CINEMA

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Joulutarina (2007)

“Todos vocês sabem quem eu sou: encontramo-nos uma vez por ano, na véspera de Natal. Mas, crianças e adultos, novos e velhos: também eu já fui uma criança. Não acreditam? Deixem-me contar-vos uma história”. É desta forma que Nikolas dá início à narração de um conto de Natal com uma abordagem diferente: humana, cativante e envolvente.

O realizador finlandês Juha Wuolijoki (produtor do famoso filme finlandês Gourmet Club, 2004) transformou uma fantasia natalícia numa história desconstruída sobre o Pai Natal, um homem de carne e osso, meigo e que, tal como todos nós, tem defeitos e passou por dificuldades ao longo da sua vida. É essa desconstrução, a de tornar uma pessoa lendária em alguém tangível, que torna este filme tão mágico.

O filme, que foi produzido nas montanhas geladas da Lapónia – na Finlândia -, não teve renas mágicas nem brilhantes. Também não teve o Pai Natal a descer chaminés na noite de consoada, nem contou com elfos ou duendes a auxiliarem o senhor que, todos os anos, dá presentes às crianças que se portaram bem. Mas teve a narrativa em voz off de Nikolas (Hannu-Pekka Björkman, que já havia trabalhado com o realizador em Gourmet Club, 2004), uma criança loira e de olhos azuis que ficou órfã e que, todos os anos, deixava uma lembrança de madeira na porta das casas dos habitantes da vila.

O reservado e trabalhador Nikolas, ao ficar sem os seus pais e irmã, teve que ir viver para a casa dos habitantes da vila em que morava. Como a comida naquele tempo era escassa, o pequeno Nikolas só podia ficar com cada família por um período de um ano, abandonando as respectivas em todas as vésperas de Natal.

Seis anos depois, o pequeno encontra alguma estabilidade com Iisakki, um carpinteiro sisudo que lhe deu abrigo em troca de mão-de-obra barata. Com a ajuda deste novo amigo, o pequeno aprende a fazer várias peças de madeira e continua com a sua tradição de entregar prendas a todas as crianças da vila. Alguns anos depois, (o já velho) Iisakki é levado da sua casa para uma zona mais quente, porque a idade não lhe permitia que continuasse naquelas colinas geladas. Mas não deixa Nikolas de mãos vazias, pelo contrário: oferece-lhe a sua fortuna, casa e uma vida de felicidade.

Nikolas passou a viver para o Natal. Ao longo do ano, o adulto com os mesmos olhos de criança fazia bonecos e mobiliário de madeira para oferecer na noite de consoada. E foi a viver para o Natal que Nikolas desapareceu das vidas das crianças.

Juha Wuolijoki presenteou-nos com uma história única e diferente dos filmes de Hollywood, até porque esse era o seu objetivo. Neste filme, o realizador responde-nos, com exatidão, a todos os pormenores desta lenda milenária, desde o porquê de Nikolas ter que utilizar um fato vermelho até ao momento em que precisou de renas para levar os presentes que fez a todas as casas nas montanhas, a par de uma banda sonora rica em cultura.

Joyeux Noël (2005)

Sabe-se que a Iª Guerra Mundial durou cerca de quatro anos. Muitos foram os militares que perderam fases importantes das suas vidas por estarem a travar aquela batalha: nascimentos, casamentos, aniversários… e também épocas festivas, como o Natal. Joyeux Noël aborda aquela que foi uma das histórias mais comoventes desta guerra: a das tropas que se juntaram na noite de consoada e que deixaram para trás o que fazia delas rivais.

Este filme não é de Natal, mas sim sobre o Natal, e pretende retratar como este dia junta não só famílias, mas também potenciais inimigos, mesmo nas trincheiras. Christian Carion mostrou, de uma forma cristalina, o episódio verídico da confraternização de Natal de 1914.

Despido de magia e brilhantismos, Joyeux Noël recorda a história de três tropas: a germânica, a francesa e a escocesa, que lutam pelos seus países e pelas suas vidas. A quatro dias do Natal, os soldados combatem e anseiam por um encontro com as suas famílias e é por esta antítese existencial - a da paz e humanidade que a época natalícia traz, com a guerra visível na Europa - que o início do filme fica marcado.

