolling Power | Agradecimentos: Carlos Vidal, Paula Torre do Vale, Beatriz Mateus, Jackie Correia, Emído Buchinho, Toni Tàpies

Plataforma-Revólver

Olga Mesa

PLATAFORMA REVÓLVER

ESPECTÁCULOS

VA Wölfl {ich sah: dass Lamm auf dem Berg Zion, Offb. 14.1}

TEATRO MUNICIPAL MARIA MATOS | 26 e 27 OUT | 21h30

“E eu vi o Cordeiro no Monte Sião” é o versículo que dá o título à peça de VA Wölfl. Não é uma surpresa que um dos coreógrafos mais visionários e destemidos da dança alemã se interesse pela poesia alucinatória do Apocalipse. As suas criações são caracterizadas por um imaginário radical e perturbador, algures entre o surrealismo e o hiper-realismo.

As suas coreografias investem mais na percepção do movimento do que no próprio movimento e as imagens que cria continuam a perseguir-nos depois do fim do espectáculo. “Não é coincidência”, escreve o crítico de dança Arnd Wesemann, “que o som oco ― um clique demoníaco ― de 17 bailarinos a destravar as suas pistolas Walther PPK e a disparar sobre os seus próprios joelhos soe igual a um obturador da câmara. É uma imagem que se desenvolve em milésimos de segundo na cabeça de cada espectador, dividindo-o entre a sensação imediata de medo e a consciência da encenação, da falsificação.” Com uma precisão intransigente, o coreógrafo desconstrói a banalidade da vida quotidiana, expondo o vazio e a estigmatização de uma sociedade obcecada com a segurança e encurralada nos seus próprios medos.

Com o apoio do Goethe-Institut, no contexto do programa Coreografia Contemporânea Alemã | Co-apresentação Festival Temps d'Images

Coreografia: VA Wölfl | Com: Alfonso Bordi, Jusin Carter, Montserrat Gardó Castillo, Petr Hastik, Nicholas Mansfield, Edgar Sandoval Diaz, Kristin Schuster, Yuki Takimori, Judith Wilhelm, Susanna Keye, Marco Wehrspann, Wolfgang Wehlau, N.N., N.N., VA Wölfl | Apoios: Cidade de Düsseldorf, Ministério da Família, Crianças, Juventude, Cultura e Desporto de Nordrhein-Westfale, Fundação Castelo e Parque Benrath, Fundação de Arte e Cultura da Sparkasse, Defence Systems & Equipment International London/Waffenmesse, Secretariado de Cultura de Wuppertal/Nordrhein-Westfale e NEUER TANZ

João Sousa Cardoso e Ana Deus {Raso como o Chão}

TEATRO DA POLITÉCNICA | 31 OUT | 21h00

| 1 > 3 NOV | 19h00

Álvaro Lapa, escritor revisitado, num dos seus textos intensos, Raso como o Chão. E aqui veremos novo a sua tão particular articulação entre o escrito pessoal e a informação, o recorte, a colagem, a repetição. E uma viva reflexão sobre o país – ontem e hoje…

Um espectáculo de Ana Deus e João Sousa Cardoso a partir de Raso como o Chão de Álvaro Lapa | Com: Ana Deus e João Sousa Cardoso | Fotografia: André Cepeda | Produção: Três Quatro Lente Associação Cultural do Porto 2011/2012

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André Godinho e Paula Garcia {VENUS <3 ADONIS}

CCB – Sala de Ensaios | 1 e 2 NOV | 21h00

| 3 e 4 NOV | 19h00

Venus <3 Adonis parte da vontade de fazer uma ópera deliberadamente desprendida dos cânones de virtuosismo a que a ópera é associada.

Em cena, os autores deste espectáculo, ambos leigos musicais, constroem um espaço, onde é interpretada, na medida das suas capacidades, a ópera barroca Venus & Adonis que John Blow compôs em 1683 para a corte de Carlos II de Inglaterra. Recorrem a um coro que acumulará as funções de orquestra. Todas as noites haverá um espectador diferente – a quem o espectáculo é dedicado e a quem se pretende agradar mais do que a todos –, a assistir ao espectáculo via Skype. A utilização deste meio tem não só uma importância conceptual, por criar um «rei» contemporâneo, como também formal, por estabelecer uma relação entre o palco e a imagem filmada – neste caso pela câmara do Skype.

