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Mauro Pinto, Blackmoney

A exposição Blackmoney está presente na Galeria 111 até dia 7 de novembro. Mauro Pinto, nascido em 1947, natural de Maputo, mostra-nos o que por esta altura já todos virtualmente sabemos e que com virtuosidade nos vamos esquecendo – o Homem-ferramenta, o homem-meio-para-um-fim-maior. Homem esse que, por todo o globo, toma a forma de encurraladas crianças, mulheres e homens. Nesta exposição, composta por (de algum modo desconcertantes) simples e tranquilas fotografias, temos os intervalos do que podemos adivinhar ser uma realidade crua e dura das condições de trabalho na extração de minério e combustíveis fósseis em Moçambique. Apesar de o artista fotografar especificamente na província de Tete, este está na verdade a procurar retratar condições de labor que acabam por ser transversais a diferentes regiões do planeta, onde Homens-ferramenta desenvolvem trabalhos precários e perigosos.

Mauro Pinto passou pela pintura e, no final dos anos 90, fez um curso de fotografia pela Monitor Internacional School. Estagiou com o fotógrafo José Machado e, em 2012, foi o vencedor da 8ª edição do prémio BESPhoto. Com um trabalho de reconhecimento internacional, já viu as suas obras expostas em quase todos os continentes.

Em Blackmoney é possível pressentir a intenção de Mauro de nos fazer pensar a realidade social e económica do seu país. O fotógrafo capta sujeitos que diz fazerem-no sentir tão pequeno e ao mesmo tempo tão grande, pela dignidade com que encaram a vida custosa para ter subsistência – vemos nestas fotografias corpos mazelados, marcados pelo tempo e pelo trabalho violento, que se fundem com as minas, com o ambiente agreste e ríspido que serve de pano de fundo para a captura destes (nos seus mais variados formatos) desafiantes retratos.

Vemos nesta exposição fotografias que contam histórias e realidades em silêncio. Imagens que se servem da luz para nos transportar para aquele universo e nos colocar no lugar do outro, que nos dá a conhecer quota-parte da sua essência e nos aproxima de uma realidade por vezes mantida demasiado distante.

Apesar de não haver qualquer tipo de evidência de existência de condições de trabalho dignas, assistimos, nestas fotografias, a uma resiliência vazia, alojada, praticamente conformada. Desprovida de sonho, e que não encontrou outro recurso senão o de aceitar a precariedade.

São fotografias-testemunho de um contexto social e cultural, de uma contínua e infindável luta pela sobrevivência, que não devemos deixar de ver para refletirmos sobre o abuso, a violência e o aproveitamento daqueles que são instrumentos para gerar “riqueza”.

Rui Gueifão (Almada, 1993), vive e trabalha em Lisboa. Licenciado em Artes Plásticas na ESAD.CR e mestrando em Filosofia-Estética na FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Já colaborou com diferentes instituições e espaços dedicados à arte contemporânea, como o Museu Fundação Coleção Berardo, Caroline Pàges Gallery e Galeria Baginski. Tem vindo, desde 2018, a produzir diferentes tipos de textos, já tendo contribuído para publicações e textos de exposições. Desenvolve e expõe o seu trabalho artístico desde 2015.

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