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Through the Keyhole: Nuno Maia

Through the Keyhole é um projeto informe e informal, que pretende dar a conhecer a forma como obras, documentos e registos plásticos diversos se expõem no lar de cada um. É menos uma exposição e mais uma mostra desinteressada, feita de idiossincrasias e afetividades que nos escapam e que propõem reflexões que não se quedam simplesmente pela linguagem da arte: as obras encontram o seu lugar num qualquer recanto do lar e da memória privada, entre livros, parafernália vária, souvenires, objetos heteróclitos e dissonantes para uns, regulares e harmoniosos para outros.

Through the Keyhole é uma suspensão da coerência objetiva; um elogio da ordem subjetiva. Um espreitar curioso pela ranhura da porta, que, com a sua publicação, se consubstancia num ato de generosidade simples e que deve ser respeitado e intuído como tal. É um atlas de afetividades, mais do que um atlas Mnemósine – porque os tempos se misturam: o pessoal com o histórico, o da memória coletiva com a dos seus atores e autores.

Pelo caminho, o outro lugar certo da arte, longe da instituição ou do colecionamento compulsivo e interessado – o lugar da arte perto dos fantasmas das emoções e dum continuum relacional íntimo, dum tempo e espaço feito de conivências, tertúlias, enfados, mágoas, frustrações e alegrias. O lugar da arte perto de cada um.

Ao longo do projeto, a Umbigo irá convidar artistas a mostrarem uma parte dos seus lares e das obras com as quais partilham, vigilantemente, os seus quotidianos. Cada imagem é o rosto de um pensar e de um olhar, mas também de um viver e de um existir – até que a pandemia o permita, até que a rua regresse e o espaço social público também.

Through the Keyhole não pretende ser muito, não pretende ser marco, apenas uma fenda na madeira da porta por sobre a qual se espreita e um breve rearranjar de apontamentos e objetos, uma ordem fugaz no sempre caótico e profuso espaço privado.

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Conhecemos o Nuno através de amigos de amigos de amigos, conhecidos de conhecidos de conhecidos… Nessa sempre expansível rede (as)social que é o Instagram, o Nuno mostrava a sua casa, o seu adorável Gastão, as obras que preenchem as paredes das habitações, a sua grande generosidade e o que esta secção sempre pretendeu desde o início mostrar: o lado íntimo da arte, sem hierarquias, estigmas, classificações ou composições.

Algumas palavras suas: “Nuno Maia, sou arquiteto, vivo na Costa Nova, perto de Aveiro, e coleciono, essencialmente, trabalhos de artistas portugueses. Dedico-me a conhecer novos artistas, alguns ainda a estudarem nas Belas Artes do Porto e de Lisboa, assim como nas Caldas da Rainha, e tenho sido muito surpreendido pela positiva.

O culto do gosto pela arte foi introduzido desde muito jovem por influência do meu avô paterno, Carlos da Branca, pintor na Vista Alegre, assim como pela minha tia materna, Maria Eduarda, de quem também guardo alguns trabalhos. Foi ela quem me introduziu desde criança o especial gosto pelo figurado de Barcelos, colocando-me em contacto com as famílias Cota e Ramalho.

Trabalho em Coimbra, no atelier de arquitetura de Luísa Bebiano, e tenho-me dedicado à investigação na área da Teoria e História da Arquitetura Portuguesa.”

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