De André Godinho & Paula Garcia | Co-produção CCB ⁄ Festival Temps d’Images

Solange Freitas e Catarina Vieira { O Festim – Do fim das coisas nada sabemos }

TEATRO DA POLITÉCNICA | 2 e 3 NOV | 21h00

A festa está a morrer.

Acho que a festa está a morrer.

Só vos digo, a festa está a morrer.

Gosto de festas principalmente das de aniversário. Sempre gostei de bolos de aniversário, do momento antes de apagar as velas. Apagam as luzes e dizem-te – SUPRISE - e cantam-te os parabéns.

Mas esta festa não se trata disso é outra coisa.

O tempo vai passando, alguns dos convidados já foram embora, os que ficaram, vão se sentando.

Estou à espera, cansada, agora vou ficar até ao fim der por onde der. Esta festa já deu o que tinha a dar, está a morrer. Estamos quase no fim da festa.

Criação: Catarina Vieira/Solange Freitas/Tiago Cadete | Interpretação: Catarina Vieira, Solange Freitas e Tiago Cadete | Textos: Cláudia Chéu entre outros | Vídeo: Carlos Conceição | Espaço Sonoro: Tiago Cerqueira | Produção Executiva: Vertigo - Associação Cultural

Mariana Tengner Barros { Peça do Coração – For Him }

TEATRO DA POLITÉCNICA | 8 e 9 NOV | 19h00

A Peça do Coração é um projecto que Mariana Tengner Barros pretende desenvolver para sempre. O objectivo é recriar (até ao fim da sua carreira de coreógrafa) o conceito inicial do projecto que nasceu em 2008 no âmbito do curso PEPCC – Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica do Fórum Dança, durante um encontro (em regime de workshop) com Francisco Camacho. Mais tarde, o projecto, a convite do coreógrafo, foi acolhido no programa de residências da Eira33, com o seu acompanhamento e consultoria artística da equipa da sua estrutura – Eira. Posteriormente, Peça do Coração foi apresentada publicamente em várias salas do país, com um elenco estritamente feminino – 5 performers.

A versão original Peça do Coração consistia na elaboração de uma rede de interesses e referências pessoais, tendo como ponto de partida a noção de “perda íntima”. Tomou forma, através de um processo criativo de associação livre, uma imagem que iria marcar toda a peça: um indivíduo, num mundo azul, com um coração falso e artificial na mão. Embora a imagem não tivesse nunca surgido em palco, esta norteou a exploração dos materiais coreográficos: universo cromático, formas plásticas e artificiais, e o objecto preciso de “coração”.

A versão então apresentada concentrava-se bastante na representação e no imaginário, experiência de vida, da própria criadora, jovem mulher, resultando no seu desdobramento em palco, através das 4 performers, coro, no qual era a sua própria solista. Nesta autobiografia, todas as performers eram representações da coreógrafa, até mesmo nos figurinos (roupa e peruca), embora só esta tivesse “direito a falar”, como narradora.

Peça do Coração 2008 é um estudo mais do que uma obra acabada, um primeiro passo que despoletou a vontade de trabalhar ciclicamente sobre (a) a noção formal de solo e coro, e sobre todas as relações entre a singularidade e a pluralidade, (b) e o termo vasto e polissémico de “coração”, desde a sua encenação iconográfica para representação da paixão e do amor à sua função vital – de bomba do corpo.

De Mariana Tengner Barros | Co-criação/com: Cláudio Vieira, John Romão e Tiago cadete | Figurinos/Vídeo: António MV | Sonoplastia: João Ferro Martins e Filipe Lopes | Acompanhamento Dramatúrgico: Mickael de Oliveira | Encenação: Mariana Tengner Barros | Produção: Eira | Co-produção: Festival Temps d’Images / DuplaCena | Apoio: O Espaço do Tempo, Fórum Dança

 Olga Mesa {LabOfilm}

CULTURGEST | 9 e 10 NOV | 21h30

LabOfilm & 1: O Lamento da Branca de Neve é um projeto que questiona, aprofunda e estabelece vínculos entre a poética da linguagem cinematográfica e o ato coreográfico. Olga Mesa parte desta relação para depurar a sua escrita artística: a coreografia e a mecânica da sensação, o fora de campo, a dupla / visão, a câmara cega, o corpo abandonado, os textos para (não) serem escutados.

