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Self-will Run Riot – Leonor Parda na MALA

“Maybe I found something real for just a moment”

Anti-Pleasure Dissertation – Bikini Kill

 

Em Self-will Run Riot, Leonor Parda apresenta uma instalação composta por sete obras produzidas em 2023. Como uma tentativa de capturar os instantes de euforia que antecedem a melancolia da manhã seguinte, parece que algo aconteceu – ou está por vir – no ambiente construído pela artista, uma Afterparty ou um ritual BDSM, em que prazer e violência se encontram e espelham sua proximidade.

Dualidades de uma existência nada óbvia e um pouco perigosa refletem a rebeldia e a liberdade de uma riot grrrl, movimento feminista punk-rock dos anos 90. Entre subversões e desejos dominantes, pontos de cor em rosa e amarelo vibram em contraste com o metal dos materiais industriais encontrados e trabalhados por Leonor.

As obras aparecem em duplas. Organizações precárias – interligadas no espaço por correntes ou cimento – se transformam em máquinas sugestivas. As rodas de Love Fools apontam para o movimento dos corpos, em Now I wanna be your doggy dog algemas fazem um convite ao espectador. Self-will Run Riot possui uma performatividade latente em que quase todas as peças insinuam um tipo de ativação.

Leonor Parda incorpora uma narrativa autobiográfica e explora os conflitos passionais de ser a própria revolução. Em Rockstar I & II, bebidas energéticas pressionadas por grampos industriais indicam mais uma referência ao universo punk-rock, assim como alguns títulos das obras da exposição, que levam nomes de músicas do movimento antissistema.

As chapas de ferro instaladas nas paredes encontram-se desgastadas, com fissuras, pisadas, arranhões e feridas nada sutis. Como um suporte para desviar ímpetos de súbita fúria, estão acompanhadas de fotografias do arquivo da artista. Em Wish you hadn’t, cortes desfocados e indícios de flashes compõem uma cena turva.

Resquícios de uma noite de estrelas decadentes tornam-se relíquias. Cigarros, remédios e outras ferramentas de fuga da realidade são anestesias imprescindíveis. No paradoxo daquilo que é doce e amargo, temas obscuros estão envolvidos por embalagens brilhantes e divertidas.

“Derrubar uma barreira é, em si, algo de atraente”[1]. Amarrações e grades detém as violências do desejo e a vontade de prender-se à satisfação imediata que se estabelece. Romântica e política, Self-will Run Riot explora transgressões de quem não pretende atender expectativas sociais ou encaixar-se num sistema, mas perturbar o status quo com a filosofia disruptiva de satisfazer as suas próprias vontades.

Self-will Run Riot está patente até ao dia 2 de junho de 2023, na MALA, em Lisboa.

 

 

 

[1] BATAILLE, Georges. (1987). O Erotismo. Porto Alegre: L&PM. p. 32.

Ana Grebler (Belo Horizonte - Brasil) é artista, curadora e escritora. Graduada em Artes Plásticas pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG - Escola Guignard) e pós-graduada em Curadoria de Arte na Universidade Nova de Lisboa (FCSH). Participou de exposições coletivas no Brasil e organizou as exposições Canil (2024), Deslize (2023) e O horizonte é o meio (2022), em Lisboa. Colabora com a Umbigo Magazine com ensaios, críticas e entrevistas, e atua nas parcerias internacionais da plataforma. Na intersecção de práticas, reflete sobre a cultura visual contemporânea criando diálogos e imaginários entre espaços e processos artísticos em cruzamento. Atualmente vive e trabalha em Lisboa.

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