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Arte em Quarentena — Steven Day

A UMBIGO convidou vários artistas a refletir sobre a era em que estamos a viver e a pensar a sua produção artística em tempos de quarentena.

Projeto da autoria do artista Steven Day.

Steven Day, New Paintings, 25 de maio de 2020 NYC

Sem título 01-04, preto e amarelo (da esquerda para a direita), ea. 2020. Acrílico, pigmento, mate médio sobre tela, 48×76 cm

Greek Theatre, (X), 2020. Acrílico, pigmento, mate médio sobre tela, 53×76 cm

A crise atual e o estarmos a viver uma pandemia, uma mudança cultural coletiva na forma como trabalhamos e vivemos. Enquanto artistas, pensamos muitas vezes sobre o porquê de fazermos arte. Agora a questão é também esta: por que razão continuamos a fazer arte? Além disso, o que significa a arte, uma vez que tudo está em mudança? Quem é o público, quando as galerias e as feiras de arte parecem ser atualmente insustentáveis? Como é que a arte será vivida durante e depois? Algumas destas questões foram colocadas no início dos anos 90, uma época de mudança radical e de convulsões sociais, quando eu era estudante no Instituto de Arte de São Francisco (MFA 1994).

Nessa altura, a apropriação e a arte baseada em imagens lembravam-me o trabalho artístico sobre o excesso da década anterior. Queria, acima de tudo, evitar a arte figurativa. E agora o círculo fecha-se, com o regresso ao ponto zero, à abstração. Materiais e superfície, a fisicalidade do material ou a “coisa”. A pintura como meio. Embora os meus primeiros trabalhos, The Wax Paintings (1), monocromáticos ou bicolores pintados com painéis de madeira fundidos numa cera semitransparente, estivessem associados ao pós-minimalismo, foram feitas comparações com os primeiros artistas light dos anos 60, mas numa escala muito mais íntima. (2) Artistas, Robert Irwin e James Turrell.

Em 2020, as minhas novas pinturas partilham uma maior sensibilidade à luz, além de um tipo mais amplo de abstração numa referência a um período ligeiramente anterior. Artistas aos quais sempre regressei durante anos, em museus, nos quais tenho vindo a pensar cada vez mais. Os clássicos, obras de arte que são ao mesmo tempo conceptuais, orientadas para o processo e com “espírito”. Ad Reinhardt, Mark Rothko, a primeira fase de Brice Marden, e os artistas emergentes dos anos 70, como Blinky Palermo e Mary Heilmann. E também no início do século XX, quando uma nova abstração surgiu com Kasimir Malevich, e o período construtivista soviético. Ao ter conhecido recentemente Martin Rev dos Suicide, e trabalhado com Andreas Reihse (Kreidler), que me ofereceu uma exposição no Spruth Magers-Image Movement Berlin, há alguns anos, tenho ouvido música antiga e nova, especialmente a música punk e post-punk da minha adolescência formativa, na América e em Inglaterra, no final dos anos 70 e início dos anos 80.

Tal como na altura, quando surgiu uma nova consciência social e energia provinda da rua, o punk e a new wave puseram um fim aos solos de guitarra de dez minutos. Com a urgência, desapareceu o excesso e a frivolidade de uma era esgotada. Em 2020, há um regresso à pintura como objeto, uma coisa não ilusionística, monocromática, monótona e plana, quadrados e cruzes. Em primeiro lugar, compus várias relações espaciais que respondem ao suporte inicial da tela que equivale ao tamanho do corpo. As superfícies monocromáticas são construídas com pigmentos e mates médios para criar um ambiente não refletor que absorve a cor (preto) e emite cor (amarelo).

 

(1) The Wax Paintings, (Sem Título) 1994-99.

(2) Translucent, Transamerica Pyramid, San Francisco, CA. The Wax Paintings, Annie Gawlak, Washington DC, 1995. The Wax Paintings, Haines Gallery, São Francisco, 1997. Inauguração, Haines Galley, Nova Iorque, 1996, Haines Gallery.

As exposições mais recentes incluem The Wax Paintings, De-PICT, uma exposição inaugural de pintura, NOSCO Gallery, Londres, inauguração a 30 de Junho de 2014. The Wax Paintings, Galeria NOSCO SP-Arte, São Paulo (3-6 de abril). The Wax Paintings, NOSCO Gallery, Art 14, Londres (28 fevereiro-2 de fevereiro).

Críticas: Hyperallergic, When a Survey Show of Contemporary German Painting… Isn’t One, de Viktor Witkowski. 11 de novembro de 2019. Hyperallergic.com. San Francisco Chronicle. Day and Night at Haines, de Kenneth Baker. 31 de julho de 1997. São Francisco. Gallery Watch A new round of Introductions, de David Bonetti. 15 de julho de 1994.

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