Com O Lamento da Branca de Neve quero conhecer a matéria real dos sonhos; quero construir um sonho. Quero perder-me através de um espelho (não) visível onde o espectador se possa ver refletido; que possa sentir o seu próprio tempo e ter a sua visão. Quero que possa recordar que todos somos vítimas e carrascos, seres humanos perdidos, frágeis, abandonados, mas também capazes de matar. Porque a qualquer um de nós, como à Branca de Neve de Walser, podem perguntar-nos: “Pensas que te queria matar?”. Com este lamento quero que sejam visíveis, desde longe, os diferentes planos narrativos da Branca de Neve; a que se desperta com a memória da guerra e da infância dizendo: “mais do que ver, prefiro escutar”.

Concepção, direcção e coreografia: Olga Mesa | Assistente de direção, vídeo e documentação: Marta Rodriguez | Corpos operadores: Sara Vaz e Olga Mesa | Criação sonora: Jonathan Merlin | Dramaturgia e espacialização de textos: Francisco Ruiz de Infante | Textos: Robert Walser e Olga Mesa | Criação de luz: Christophe Renaud | Direção técnica: Ludovic Rivière | Colaboração vestuário: Pierre Boileau | Fotografia: Susana Paiva / Pierre Mercier | Administração (Fr): Natalie Ehsan-Ziah | Produção: Cie. Olga Mesa / Hors Champ – Fuera de Campo (Fr-Es), Off Limits, Madrid (Es) | Coprodução: FRAC Alsace, Sélestat (Fr), Festival Citemor, Montemor-O-Velho (Pt), Pôle Sud – Scène Conventionnée pour la danse et la musique, Estrasburgo (Fr), Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura (Pt), MNCARS – Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid (Es) | Apoios: Ayudas a la Creación Contemporánea Matadero, Madrid 2009 (Es), AECID – Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo (Es), INAEM – Instituto Nacional de las Artes Escénicas y de la Música (Es), ACA – Agence Culturelle d’Alsace (Fr)

Olga Roriz e João Raposo {Present in Progress}

MNAC | 10 e 11 NOV | 17h00

Present in Progress é um encontro de dois gestos distintos, a dança e a pintura.

Juntos e ao vivo, pintor e coreógrafa dialogam na sua solidão.

A música é a única ligação entre eles, espacial e temporal.

Ela move-se colada a uma tela branca. Ele está de pé em frente a uma mesa em branco, câmaras de vídeo, tintas, pincéis, papeis...

O Movimento dela flutua entre as explosões de linhas e cores.

O resultado é ora dramático, ora poético.

Cada performance é uma nova experiência, uma viagem diferente e sempre com uma outra história para contar.

O cruzamento da dança, da pintura, do vídeo e da música, manipulados em tempo real pelos dois criadores, transporta o espectador para um universo genuíno e apaixonante.

Conceção e Espaço cenográfico: Olga Roriz e João Raposo | Coreografia e interpretação: Olga Roriz | Pintura e vídeo: João Raposo | Música: Balanesco Quartet “Possessed” | Diretor de produção: Pedro Quaresma | Produtora executiva: Teresa Brito

António Jorge Gonçalves {Barriga da Baleia}

Alkantara

Alfredo Martins {ozzzzzzzzzzz}

ESPAÇO ALKANTARA | 17, 20 e 24 NOV | 19h00

Ozzzzz propõe uma releitura do clássico “Feiticeiro de Oz”, a partir de uma representação contemporânea do conceito de casa. Num espectáculo mais ou menos musical, Dorothy retoma a estrada de tijolos amarelos ou apanha um voo comprado em promoção no site da Ryanair. Sem data de regresso prevista e apenas com bagagem de mão, evoca-se uma narrativa que recupera a imagem distante da casa e é traduzida pelo google translator em 19 idiomas simultaneamente.

Direcção Artística: Alfredo Martins | Desenvolvido e Interpretado por: Alfredo Martins, Carlos Alves, Cláudia Gaiolas, Estelle Franco, Luís Godinho, Paula Diogo e Séverine Porzio | Vídeo: Masako Hattori | Espaço Cenográfico: Fernando Ribeiro | Desenho de Luz: José Álvaro Correia | Composição e Direcção Musical: Rui Lima e Sérgio Martins | Produção Executiva: Meninos Exemplares

Carlota Lagido e Miguel Bonneville { A Room Full of Dirt}

NEGÓCIO | 21 > 25 NOV | 21h30

Ambos temos vindo a insistir – nos nossos trabalhos - na ideia da experiência individual como processo social, rompendo assim com a distinção entre público e privado, tal como na ideia de que a identidade não é estanque ou linear e que deve ser entendida como um processo de auto-consciência. Assim, aquilo que procuramos agora é um escape dos julgamentos a que somos expostos, do tumulto ruidoso das cidades, do apego vicioso das tecnologias, no fundo, do afastamento crescente da percepção dos nossos corpos e das nossas identidades; das nossas verdadeiras vontades. O tempo é-nos preenchido involuntariamente. As distracções são constantes e quase exigidas. Impedem-nos de pensar.

