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Inhale, Exhale (self-breathing kit), de Paulo Arraiano

As questões da ecologia tomaram a arte de assalto, como uma prática ativista que se serve das ferramentas compositivas e especulativas da arte para refletir.

Mas similarmente, e sem esquecer os parâmetros estéticos que fundaram a teoria e a prática da arte, a arte que aborda a natureza e os sistema ambientais recorda o assombro latente da natureza: o espanto na rebentação das ondas, a física poética das partículas e do fumo que rodopiam no ar, a esperança e a alegria do nascimento e a decomposição e recomposição da vida depois da morte. É biologia, certo, mas é também espantoso, hipnotizante, belo.

Inhale, Exhale (self-breathing kit), de Paulo Arraiano é um projeto que relembra esse assombro, esses procedimentos telúricos complexos que rendem no olhar humano uma aura de inexplicável surpresa.

Entre a meditação e a imersão, fazendo recurso da tecnologia digital como tem sido habitual no seu portefólio artístico, Arraiano concebe um ensaio fílmico que narra a grande epopeia natural, dos elementos que se mutam, dos estados que se transmutam. Há uma procura de unicidade, de sincronia, como se houvesse um desejo de fusão do corpo com as imagens exibidas, precipitando-nos numa liquefação e posterior evaporação. Em Inhale, Exhale (self-breathing kit) Arraiano convoca, portanto, os sentidos para uma reflexão mais profunda que é a da nossa posição no caos natural.

Até 11 de julho, na Travessa da Ermida, Lisboa, com texto curatorial de Borbala Soós.

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