Em tom de brincadeira surgiu o convite para começar a escrever. Ora a questão que depressa me assolou o espírito foi “ai e agora?!” Eu que sempre escrevi textos e depoimentos como a chamada “pescadinha de rabo na boca” e, ora nem mais, é disso que esta crónica vai passar a tratar: de culinária.
Esta é uma crónica despretensiosa, tal como a minha postura na cozinha o é;
Pessoa que se assustava com os "pantagruéis" da vida, e de costas voltadas durante algum tempo para os utensílios culinários, agora vejo-me a ficar saturada das refeições individuais e dou por mim a esforçar-me para agradar a uma pessoa mais exigente: eu.
Seduzida por indivíduos que cozinham com o coração, eu fi-lo muitas vezes com o coração nas mãos, o que faz de mim a minha própria cobaia. Durante anos mantive uma alimentação ovo-lacto-vegetariana e só recentemente introduzi o peixe na minha dieta. Como uma boa casa portuguesa, a minha não é excepção, gosto de ter pessoas à mesa, mas é sempre um desafio, na gíria diz-se que tenho uma boa mão, mas o conhecimento é feito através das experiências retiradas, e das reacções positivas.
Os inputs surgem, a receita seleccionada é posta de lado, a lista de compras feita, e depois basta arregaçar as mangas. Como tenho uma tendência natural para fugir ao planeado, na cozinha, a situação não é diferente. Pouco a pouco corto o fio condutor, deixo de olhar para o papel, e a imaginação começa a saltar. Diz-me a experiência que é aí que se dá a magia. Pózinhos daqui, essências dali, e basta juntar o carinho, que não vem em frascos, e cuja dosagem é ilimitada.
Nesta casa, não existem bimbys ou liquidificadoras e o processo é feito com base em objectos tradicionais e vulgares. A cozinha gourmet, actualmente funde-se com o aspecto trendy dos seus cozinheiros, algo que no momento da sua confecção não me parece compatível, sem o arregaçar das mangas e um belo avental a compor o cenário. Nestas primeiras rubricas os ingredientes serão fáceis de encontrar nos mais comuns supermercados e lugares, mas com o tempo farei um roteiro das lojas emergentes e mercados étnicos. Todas as semanas, tentarei trazer um ingrediente, e deixar duas possíveis receitas para dar corpo a esse elemento. Esta semana, escolhi o espinafre, rico em magnésio, ferro e potássio, e possível de ser consumido cozinhado ou cru, em saladas.

Canelones Gratinados com Queijo e Espinafres
Tempo de preparação : 40 min
Tempo de cozedura : 1h 20 minutos
Porções: 4
Molho de Tomate
sal e pimenta e vinho branco q.b
Aquecer o azeite num tacho grande, juntar a cebola e o alho e deixar cozinhar em lume médio até a cebola ficar macia. Juntar o tomate, o alecrim, o louro, e o concentrado de tomate, misturando bem. Deixar levantar fervura, reduzir o lume e deixar cozinhar durante 25 a 30 minutos até o molho engrossar. Temperar a gosto e juntar o vinho.
Recheio dos Canelones
200 grs de mozzarella ralado.
Aquecer o forno a 200º. Lavar e retirar os talos dos espinafres, cozinhá-los a vapor até ficarem meio murchos, escorrer e picar bem. Misturar os espinafres com os queijos, a hortelã, os ovos batidos, os pinhões, sal e pimenta, mexendo bem. Encher os canelones com uma colher ou faca.
(Este processo carece de uma determinada dose de paciência)
Deitar umas colheres do molho de tomate no fundo de um pirex, que permita ir ao forno, e dispor os canelones por cima. Cobrir com o restante molho de tomate e o queijo mozzarella, levando ao forno durante 30 a 40 minutos até a massa ficar macia e tostada.
Esta é uma refeição que a meu ver liga bem com um bom vinho tinto.
Depois de muito me questionar sobre ao que saberia um bolo de espinafres, não resisti a experimentar o do Celeiro, num dia em que me encontrava sem forças. Admito que a caminhada me pareceu-me mais leve e fácil, após as primeiras dentadas, o nosso Popeye tinha toda a razão. Uns dias mais tarde, pesquisei, encontrei esta receita: (http://pedradolar.blogspot.pt/2011/01/bolo-de-espinafres.html) e funcionou.

Bolo de Espinafres
2 colheres de chá de fermento para bolos
Triturei as folhas de espinafre com a varinha mágica, até ficarem em puré. Bati os ovos com o açúcar e juntei o puré de espinafres, o azeite e o chá de essência de baunilha, o sumo de limão e um pouco de erva-doce. Depois desta mistura estar bem incorporada acrescentei a farinha peneirada e o fermento com a ajuda de uma colher de pau. Levei ao forno a 180º em forma de aro amovível, untada com manteiga e polvilhada com farinha, durante 30 a 40 minutos. Desenformei e deixei arrefecer num prato. Eu não cobri, mas pode fazer-se uma cobertura de chocolate, seguindo o principio da vulgar mousse de chocolate preto.

Acompanhar com Sumo de Abacaxi com Hortelã
Rodelas de abacaxi, açúcar e folhas de hortelã.
Juntar água e triturar tudo com a ajuda de uma trituradora ou varinha mágica.


























