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Equivalência e Desequilíbrio, de Marcelo Cidade

Equivalência e desequilíbrio, de Marcelo Cidade, está em exposição na Galeria Bruno Múrias, em Lisboa, até 7 de novembro. Trata-se de uma série de esculturas que faz alusão à série Equivalents, de Carl Andre, ainda que aqui numa versão mais agressiva e texturada: um trabalho que apresenta quase 100 paralelepípedos de betão adornados de pontiagudas rochas calcárias.

Dispostos no piso da sala principal da galeria, os paralelepípedos achatados preenchem o espaço numa lógica de puzzle ou montagem LEGO, que remete às conceções de urbanização, organização e segmentação do espaço público.

Grandes centros urbanos possuem zonas restritas e perímetros de acesso limitado, o que constituiu por si só um contrassenso, não ocorresse esse fenómeno precisamente em espaços – supostamente – públicos. Partindo dessa observação, Cidade interpela o visitante desde a sua entrada na galeria com constrangimentos e proibições de locomoção pelo espaço, através de uma estratégica disposição dos blocos de cimento, à semelhança do que ocorre com a colocação de pedras, barreiras ou estruturas pontiagudas em determinados centros urbanos com o intuito de afastar determinados grupos de pessoas; de resto como acontece em Barcelona e outras capitais mundiais para evitar a afluência de skaters e outros grupo sem determinadas zonas da cidade.

Em Equivalência e Desequilíbrio essa vertente agressiva e segregadora está ainda figurada nas pedras pontiagudas que cobrem as placas de betão. Numa espécie de micro (ou macro) escala do que o artista notou ser uma realidade crescente na cidade onde vive – São Paulo.

A reflexão social e urbanística proposta não é imediata, mas não por isso menos interessante ou pertinente.

No cômputo geral, a série de esculturas de Marcelo Cidade constitui-se como uma discreta, polida e sóbria reflexão sobre uma questão aparentemente apenas estética e/ou arquitetónica, mas que na realidade é mais profunda e complexa. Em comunicação com alguns dos seus trabalhos anteriores, Cidade apresenta uma problematização da arquitetura modernista, do espaço público e o capitalismo – e todas as dimensões emocionais e sociais que deles advém e que com eles comunicam – a partir de uma minimalista e resistente série de blocos de betão.

Diogo Graça (1997) vive e trabalha entre Lisboa e Barcelona. Estudou Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e estuda Cinema na Universitat Pompeu Fabra. Com um percurso que passa por locais tão díspares quanto a Galeria Madragoa e a TVI, encontra na escrita e no audiovisual o seu quinto andar, seja sob a forma de guiões para televisão, artigos sobre arte ou short stories.

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