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O mundo que nos vê – Espaço MIRA

À semelhança do que aconteceu no ano de 2020, o Espaço MIRA estende uma vez mais em período de confinamento social, a sua programação ao espaço da web com o ciclo o mundo que nos vê. Com curadoria de José Maia e João Terras, a mostra online conta com uma programação semanal, acessível a todos, durante o mês de Fevereiro às 15h de sábados e domingos, através das plataformas de Facebook, Youtube, Instagram e site do Espaço MIRA. Assente na interdisciplinaridade, a programação do ciclo o mundo que nos vê, cruza diversas linguagens artísticas: desde a performance, videoarte e cinema, passando pela fotografia, música e literatura. O vasto programa deste projeto curatorial para a web, conta com mais de 20 criadores multidisciplinares, nacionais e estrangeiros, de diversas áreas e de diferentes gerações, que apresentam um conjunto heterogéneo de criações. Artistas como André Feitosa, André Sousa, António Lago, Dori Nigro, Edicleison Freitas, Felícia Teixeira, João Brojo, João Sousa Cardoso, Joaku Sotavento, Manuel Santos Maia, Paulo Mendes, Sara Rodrigues e Rodrigo Camacho, Raúl Hidalgo, Susana Chiocca, entre outros, abordam questões contemporâneas como identidade ou género, ambiente e sustentabilidade, arte e política.

Dando continuidade à programação que o Espaço MIRA tem vindo a desenvolver desde 2013, em Campanhã na zona oriental do Porto, o mundo que nos vê impõe-se – na realidade atual – enquanto espaço artístico alternativo, mostrando‐nos por um lado a resistência e adaptabilidade da comunidade artística a novos formatos de difusão cultural e por outro lado, a possibilidade de se programar um evento artístico virtual. Em conversa com José Maia, diretor artístico do Espaço MIRA e cocriador do ciclo, o mundo que nos vê cresceu da necessidade por parte dos curadores de desafiar os artistas (…) uma das coisas piores era que o confinamento se traduzisse numa crise de criatividade. Embora afirme que nada substitui a experiência física e o contacto com as pessoas, José Maia reconhece a importância e potencialidades do meio digital enquanto um espaço maior e de criação que nos permite estar religados, ligando-nos ao outro e ao mundo através de uma obra.

O curador destaca a importância das plataformas digitais ao proporcionarem alternativas à experimentação e divulgação do trabalho da comunidade artística, referindo também o interesse da mesma pelas tecnologias do seu tempo. Segundo José Maia, a intervenção artística contribui para uma humanização do mundo da web através de criações – gravadas ou em direto – concebidas específicamente para esse espaço: imagens sensíveis, sons, palavras ditas e performances.

Com o ciclo o mundo que nos vê, o Espaço MIRA revela-nos o olhar dos artistas sobre o mundo e a nossa existência, explorando também a ideia de uma visão mais ampla de um mundo que agora nos observa e do qual somos também espetadores.

Inaugurado no fim de semana passado, o ciclo arrancou no dia 30 de janeiro com a vídeo-performance Corpo e ornamento (2019) de Pedro Ruiz, artista que no passado dia 9 de janeiro, inaugurou nas galerias do Espaço MIRA a exposição individual no osso. Na vídeo-performance o artista realiza no espaço do seu atelier, uma intervenção num corpo que foi subtraído, que adorna e embeleza através do gesto com objetos recolhidos da paisagem.

No dia 31 de janeiro, o artista Manuel Santos Maia apresentou o filme É um outro país (2010-2021) que promove uma reflexão sobre a dedicação e entrega dos criadores em Portugal ao mesmo tempo que assinala a assimetria do País.

Ambas as obras encontram-se disponíveis para consulta no site oficial do Espaço MIRA.

