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Walk the Curve, de Ayelen Peressini + Inês Teles

O Alto de São Bento é um lugar arqueológico pré-histórico no concelho de Évora. Uma massa granítica testemunhou a passagem civilizacional do Mesolítico para o Neolítico, os fluxos e os lavores humanos, as comunidades transitórias e gregárias que aí deixaram marca. Diante dela, há uma paisagem que se desenrola pela suavidade territorial e morfológica do Alentejo e de Évora; e é sobre ela que Ayelen Peressini e Inês Teles desenvolveram a obra Walk the Curve que lhes venceu a nomeação pelo reputado site de arquitetura ArchDaily.

Walk the Curve é um elogio ao lugar em que repousa, mas também à região e à cidade. O gesto que propõem é espelho das curvas orgânicas dos terrenos, que se eleva no ar, circunda ao recinto, abraça os moinhos de vento adjacentes e oferece abrigo aos que a visitam. A construção é um recurso da contemporaneidade entre as práticas construtivas ancestrais – da taipa, profundamente enraizada no património arquitetónico vernacular local – e o presente, entre a plasticidade dos materiais e a perenidade das formas. A obra é igualmente uma referência a Richard Serra e à sua ideia de caminhar como exercício de medição, mas também de mediação e meditação.

A intervenção é uma instalação pública e pode ser visitada por qualquer interessado. Serve de miradouro da cidade de Évora, de toda as camadas temporais e espaciais que a enforma, e de conexão com um saber antropológico, arqueológico e histórico que importa sublinhar e relembrar.

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