Top

GREAT MOMENTS: Eduardo Batarda nos anos 70, na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva

É na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa, que se encontra até 17 de janeiro a exposição Great Moments. Com curadoria de João Mourão e Luís Silva, Great Moments apresenta alguns dos melhores trabalhos dos anos 70 do artista Eduardo Batarda.

A exposição está distribuída pelos vários espaços do piso superior da Fundação e constitui-se como uma arrojada, mas consistente combinação de trabalhos do premiado artista – na sua maioria trabalhos de aguarela e tinta da china sobre papel.

Em Great Moments o uso da cor é abissal, no melhor sentido do adjetivo. O destaque reside justamente na utilização da cor e do contraste para a criação de pequenas atmosferas e pequenos mundos plurirreferenciais ricos de pormenores, formas e figuras.

Além do domínio de técnica verdadeiramente cobiçável, o diálogo traçado com a banda desenhada constitui-se igualmente como um dos pontos fortes da exposição. Esse diálogo com um universo, tradicional ou preconceituosamente perspetivado como algo de valoração inferior, em nada diminui a relevância do conjunto das obras presentadas. Pelo contrário, o conjunto de mais de 40 trabalhos ganha ainda mais sentido pelas múltiplas influências que aporta e pelas próprias interações que cada trabalho estabelece com o seguinte.

De notar ainda, numa outra camada de sentido e de leitura, que este jogo entre referências à banda desenhada, bem como a utilização de técnicas e materiais considerados menores, denotam uma rutura com o padrão instaurado na realidade portuguesa de há cerca de meio século. Ainda num período de um formalismo e conservadorismo artísticos, culturais e sociais marcados, a contribuição de Batarda para a inversão desse padrão bacoco é, como mínimo, notável e meritória.

No cômputo geral, Great Moments apresenta uma curadoria inteligente e delicada de João Mourão e Luís Silva, numa lógica capaz de fazer brilhar cada um dos trabalhos de Eduardo Batarda. Aqui, o seu universo de narrativas, formas, figuras e referências cruzadas brilha ao produzir uma interessante intercomunicação entre obras, somando-se essa dinâmica à espécie de vórtex semântico aportado por cada uma delas, individualmente.

Diogo Graça (1997) vive e trabalha entre Lisboa e Barcelona. Estudou Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e estuda Cinema na Universitat Pompeu Fabra. Com um percurso que passa por locais tão díspares quanto a Galeria Madragoa e a TVI, encontra na escrita e no audiovisual o seu quinto andar, seja sob a forma de guiões para televisão, artigos sobre arte ou short stories.

Subscreva a nossa newsletter!


Aceito a Política de Privacidade

Assine a Umbigo

4 números > €25

(portes incluídos para Portugal)