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Fósseis – Fragmentos Pós-Arqueológicos, de João Dias, na Quinta da Cruz – Centro de Arte Contemporânea de Viseu

Com formação em pintura, João Dias apresenta um conjunto de objetos escultóricos nos quais a escultura se estende para lá dos seus limites, conjugando-se com a pintura, a arqueologia e ainda com as novas tecnologias de impressão tridimensional. “Para esta exposição, desenvolvo uma nova “linguagem” onde utilizo conceitos de pintura, escultura e de arqueologia de uma forma aberta, como quem utiliza um pincel para pintar um quadro de forma livre e emocional.” – lê-se no texto que acompanha a exposição.

Em Fósseis – Fragmentos Pós-Arqueológicos, João Dias apresenta fragmentos de sítios arqueológicos existentes no Município de Viseu cuja relevância histórico-arqueológica lhe despertou especial interesse. O artista tem por hábito recolher amostras do ambiente natural que o circunda, interessando-se pelas especificidades de cada um, seja pelo seu aspeto formal, seja pela sua condição natural. Procura reconhecer o ecossistema que o rodeia no sentido de se reconhecer a si próprio enquanto ser humano e de manter ou restabelecer a sua ligação com o mundo natural.

Esculturas dessas amostras são elaboradas por intermédio de impressões tridimensionais, posteriormente cobertas com cimento ou pintadas, constituindo interpretações escultóricas contemporâneas desses fragmentos naturais.

Para a exposição, João Dias cria um ambiente imersivo, escassamente iluminado, onde se destacam as peças colocadas sobre pedestais e iluminadas por focos e luzes LED de tonalidade avermelhada, que contrastam com as paredes pintadas na sua cor complementar: azul. A escala dos vãos que dão acesso às várias galerias é reduzida de modo a que o visitante tenha que se curvar para entrar nos vários espaços, penetrando num ambiente de caverna, de abrigo, ou da origem do mundo, neste caso do mundo natural, onde se encontram, nas palavras de João Dias, “os últimos pedaços de representação do mundo natural, os últimos fósseis da terra.”

Na última sala de exposição, encontram-se diversos elementos processuais que indicam o modo como as esculturas foram executadas e de onde provêm. Um mapa assinala a localização dos vários sítios onde as amostras foram recolhidas. Existem esboços, livros e fotografias, assim como vários objetos que representam tentativas de peças e as próprias ferramentas com que as mesmas foram executadas. Todos estes elementos serão parte de um livro que irá ser lançado a propósito da exposição.

Esta exposição estende-se ainda pelos Jardins da Casa do Miradouro, no centro de Viseu, sede do núcleo de arqueologia da cidade.

Fósseis – Fragmentos Pós-Arqueológicos representa uma viagem às origens do mundo, a um mundo natural do qual o ser humano se foi progressivamente distanciando e cuja necessidade de religação é essencial. A exposição está patente na Quinta da Cruz – Centro de Arte Contemporânea de Viseu e poderá ser vista até 30 de novembro de 2021.

Joana Duarte (Lisboa, 1988), arquiteta e curadora, vive e trabalha em Lisboa. Concluiu o mestrado integrado em arquitetura na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa em 2011, frequentou a Technical University of Eindhoven na Holanda e efetuou o estágio profissional em Xangai, China. Colaborou com vários arquitetos e artistas nacionais e internacionais desenvolvendo uma prática entre arquitetura e arte. Em 2018, funda atelier próprio, conclui a pós-graduação em curadoria de arte na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e começa a colaborar com a revista Umbigo.

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