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Escola de Críticos: Seminário de Crítica para Teatro

A Escola de Críticos decorreu na cidade da Guarda e na aldeia da Vela entre os dias 9 e 14 de dezembro. Esta iniciativa partiu do Centro Internacional de Dramaturgia da Guarda (CID), instalado no Teatro Municipal da Guarda. Juntou críticos, escritores, estudantes e tradutores com o objetivo de refletirem sobre o pensamento crítico nos campos artístico, mediático e académico. O CID visa pensar a dramaturgia e a sua produção através da relação dos universos artísticos português e das cidades de Nova Iorque e Oslo.

Marcos Barbosa, diretor artístico do CID, afirma que este projeto ambiciona tornar-se a casa da escrita para teatro em Portugal. A Escola de Críticos vai ao encontro desta ideia: criar um espaço de reflexão onde a crítica e a dramaturgia comunicam entre si. Tanto a produção artística em Portugal, como a sua crítica, têm um problema em comum: pouco espaço, o mercado é pequeno. Devido à pequenez (e a muitas outras coisas) não existem condições materiais que nos permitam vislumbrar um tecido artístico e cultural largo com múltiplos intervenientes. Como enfrentar esta realidade? De que maneira nos podemos organizar de modo a criar mais (e novos) espaço(s)? Estas foram algumas perguntas que surgiram nas palestras/conversas do evento. A reflexão interna e existencial do que é a crítica, para que serve, qual o seu lugar e a sua importância foram também objeto de conversa e muita discussão. Debater estes temas é essencial para que a crítica não se deixe estagnar. A partir do momento que deixamos de problematizar e questionar a maneira como se faz crítica, deixamo-la numa gaveta esquecida e fechada, que serve apenas de alimento a uma cultura burguesa e pedante. O facto de a Escola de Críticos acontecer na Guarda é também relevante no que toca à luta pela descentralização da cultura em Portugal. É urgente que se afirmem cultural e artisticamente mais cidades neste país. O CID está de parabéns e deve ser olhado como exemplo nesta matéria.

Estas e outras ideias foram discutidas nas palestras/conversas orientadas por Rui Pina Coelho — docente na Escola Superior de Teatro e Cinema, investigador integrado no Centro de Estudos de Teatro (CET) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, diretor da revista Sinais de Cena e dramaturgo com várias obras publicadas — e Francesca Rayner — professora auxiliar da Universidade do Minho e diretora da Licenciatura em Teatro e Performance. Além das palestras/conversas, a programação da Escola de Críticos contou com a apresentação de peças de teatro, nomeadamente a estreia de Coveiros, da Escola do Largo, Teleculinária, Leitura Cornucópia, Has the American Dream Been Achieved at the Expense of the American Negro?, The Future Show e Infausto, da companhia Mala Voadora, e Ouro Negro, da companhia Gambozinos e Peobardes — Grupo de Teatro da Vela.

Rodrigo Fonseca (1995, Sintra). Estudou na Escola Artística António Arroio, é licenciado em História da Arte pela FCSH/UNL, e pós-Graduado em Artes Cénicas pela mesma faculdade. Organiza e programa o festival Dia Aberto às Artes (Mafra), e é membro fundador da associação cultural A3 - Apertum Ars. Foi co-fundador da editora CusCus Discus e tem um programa mensal na Rádio Ophelia. É crítico de artes performativas das revistas Umbigo (desde 2020) e ArteCapital (desde 2021). Trabalhou como assistente de encenação em Carmen, Lisboa (2018) — co-produção Teatro da Trindade e Teatro Meridional. Foi figurante no espectáculo Festa Popular, Lisboa (2019) — produção Associação Corrente de Arte. Participou como músico no espetáculo CusCus World Musik Radio 196.7 FM, apresentado em Bruxelas (Festival Vivarium, 2019), Lisboa (Desterro, 2019) e Marselha (La Deviation, 2020). Participou como intérprete no espectáculo PARAANDAR, Festival Snow Black, Moita (2019); Extinction Rebellion, Lisboa (2019); A Tropa Belladona, Barreiro (2019) — produções d'A Bela Associação; Maratona de Procrastinação, Lisboa (2021), de Sílvia Pinto Coelho com Mariana Tengner Barros, Vera Mantero, Lilia Neves, João Bento, Mark Tompkins e Jeroen Peeters — produção Teatro do Bairro Alto.

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