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Os Outros Homens de Luísa Mota

A exposição individual Os Outros Homens de Luísa Mota patente na Galeria Nuno Centeno, no Porto, apresenta uma série de práticas artísticas, que nos permite uma reflexão sobre a contemporaneidade, nomeadamente os efeitos da globalização, do mundo pós-digital e da conceção de um estilo de vida idílico, um mito virtual, fugaz e efémero, que é disseminado pelos vários meios de comunicação em massa.

Em Os Outros Homens, na Galeria Nuno Centeno, Luísa Mota demonstra o seu imaginário, que articula através de uma extrema ruralidade, mitologias exóticas e visões absurdas de filmes de ficção científica. Apresenta uma série de telas em tecido, onde para além de integrar imagens apropriadas da internet, algumas com elementos autobiográficos, destrói a composição das mesmas, através de um gesto obsessivo e performativo, com a tinta da caneta e outros materiais sobre o têxtil. Uma impressão digital sobre os tecidos, que funcionam, como vários ecrãs de computador, com imagens de grupos de empresários, escritórios de grandes empresas, desportistas em ginásios, atletas em maratonas, carinhas da polícia e praias paradisíacas. Contudo, nestas obras, também vemos vulnerabilidade, através do rosto de uma jovem que é repetido ao longo da série. Lado a lado com a disposição de obras abstratas, imagens – paisagem, pormenores dos Homens Invisíveis que fazem um contraponto com Os Outros Homens que se encontram nas representações contíguas. No centro do espaço expositivo vemos várias cabeças (molde do artista visual Silvestre Pestana), que metaforicamente posiciona os artistas, como essenciais para a vida contemporânea.

Na sequência, Luísa Mota projeta um vídeo, onde de uma forma singular aborda sonhos, mitologias e misticismo, pelo meio de uma montagem pautada por planos pormenor de terra, reflexos de água, espelhos, materiais reluzentes e sombras de cabelos ao ventos, com grandes planos de um homem de olhos fechados, de um nariz, de costas ofegantes cobertas de terra, de uma mão a limpar a poeira da pele e de uma superfície rochosa, intercalados por planos gerais de um homem a vaguear por uma paisagem de terra vulcânica e mar. Os Homens Invisíveis, também se encontram neste cenário de ficção científica intensificado pela banda sonora.

Luísa Mota nasceu no Porto, em 1984, onde atualmente vive e trabalha. Licenciada em Belas Artes pela Goldsmiths e Mestre em Escultura pela Royal College of Art, exibe o seu trabalho desde 2007, em exposições coletivas, individuais e em eventos ligados às artes performativas, nacional e internacionalmente, onde explora vários meios de expressão artística. No ano de 2013 integrou a 9ª edição da mostra de performance Verbo em São Paulo, com I believe in good things coming onde a artista e um grupo de voluntários fizeram uma procissão pelas ruas da cidade vestidos com os figurinos da performance os Homens Invisíveis. Em 2014 apresentou na abertura da 3ª Bienal da Bahia Genesis e genîs com mais de 80 participantes. Mais tarde, em 2015, no Porto, recriou os Homens Invisíveis, mas também a escultura e performance urbana Monumento Invisível, ambas em circulação pelas várias ruas e pontos da cidade. A artista visual entende a sua prática, como uma experiência social, entre o individual e o coletivo. O seu objetivo é proporcionar um exercício de autoconsciência, ou seja, permitir ao espectador explorar as suas perceções sobre o comportamento, a crença e a dimensão espiritual, ao mesmo tempo que tenta elevar os seus relacionamentos inconscientes a rituais. Após os momentos performativos e sem fazer distinção entre objetos e documentação, mantêm o que restou desses atos e retrabalha o acontecimento, fazendo surgir novas formas, muitas vezes pelo meio do vídeo, da fotografia, do som, ou do desenho.

A exposição Os Outros Homens de Luísa Mota está patente na Galeria Nuno Centeno, no Porto, juntamente com Conversa Inventada de André Sousa até 12 julho de 2020.

Annie Martins (Porto, 1990) cofundadora do Coletivo de curadoria Hera, é mestranda em Estudos de Arte – Estudos Museológicos e Curadoriais da FBAUP. Igualmente foi investigadora do Projeto CHIC apoiando na integração de Filmes de Artista no Plano Nacional de Cinema e no Catálogo Online de Filmes e Vídeos de Artistas Portugueses. Licenciada em Cinema pela ESTC do IPL (2007-2010) e em Gestão do Património pela ESE do IPP (2013-2017) colabora como Diretora de Arte em ficções e programas de televisão, assim como começou a escrever para a revista Umbigo.

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