Nesta peça pretendemos então recriar uma paisagem familiar, em toda a sua transitoriedade e em toda a sua decadência; apresentar uma compilação ou abstracção de memórias de outros lugares, pensando para além do solo de Lisboa, para um planeta Terra idealizado. Um espaço silencioso e calmo. Queremos que a serenidade que se sente ao estar perante este espaço que criamos seja uma vitória silenciosa sobre o Homem. O Homem que exige mudanças constantemente apenas para rejeitá-las com variados graus de veemência assim que elas acontecem. Esta peça será o nosso monumento ao minimalismo, um monumento à simplicidade. E pretendemos que seja claro que, o espectador que se deparar connosco, com esta obra, possa responder apenas de uma forma: com uma contemplação silenciosa.

Sónia Baptista + Cláudia Varejão {Tempus Fugit}

SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL | 13 e 14 DEZ | 19h00

Do tempo interior que se contém e do tempo exterior que se manifesta. De dentro para fora o coração arrasta o tempo, perde-se nele, agasalha-se, desnuda-se.

Da diferença entre o tempo dos bichos e o tempo das pessoas. Os bichos vivem as estações, a tempo, as pessoas fogem do tempo, sem tempo.

Do Tempo cronológico e do tempo meteorológico. Os dias desaceleram, os minutos abrandam a deshoras, as estações confundem-se, brandas, extremam-se, brutas.

A vida caminha, trôpega pisa o chão mas o tempo, sôfrego de ar, voa.

[Sed fugit interea fugit irreparabile tempus ("Mas ele foge: irreversivelmente o tempo foge")].

Direcção artística, textos, música e interpretação: Sónia Baptista | Vídeo: Cláudia Varejão | Figurinos: Lara Torres | Direcção técnica: Diogo Melo | Coordenação editorial: Helena Nogueira-Silva |Produção executiva: alvo (neutro) associação | Produção: alvo (neutro) associação | Co-produção: Festival Temps d’Images / DuplaCena, São Luiz Teatro Municipal

Mala Voadora {Revelação}

SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL | 13 > 15 DEZ | 21h00

| 16 DEZ | 17h30

Revelação parte do romance de Dostoiévski Os Demónios, publicado em 1872. Um grupo de pessoas, numa pequena cidade, reúne-se discretamente com o objectivo de debater temas do novo ideário político que agita a Rússia. Fala-se de revolução. Alguns tornam-se radicais. O grupo está ligado pelo desejo comum de um novo modelo social e, também, pelas suas próprias relações sociais. Revelação é um espectáculo em torno de uma COMUNidade, sobre aquilo que é COMUM, e evoca o contexto cultural em que surgiu o COMUNismo.

Direcção: Jorge Andrade . a partir de Fiódor Dostoiévski, Sergey Nechayev e uma narrativa de Angela Railean | Com: Anabela Almeida, Cláudia Gaiolas, Jorge Andrade, Miguel Fragata e um grupo de pessoas de Abrantes | Cenografia: José Capela | Produção: Manuel Poças | Co-produção: Artemrede | Agradecimento: Inês Barahona | A mala voadora é uma estrutura financiada pela Secretaria de Estado da Cultura / Direcção Geral das Artes e associada da Associação Zé dos Bois.

OqueStrada {10 Anos}

SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL | 20 DEZ | 21h00

Nestes 10 anos, o Temps d’Images ancorou-se na paisagem artística contemporânea fazendo aparecer géneros e disciplinas. Aqui as formas contaminam-se, as artes cruzam-se e abrem portas a novas propostas artísticas híbridas. O confronto entre o real e as imagens projectadas no palco.

O Temps d’Images não se constrói numa temática, num eixo único que define a programação. É uma fotografia da criação contemporânea, dos seus questionamentos e das suas pesquisas.

Uma imagem múltipla da efervescência artística do nosso tempo.

Os 10 anos Temps d’Images culminam num palco de amigos que connosco embarcam nesta viagem pelas imagens da memória.