O realizador, ao longo do filme, vai mostrando a história de vida de certos personagens – como o caso do soldado alemão que é tenor, mas que foi obrigado a abdicar, temporariamente, da sua carreira artística -, fazendo com que o espectador sinta um elo de ligação e empatia com os mesmos. É na noite de consoada que acontece o que ninguém espera: a união de tropas rivais, num dia de paz. É difícil imaginar soldados inimigos trocarem histórias de vida, cantarem e beberem juntos, como se nunca tivesse existido nenhum clima hostil entre os mesmos. E é aqui que reside a beleza deste filme, na humanidade que o Natal tem, mesmo em ambientes conflituosos.

No desenrolar do filme, há uma pergunta que vai ficando nas nossas cabeças: então e o que acontece depois do Natal, voltam a ser inimigos? Metaforicamente sim, mas o elo de ligação entre as três tropas foi tão grande que, mesmo depois deste dia, não conseguiram lutar uns contra os outros. Pelo contrário: ajudaram-se mutuamente, para que ninguém morresse.

Christian Carion trouxe-nos um episódio comovente, humano e paradoxal sobre a Iª Guerra Mundial. E que bem que o trouxe. Com uma pitada de comédia, assistir à união destas três tropas deixa-nos com um sorriso no rosto e faz-nos esquecer que, realmente, estava a decorrer uma guerra, naquele período. É difícil ficar indiferente perante uma história de guerra tão distinta das que nos são presenteadas nas salas de cinema. A consciencialização de que, de facto, existiram militares que perderam muitos Natais com as suas famílias e cingiram-se a passar com conhecidos, nas piores condições possíveis é desconcertante, mas a lufada de ar fresco e de esperança que este filme traz consigo é acolhedora e estonteante.

Arthur Christmas (2011)

Esqueçam o Pai Natal tradicional, que precisa de entrar nas casas pela chaminé. O novo Pai Natal também aderiu às novas tecnologias e só precisa de um dispositivo eletrónico que abra as portas de casa e, voilá, deixa os presentes debaixo das árvores de Natal. Pelo menos é o que acontece em Arthur Christmas, uma animação produzida pela realizadora britânica Sarah Smith que retrata a família do Pai Natal e a luta por entregar presentes de Natal a todas as crianças do mundo.

Este desenho animado retrata um Pai Natal (Jim Broadbent) moderno, que não precisa de renas, nem do seu tradicional trenó para entregar prendas pelo mundo fora. Basta-lhe a sua S-1 vermelha – um meio de transporte ultra moderno e camuflado – para chegar a todas as crianças que anseiam pelas prendas que pediram.

A realizadora transformou uma lenda milenária num conto do século XXI, em que o Pai Natal tem uma casa discreta e acolhedora, onde vivem a sua mulher adorada (Imelda Staunton), os dois filhos, Steve (Hugh Laurie) e Arthur, e o seu pai, o mais aventureiro dos personagens todos. É uma história que nos envolve pela determinação de Arthur em não desistir de entregar o presente a tempo, mesmo com todos os obstáculos que encontra pelo caminho. Arthur é o personagem mais humano ao longo da animação, que não se preocupa em querer dar nas vistas ou exibir-se, ao contrário de Steve, que ambiciona ser o próximo Pai Natal, embora não tenha jeito para crianças.

Mas a história começa quando o jovem e doce Arthur (James McAvoy) percebe que a menina Gwen (Ramona Marquez) não recebeu o presente que lhe foi prometido e o Pai Natal atual está cansado demais para voltar a viajar até Inglaterra. É aqui que o jovem se mostra determinado em levar o presente até Gwen, mas tem poucas horas para chegar ao seu destino a tempo. Com a ajuda do seu avô (Bill Nighy), Arthur dá início a uma aventura no tradicional trenó e tenta entregar o presente antes do sol nascer. A magia deste desenho animado está presente desde o início ao fim. Desde que percebemos que o Pai Natal deu uma volta de 360ºgraus e se tornou num homem de família, com filhos e com uma fábrica que não tem nada de tradicional, até ao momento em que o trapalhão Arthur luta contra os seus próprios medos para seguir os seus princípios e o da tradição natalícia da sua família: a de dar presentes a todas as crianças.

Esta poderia ser apenas mais uma animação sobre o Natal, mas Sarah Smith preocupou-se em trazer uma história moderna e uma abordagem diferente dos habituais desenhos sobre Natal: uma que aborda as novas tecnologias, conseguindo abraçar ainda o tradicional trenó e a magia das renas ultra rápidas, que o avô de Arthur tanto gosta e estima, e que acaba por utilizar na sua viagem com o seu neto mais novo. Trata-se de uma aventura que envolve todo o tipo de peripécias que uma animação deste formato pede, desde renas mal coordenadas que se enganam no destino de aterragem, até aos disparates em que Arthur e o seu avô se envolvem.

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