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Contra-parede: construção e contestação

A parede é, por defeito, a estrutura de exposição da arte. Mas é também o lugar do combate político, da resistência, da transgressão, das vozes individuais e coletivas que veem neste elemento vertical a tela do seu descontentamento e da sua vontade. São os cartazes, as pichagens, os grafítis; é a palavra pintada na brancura da cal, o desenho colado e debotado pelo sol; é a manifestação em potência da democracia, da revolta, da celebração.

Com a curadoria de Hugo Dinis e a participação de Ana Vidigal, Nuno Nunes-Ferreira e Pedro Gomes, Contra-parede é uma exposição que promove um ensaio sobre a parede e a sua relação com os artistas, as comunidades locais e os quadros institucionais que a constroem.

Entre o binómio bem-humorado do público e do privado e o engajamento com a cultura e as produções locais, Ana Vidigal desenvolve uma intervenção com os alunos do Ensino Secundário local e o recurso à sobreposição de cartazes. Por sua vez, Nuno Nunes-Ferreira recorre ao seu extenso arquivo e ao da Associação de Conservas de Peixe para refletir sobre a pesada herança dos desgovernos passados, do Estado Novo e do abate de barcos – tão importantes na economia e cultura da região de Tavira. Por fim, Pedro Gomes propõe a reconfiguração do espaço segundo a reprodução de desenhos modulares que aludem à museologia e à crítica institucional.

Sem esquecer o alinhamento e a ordem que a parede sugere – disciplinada, sucessiva, desarmante, nalguns casos e hierarquizante –, Contra-parede deve ser compreendida, no entanto, como um exercício que atende à parede enquanto plataforma e lugar de poder, de construção, de contestação e de liberdade.

Depois do Museu Municipal de Tavira / Palácio da Galeria, Contra-parede está agora no Museu do Côa até 21 de novembro.

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