O Temps d’Images 2012, cruza os “10 anos d’Strada - concertos-álbum de memórias”, comungando esta aventura, que pretende o mesmo resultado: A construção do novo tempo das imagens e das imagens do novo tempo.

OqueStrada são: Pablo – Contrabacia João Lima – Guitarra Portuguesa Miranda – Voz Sempre rodeados de um refinado gang de brilhantes e surpreendentes músicos vindos das mais variadas castas. Direcção Musical – Marta Miranda Composição - Marta Miranda , João Lima e Pablo (J.MDercle) Cenário – Pablo

PROJECÇÕES

O Cinema à Volta de Cinco Artes – Cinco Artes à Volta do Cinema

{Cinematografia e Musicalidade}

CINEMATECA PORTUGUESA | 5 > 13 NOV

TEMPS D’IMAGES Prémios de Cinema para Filmes sobre Arte

14 > 19 DEZ

COLÓQUIO

Carlos Pimenta { Arte. Política. Economia }

INSTITUT FRANÇAIS DU PORTUGAL | 28 e 29 NOV

1.

Tempo, lugar, ocasião ...

E suficiente tecnologia! São estes, hoje em dia, alguns dos requisitos necessários para produzir arte.

Contudo, a disseminação da produção artística tem conduzido, também, à sua banalização e mediocrização. Esta mediocrização conduz, por sua vez, a um menor grau de exigência diluindo o próprio significado e importância da arte. Grande parte do nosso “encontro” com a arte revela-se, em termos de acesso, na projecção desta através dos media. A arte tornou-se um “ruído” consumido de forma compulsiva na busca da próxima novidade. arte assume, hoje, uma democratização radical em que só existe opinião e cacofonia, naquilo que poderemos considerar como uma crise da cultura democratizada. Por outro lado, a morte da indústria e o acesso a um “fazer” através da tecnologia - sobretudo as tecnologias digitais - possibilitou uma expansão do conceito de artista. Na vida contemporânea multitask a arte surge não como centro mas como pano de fundo revelando o fim decorativo enunciado por Hegel. Na cultura mainstream a arte aparece-nos como redundante, disseminada em múltiplas formas. No entanto, todas elas configuradas por um sistema que domina, cujo irónico objectivo é o de nos fazer acreditar na subjectivação.

Nas sociedades capitalistas contemporâneas qual o nosso compromisso para com a arte, além do seu consumo compulsivo?

O “ao vivo” nega, muitas vezes, a padronização e a perfeição do digital e acentua o “carácter performativo” tornando-se no verdadeiro valor de culto por oposição à banalidade da reprodução. Todavia, o “saber fazer” vai desaparecendo mascarado na nossa irredutível confiança nas capacidades (habilidades) da tecnologia. Mas, como diz Pedro Cabrita Reis “o que move o artista é a curiosidade” e é preciso saber aceitar o inesperado que, em boa verdade, a tecnologia também proporciona. Já por diversas vezes decretado o fim da arte não estaremos, no entanto, a assistir somente à sua paulatina transformação? Será na fusão entre a arte a tecnologia – que acompanha a fusão entre o homem e a máquina – que estará o nosso devir? Ainda teremos necessidade de reconhecer uma autonomia essencial da arte?

2.

Talvez a introdução supra caracterize o mainstream no que respeita à produção artística contemporânea. Será, porventura, neste tipo de enquadramento que se revê parte muito substancial da geração nascida em meados da década de 80 do século passado. No filme Press. Pause. Play (2011) ririgido por David Dworsky e Victor Köhler o panorama apresentado é o da facilidade de produção e distribuição artística por via das tecnologias digitais. Estarão estas condições de produção e distribuição a modificar as nossas características enquanto receptores de “produtos” artísticos e culturais?

É verdade que podemos identificar com o desenvolvimento das novas tecnologias uma certa ruptura epistemológica que induz novas linhas de pensamento e percepção do mundo. Tal como diz a economista da cultura Françoise Benhamou “As novas tecnologias não trazem só novos produtos: elas são também transformadoras de processos e conteúdos”. Todavia, importa perspectivar mais em detalhe as condições de natureza politica e económica que determinam tal contexto, dado que ele surge na sequência de um processo iniciado no princípio do século XX com as questões já exaustivamente tratadas naquilo que respeita à cultura de massas.

Uma iniciativa: Festival Temps d´Images / Universidade Lusófona / Institut Français du Portugal | Coordenação cientifica: José A. Bragança de Miranda | Coordenação executiva: Carlos Pimenta

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