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Os Espacialistas a dar e a receber instrução

O espaço do conhecimento, da aula, da experimentação, do processo reinventou-se ao longo dos (e nos últimos) tempos, foi também vítima do excesso de aceleração e de uma paragem obrigatória. Pausa. É preciso ir à base, à essência, ao elementar, aprender tudo de novo: A E I O U!

O coletivo Os Espacialistas jogam com a palavra, jogam com o espaço, jogam com a palavra no (seu) espaço. E o corpo. Repensam combinações basilares da arquitetura e golpeiam-nas com precisão através de referências artísticas. Na exposição, sentimo-nos a calcorrear um sem fim de nomes e de figuras que estão nos nossos manuais desde sempre, mas desta vez com um “piscar de olho” a associações mais ou menos desconcertantes.

Dos esquiços fotográficos, aos vídeos, ao caráter performativo e de instalação, poderíamos falar de um compêndio de um caminho Espacialista apresentado na Galeria do Colégio das Artes, na Universidade de Coimbra, mas não é só esse visitar dos seus trabalhos que ali acontece. Entre a investigação e a ação, o Laboratório de Curadoria do Curso de Mestrado em Estudos Curatoriais promove uma dinâmica entre alunos, docentes e artistas convidados onde se questiona o lugar de cada um. Dessa combinação surge a exposição A E I O U: Os Espacialistas em Pro(ex)cesso.

Ao longo de cinco salas, como as vogais que as anunciam, há um lugar experimental sobre muitas das experimentações que tinham feito. Como se depois de Os Espacialistas chegarem, estudarem e intervirem em espaços, como são exemplo a casa de Monsaraz dos arquitetos Aires Mateus, o espaço expositivo do MAAT, a relação que estabeleceram com obras da Coleção Berardo no projeto Constelações ou experiências laboratoriais que fazem em não lugares, como a partir os estudos métricos de Corbusier ou de Da Vinci, chegasse a vez de os seus estudos serem a matéria-prima. Chegou a hora de Espacializar a partir dos resultados d’Os Espacialistas.

Entre alunos e o coletivo, o que esta exposição traduz é a questão do que fica entre passado e futuro sem se decifrar o presente. Os resultados que têm encontrado ao longo do seu percurso são agora colocados numa mesa de jogo para se voltar a lançar dados, as mesmas peças, mas em novas combinações, conclusões que passam a introduções, palavras que são separadas em sílabas para gerarem novas palavras.

O lugar onde esta experiência pode ser vivida também não poderia deixar de ser objeto de estudo, numa performance onde usaram a luz do claustro do Colégio das Artes como matéria. A exposição passou a ser sala de aula. O laboratório passou a ser obra de arte. Os Espacialistas a dar e a receber instrução. Não importa quem é quem a dar as cartas ou a soletrar as letras se o propósito é a reflexão coletiva de um espaço melhor para o nosso corpo.

Fabrícia Valente é formada em Arquitetura pela Universidade de Évora (pré-Bolonha) e tem formação em áreas complementares como o vídeo, a fotografia e a produção de exposições temporárias. Desenvolve a sua atividade entre a Curadoria (ex: Pavilhão KAIROS), a Crítica (é editora da secção online de Arquitetura da Umbigo Magazine e faz parte da redação do J-A) e a Mediação Cultural (Museu Coleção Berardo e MAAT), já tendo trabalhado em mais de 90 exposições. Colabora com diversas entidades na procura da multidisciplinariedade entre a Arquitetura, as Artes Plásticas e a Música, áreas onde está a desenvolver trabalhos de investigação.

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