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O Banco Espírito Santo e o Museu Colecção Berardo já inauguraram a 8ª edição do BES Photo, numa exposição, patente ao público até 27 de maio. Esta reúne trabalhos inéditos do colectivo CIA de Foto, Duarte Amaral Netto, Mauro Pinto e Rosângela Rennó.

Esta é a segunda edição duplamente marcada pela internacionalização do prémio - por via do alargamento do âmbito de seleção dos artistas que pode ser de nacionalidade portuguesa, brasileira ou dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP’s), como pela itinerância da exposição que, após ser apresentada no Museu Berardo, será inaugurada na Pinacoteca do Estado de São Paulo a 16 de Junho de 2012.

Os quatro artistas a concurso para a 8ª edição BES Photo foram previamente nomeados pelos três membros do Júri de Seleção que acompanharam o panorama expositivo da fotografia no período a que reporta o prémio, e que individualmente representam o triângulo geográfico referido – Diógenes Moura, curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo (Brasil); Delfim Sardo, curador, crítico de arte e professor (Portugal) e Bisi Silva, curadora e fundadora/diretora do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, CCA Lagos (Nigéria). Sobre a selecção do colectivo CIA de Foto (Brasil), o júri realça ‘a qualidade da série ‘Carnaval’ (apresentada no âmbito do ‘New York Photo Fest’), num processo de trabalho que revela segurança técnica e, sobretudo poética. Trata-se da preparação de uma segunda camada para a memória de cada uma das imagens, ou da série, como um todo. Este exercício estende-se ao vídeo que acompanha o trabalho, ao fazer com que cada personagem avance para o olhar do espectador criando um outro tempo num plano mais fechado.’

CIA de Foto, Agora 006 , da série from the series Agora, 2012

Impressão a jato de tinta sobre papel de algodão

Inkjet print on cotton paper

105 x 210 cm

Segundo o colectivo “Agora é um trabalho introspectivo, que mergulha em experiências vividas, mas também em demandas ou provocações externas. O fio condutor é muito simples, algo muito elementar à fotografia: a luz. Porém, levamos em conta que uma foto também se forma pelo escuro.Percorremos assim, dois paradoxos dessa linguagem: o escuro, que também pode ser entendido por um artifício da luz que se recusou a chegar na cena, mas, nem por isso, deixa de activar sentidos, e o estático, sempre impossível por causa do anacronismo inerente a toda imagem. E é ai, no escuro e na impossibilidade do estático, que acreditamos morar o sentido mais contemporâneo da fotografia.”

Duarte Amaral Neto, Série Z, 2012

Sem Título_1 a 6

Técnicas e dimensões variáveis

Na opinião do Júri, a nomeação de Duarte Amaral Netto (Portugal), ‘resulta do trabalho que tem vindo a desenvolver ao longo de uma década, e, especificamente, pela qualidade concetual da exposição ‘The Polish Club Case’, apresentada em Lisboa.’

Mauro Pinto, Sem título / Untitled #3

Da série Dá licença, 2011

Impressão a jacto de tinta sobre papel Fine Art, sobre alumínio~

80 x 120 cm

Edição de 7 + 2 Provas de Autor

A escolha do artista Mauro Pinto (Moçambique) prende-se com ‘a forma coerente como tem vindo a efectuar o mapeamento e a representação de Moçambique. Destaca-se o trabalho apresentado na exposição Maputo – Luanda – Lubumbashi, em Lisboa. Segundo o artista "Dá Licença foi feito, entre Novembro de 2011 e Janeiro de 2012, a minha senha de entrada para a realização deste projeto fotográfico no Bairro da Mafalala, em Maputo. O que desenho nesta proposta não é um mapa, não são apenas linhas topográficas desse tecido urbano, demarcando limites (outrora coloniais), entre a 'cidade de cimento' e esta outra, de origem temporária, com seu pulsar sujeito à especulação imobiliária. O que trago para aqui é uma certidão de nascimento narrativa, pessoal e colectiva. É uma árvore genealógica descrita nestes móveis, nesta luz, nestas bugigangas, pertencentes a estes negros, mestiços, emigrantes, imigrados, resistentes. Dá licença passa assim a ser uma interjeição positiva para iniciar um relato e afirmar uma existência.”

Rosângela Rennó, TROPICAL II, da série LANTERNA MÁGICA, 2012

Fotografia em papel de prata/gelatina, selenizada, adesivada sobre foamboard e emoldurada

147 x 99 x 5 cm

A nomeação de Rosângela Rennó (Brasil) prende-se com a ‘complexidade da forma como tem desenvolvido uma maturada reflexão sobre a natureza do fotográfico, articulada com o papel da memória. Esta nomeação surge pelas exposições apresentadas na Galeria Vermelho, em São Paulo, e na Galeria La Fábrica, em Madrid.’ Segundo a artista “A série Lanterna mágica (2012) é constituída por um conjunto de 12 fotografias realizadas manualmente, em laboratório fotográfico, em papel de prata/gelatina de base de fibra, acompanhadas por 4 projetores antigos, do século 19 e início do século 20, do tipo lanterna mágica. Durante o processamento manual, as fotografias passam por um processo de sobre-exposição a uma fonte de luz muito intensa e pontual, que gera um efeito de buraco negro, de intensidade e tamanho variável, consumindo a paisagem representada. As lanternas mágicas, por sua vez, revelam, por meio da projeção luminosa, detalhes daquelas mesmas paisagens consumidas pela luz do laboratório fotográfico. O projeto apresenta-se como um exercício onde dois tipos de emissão de luz interferem e produzem imagens de características opostas, a partir das mesmas matrizes. Esse exercício visual abre caminho para a discussão sobre a ontologia da imagem fotográfica original e sua relação filosófica com um possível capítulo da história da humanidade, eclipsado, hoje, por um excesso de racionalismo, aquele relacionado ao mistério e às fantasmagorias.”

À semelhança das edições anteriores, o critério de selecção dos artistas em questão requer que estes tenham efectuado uma exposição de obras de suporte fotográfico e/ou a edição de uma publicação durante o período de 12 meses anterior à data de reunião do Júri de Selecção. Numa primeira fase, cada um dos artistas seleccionados recebe uma bolsa de produção para a realização da exposição BES Photo. Num segundo momento, que corresponde à fase de premiação, o Júri de composição internacional com nacionalidade distinta das representadas pelos artistas seleccionados elegerá, a partir da exposição efectuada no Museu Colecção Berardo, o vencedor da 8ª edição, cujo valor pecuniário do prémio aumentou para 40.000 euros no seu novo formato de âmbito internacional. O vencedor do BES Photo será conhecido a 17 de Abril. A decisão será tomada por um Júri de Premiação a anunciar brevemente, o qual atribuirá o prémio daquele que já se afirmou o principal prémio de arte contemporânea em Portugal de estatuto internacional.

 

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