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Amadora BD

A mais recente edição do Amadora BD irá percorrer, de 20 a 30 de outubro, vários espaços culturais do concelho, como o Ski Skate Amadora Park, a Galeria Municipal Artur Bual e a Bedeteca da Amadora. Este ano, a extensão da área comercial leva o festival a apresentar-se na sua mais alargada edição, procurando definir-se como uma “experiência multidisciplinar”, envolvendo exposições, apresentações, lançamentos, workshops, gastronomia e, pela primeira vez, um espaço de gaming.

Esta sua 33ª edição, inserindo-se tematicamente no contexto da Temporada Cruzada Portugal/França que tem vindo a percorrer o panorama cultural português durante este ano, irá procurar refletir e fortalecer relações culturais entre os dois países no seu programa expositivo. A decorrer no Ski Skate Amadora Park destaque-se a mostra 4 quartos (e são nossos!) – título que é referência ao ensaio A Room of One’s Own de Virginia Woolf – que irá reunir os trabalhos de duas autoras portuguesas (Mosi e Patrícia Guimarães) e de duas autoras francesas (Elléa Bird e Blanche Sabbah), espelhamento conjunto numa exploração individual em torno da partilha de um conhecimento comum, abarcando pontos como a “visibilidade feminina” ou os “direitos das mulheres” que “cruzam estas e outras lutas”.

Insere-se também neste cruzamento a mostra Os Portugueses, expondo-se a banda desenhada homónima de Olivier Afonso & Chico que narra uma história de emigração portuguesa para França, que é também ela união de vivências, para Olivier Afonso procurando responder ao que fora parte da história de emigração dos seus pais, e para Chico, ao que fora viver nos arredores de Paris.

É de mencionar ainda a exposição da série de BD Armazém Central escrita e desenhada por Régis Loisel e Jean-Louis Tripp entre 2006 e 2014, narrando a vida dos habitantes da aldeia de Notre Dame Les Lacs algures perdida na imensidão do Quebec durante os anos 20, ou a Balada para Sophie de Filipe Melo e Juan Cavia, o ano passado vencedora do Prémio de Melhor Obra de Banda Desenhada por Autor Português no festival, conquistando agora um lugar de destaque nesta edição. Também trabalhos de André Morgado, Rodolfo Oliveira, Hugo Van Der Ding, Nunsky ou a editora Comic Heart serão alvo de exposições no Ski Skate Park da Amadora.

Por fim, e não menos importantes, serão as exposições comemorativas, uma dedicada aos 60 anos do Homem-Aranha onde se destacará “os principais autores que trabalharam a personagem”, reunindo parte do acervo de Bob McLeod (autor da Marvel co-criador da série New Mutants, e que estará presente no festival), assim como as edições e séries produzidas em Portugal, e outra dedicada aos 45 anos da banda desenhada franco-belga de culto Thorgal, narrando a história de um jovem viking onde se cruzam elementos mitológicos com ficção científica e terror.

A Galeria Municipal Artur Bual acolherá duas exposições individuais: Panoramas, uma mostra monográfica do ilustrador e cartoonista André Carrilho, e Desenhar no Escuro, uma série de fragmentos de vida quotidiana desenhados a branco sob folhas negras, de António Jorge Gonçalves. Já a Bedeteca da Amadora acolherá uma mostra de um dos grandes nomes do terror brasileiro na BD: Jayme Cortez.

Ao todo, o festival irá contar com a presença já confirmada de mais de 15 autores nacionais e internacionais, não só os responsáveis pelas exposições que irão decorrer como ainda, por exemplo, o brasileiro Marcello Quintanilha, recém-vencedor do Prémio de Álbum de Banda Desenhada do Ano no Festival Internacional de Angoulême pela sua obra exposta na edição passada do Amadora BD, Escuta, Formosa Márcia.

Voltará ainda a cerimónia de entrega dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora, este ano com um valor pecuniário de 5000 euros para a Melhor Obra de Banda Desenhada por Autor Português, num festival que se mostra cada vez mais extenso e abrangente.

Miguel Pinto (Lisboa, 2000) frequentou a licenciatura em História da Arte pela NOVA/FCSH, através da qual veio a realizar um estágio no Museu Nacional do Azulejo. Participou no projeto de investigação VESTE – Vestir a corte: traje, género e identidade(s), alojado pelo Centro de Humanidades da mesma instituição. Criou e gere o projeto a Parte da Arte, que pretende divulgar e investigar o panorama artístico em Portugal através de vídeo-ensaios explicativos.

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