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Arte em Quarentena — Ana Pérez-Quiroga

A UMBIGO convidou vários artistas a refletir sobre a era em que estamos a viver e a pensar a sua produção artística em tempos de quarentena.

Projeto da autoria da artista Ana Pérez-Quiroga.

Ana Pérez-Quiroga, O quase álcool 70º e o álcool gel industrial, 2020

No momento em que foi declarado o estado de emergência em Portugal (19 de março), a população correu para as farmácias, tentando comprar, além de máscaras, álcool etílico ou etanol a 70º e álcool gel. Tornou-se numa procura inglória para mim, dado que não havia estes produtos em nenhuma farmácia onde fui, e apenas se e encontrava álcool a 96º.

Mas porque não utilizar o álcool de 96º?

A Organização Mundial de Saúde (OMS), e muitas outras organizações de saúde nacionais e internacionais, salientam que o álcool a 70º é o indicado para a desinfeção. O seu uso como antisséptico e desinfetante na limpeza de feridas, ou usado em cirurgias, é conhecido desde o séc. XIV, e era utilizado a partir de bebidas espirituosas destiladas. No entanto, o seu valor como poderoso antisséptico só ficou demonstrado a partir dos testes feitos por Reinicke, em 1894, e por Epstein, em 1897. Mas é Harrington e Walter, em 1903, que demonstram que a concentração entre 60º e 70º é a mais eficaz para destruir bactérias, micróbios, fungos e vírus, porque tem o teor exato de água que promove a entrada do álcool nos microrganismos. O álcool com concentração superior a 70º, pelo contrário, desidrata os microrganismos sem matá-los.

Devido à falta de álcool a 70º e de álcool gel, procurei informação sobre como fazê-los. A minha vontade era tanta em fazer o meu álcool de forma profissional, que encomendei a uma empresa de material de laboratório um alcoômetro, uma proveta de 500ml, um termômetro para álcool e diversos frascos de vidro. Comprei álcool a 96º, água destilada, glicerina e água oxigenada a 3%, e muni-me de uma panela para esterilizar os frascos. Na mesa da cozinha, sobre o tampo de mármore, distribui os objetos, coloquei as luvas, e manuseie os líquidos, medindo o seu teor de álcool com o alcoômetro até conseguir os ideais 70º a uma temperatura de 15º. Para fabricar álcool gel, bastou adicionar água oxigenada e glicerina.

Passo a transcrever as duas receitas caseiras elaboradas pela Comissão de Saúde Ocupacional, Biossegurança e Qualidade do IHMT/NOVA:

 

1. Preparação de álcool a 70º

Material:

– Álcool etílico a 96º-98º

– Água destilada (ou água engarrafada ou canalizada)

Modo de preparação:

a) Colocar dentro de um recipiente, 1 frasco de 250 ml de álcool etílico a 96º-98º, e adicionar 10 colheres de sopa de água destilada (aproximadamente 100 ml);

b) Misturar bem.

 

2. Preparação álcool gel

Material:

– Álcool etílico a 96º-98º

– Água oxigenada 10 Volumes (3%) (peróxido de hidrogénio 3%)

– Glicerina

– Água destilada (ou água engarrafada ou canalizada)

Modo de preparação:

a) Colocar dentro de um recipiente, 1 frasco de 250 ml de álcool etílico a 96º-98º, 1 colher e meia de sopa de água oxigenada (aproximadamente 15 ml), 1 colher de chá de glicerina (aproximadamente 5 ml) e 3 colheres de sopa de água destilada (aproximadamente 30 ml);

b) Misturar bem;

c) Colocar a mistura dentro de frascos dispensadores.

 

Nota: A validade destes produtos depende do grau de higiene e esterilização durante o processo de fabrico, variando entre 7 dias a 3 anos.

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