No segundo fim-de-semana da mostra online o mundo que nos vê, o espaço MIRA dedica a sua programação à performance-arte apresentando uma vídeo-performance e uma vídeo-performance-conferência. As obras abordam questões relacionadas com a ecologia e biodiversidade, a construção da identidade e a problematização do género. No sábado, 6 fevereiro, às 15h a dupla Sara Rodrigues e Rodrigo Camacho apresentam a vídeo-performance Flutuações, Missa pro Defunctis (2019), trabalho inédito gravado no Funchal, em que os artistas equipados com fatos protetores, máscaras de gás e luvas – numa espécie de paralelismo com a situação que se vive atualmente em hospitais do país – recolhem amostras de tecidos orgânicos que vão encontrando na paisagem, assim como lixo e detritos, devolvendo-nos a nossa ação numa performance simultaneamente dramática e irónica.

No dia seguinte, domingo 7 fevereiro, à mesma hora, Edicleison Freitas e André Feitosa, apresentam a vídeo-performance-conferência A MÚMIA – Na Preceptoria Estética para Ressuscitar os Mortos Esquecidos (2021). O trabalho constitui-se num diálogo entre mortos e memória invocados no campo imediato da presença, através de uma narrativa culturalista e uma figura estética. Somos convidados a assistir ao processo de transformação de um corpo, ao mesmo tempo que acedemos a uma reflexão em torno da identidade e da sexualidade.

No fim de semana seguinte, António Lago e Susana Chiocca apresentam sábado 13 de fevereiro às 15h, uma vídeo-performance que se situa entre a performance musical e a encenação. A vídeo-performance que terá lugar na própria casa de António Lago, apresenta-nos a dupla a tocar e a compor num trabalho de criação conjunta de dois artistas que no passado criaram o projeto Sala e que agora se voltam a juntar.

No domingo 14 de fevereiro às 15h, Dori Nigro e Paulo Emílio apresentam propostas relacionadas com a identidade sexual e de género em trabalhos de vídeo-performance onde a questão da imagem, a plasticidade, o texto e reflexão em torno destas temáticas estará presente.

Sábado 20 de fevereiro, André Sousa e Paulo Mendes, que já havia participado no ciclo de 2020, apresentam trabalhos de videoarte e no domingo 21 de fevereiro às 15h, a literatura estará presente no ciclo através de um texto da autoria do artista plástico, escritor, encenador e realizador João Sosa Cardoso que será interpretado por uma atriz.

No último sábado do mês de fevereiro, às 15h, Felícia Teixeira, João Brojo e João Teixeira, que participaram no primeiro ciclo online com um filme/diário sobre o confinamento, dão continuidade ao projeto apresentando-nos um novo filme, desenvolvido durante o atual confinamento, como uma segunda parte do primeiro momento.

Domingo, 28 de fevereiro, à mesma hora, os artistas investigadores Beatriz Page, Joaku Sotavento e Raúl Hidalgo apresentam trabalhos em videoarte e vídeo-performance, relacionados com o pós-humano e com o habitar o espaço público.

Recorrendo a um programa curatorial vasto, o Espaço MIRA explora novas formas de criação e divulgação artística junto do público, através do espaço digital. Para o ciclo online de artes visuais, performativas e digitais de 2021, o mundo que nos vê, José Maia e João Terras, desenharam um projeto mais amplo e aprofundado, convocando um conjunto de artistas interdisciplinares que abordam e desenvolvem temáticas, como questões identitárias, ecológicas, entre outras, conjunto de revoluções que os curadores consideram urgentes e prementes pensar na atualidade.

Mafalda Teixeira mestre em História de Arte, Património e Cultura Visual pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, estagiou e trabalhou no departamento de Exposições Temporárias do Museu d'Art Contemporani de Barcelona. Durante o mestrado realiza um estágio curricular na área de produção da Galeria Municipal do Porto. Atualmente dedica-se à investigação no âmbito da História da Arte Moderna e Contemporânea, e à publicação de artigos científicos.

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