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Porto Femme 2020 – Entrevista a Rita Capucho e a Ana Castro

No âmbito da 3ª edição do Porto Femme, que se irá realizar de 06 a 10 de outubro de 2020 no Porto, fizemos uma entrevista a Rita Capucho e a Ana Castro, da Direção do Festival Internacional de Cinema (com intervenção pontual de Lucas Tavares, da Comissão Organizadora), que tem como objetivo dar visibilidade às mulheres cineastas.

 

Ana Martins – O Porto Femme surge em 2018, no Porto, afirmando-se como um espaço de partilha, debate e criação para todos os cinéfilos, pretendendo sensibilizar, informar e despertar o público para as questões sociais e políticas que afetam as mulheres em todo o mundo. Quando e como surgiu o Festival e a vontade de promover o trabalho realizado por mulheres no cinema?

Rita Capucho – O festival surgiu de uma conversa com a Ana Catarina Pereira, sobre um artigo que ela tinha feito. Afirmava que em 2012 não havia nenhum festival de cinema no feminino em Portugal, enquanto que noutros países já existiam desde 1979. Em 2016, juntámo-nos com a ideia de trazer o festival para o Porto, onde o movimento feminista estava bastante forte. Lisboa já tinha o Olhares do Mediterrâneo. Igualmente, sentimos que seria a cidade ideal para acolher este projeto, porque poderia haver espaço para a luta feminista… um espaço de diálogo e de cruzamento com os movimentos e coletivos.

AMO Porto Femme tem quatro competições distintas: Nacional, Internacional, XX Element e Estudantes. Como pensaram a programação do Festival para esta 3ª edição? Quais são os objetivos e temáticas principais?

RC – Este ano vamos dar destaque a filmes sobre a maternidade e a família, como o documentário Malamadre (2019) de Amparo González Aguilar, por exemplo.

Ana Castro – Ainda vamos ter dois filmes em competição que retratam situações de violência doméstica, assim como sobre as relações entre mães, pais e filhos.

RC – Depois também vamos ter presentes temáticas relacionadas com femicídio, comunidade LGBTQ+, feminismo negro, identidade transgénero e sexualidade feminina.

AM – Este ano no Porto Femme, as homenageadas são Margarida Cordeiro, Isabel Ruth e Fernanda Lapa. Quando, onde e como será prestada a homenagem?

RC – A homenagem irá ser feita através da exibição de filmes no Cinema Trindade e da publicação de artigos no nosso catálogo. Vamos exibir o filme Ana (1982) de António Reis e Margarida Cordeiro, com o apoio da Cinemateca, juntamente com um artigo da Ilda Castro. Na homenagem a Isabel Ruth, vamos contar com a sua presença, no âmbito da exibição de O Sapo e a Rapariga (2018) de Inês Oliveira. Por último, também vamos homenagear Fernanda Lapa, que fez um trabalho relevante com a Escola das Mulheres, uma companhia de teatro com um propósito semelhante ao nosso. Vamos exibir o filme de Luísa Sequeira sobre uma peça escrita pela homenageada, com o apoio da RTP.

AM – No âmbito do Festival, inaugura dia 06 de outubro, na Casa das Associações – FAJDP (Porto), Femme Quarantine, uma exposição com práticas artísticas realizadas durante o período de confinamento, com o objetivo de realçar a arte, enquanto meio significante para a saúde mental. Como surgiu a ideia de integrar um projeto expositivo no contexto de um Festival de Cinema? Qual o objetivo em salientar a importância da arte para a saúde mental?

Lucas Tavares (comissão organizadora) – Eu lancei o desafio à Rita, quando estávamos a chegar ao final da quarentena obrigatória, porque percebi que havia uma série de obras que tinham sido produzidas durante esse período. Há uma série de motivos para se criar num tempo tão instável e acho que as obras refletem isso, quer seja pelo motivo de fuga, como para refletir sobre o momento em que vivíamos, como um ato de manter a sanidade num período tão difícil. Ter artistas visuais num festival de cinema, advém do facto de que começa a tornar-se muito difícil separar as práticas artísticas, pois tudo faz parte do ato criativo.

AM – O Porto Femme tem programação nos Maus Hábitos – Espaço de Intervenção Cultural (Porto) ao longo do ano. Vamos continuar a poder assistir aos vossos ciclos de cinema? É possível a presente edição ainda prosseguir online?

RC – Vamos continuar com as sessões nos Maus Hábitos, mas também no Avenida em Aveiro. O nosso intuito é ter mais sessões itinerantes e apostar no online, quer como extensão do festival, quer como componente formativa. Em todas as edições programamos workshops e este ano convidamos a Catarina Mourão e a Antonella Estévez. O festival vai prolongar-se para lá de 10 de outubro, com sessões online.

Annie Martins (Porto, 1990) cofundadora do Coletivo de curadoria Hera, é mestranda em Estudos de Arte – Estudos Museológicos e Curadoriais da FBAUP. Igualmente foi investigadora do Projeto CHIC apoiando na integração de Filmes de Artista no Plano Nacional de Cinema e no Catálogo Online de Filmes e Vídeos de Artistas Portugueses. Licenciada em Cinema pela ESTC do IPL (2007-2010) e em Gestão do Património pela ESE do IPP (2013-2017) colabora como Diretora de Arte em ficções e programas de televisão, assim como começou a escrever para a revista Umbigo.

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