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Arte em Quarentena — Diogo Costa

A UMBIGO convidou vários artistas a refletir sobre a era em que estamos a viver e a pensar a sua produção artística em tempos de quarentena.

Projeto da autoria do artista Diogo Costa.

Diogo Costa, 13/03/2020. Digital Collage

Um conjunto de composições visuais, baseadas num collage digital, resulta de uma reação à atual circunstância de quarentena e ao isolamento social em que me encontro, tal como tantas outras pessoas ao nível global.

Estas composições formadas pela inclusão da linha, forma, cor, texto e imagem fotográfica, foram veículos de expressão utilizados para refletir em torno da temática do espaço e da quietude em tempos onde a instabilidade tomou conta da globalidade e do quotidiano.

A pintura, a fotografia e a still-life foram referências escolhidas para dar forma a uma abordagem intuitiva que busca resgatar e refletir estes temas como uma resposta às condições que atualmente se vivem.

Na história da prática artística, artistas e agentes da arte procuraram ao longo dos tempos e através das suas práticas, promover e preservar a qualidade da quietude, como um princípio subjacente à criatividade. A quietude, muitas vezes aliada à introspeção e à autoconsciência, surgem de novo para mim como respostas paralelas à instabilidade do mundo exterior.

É neste contexto que procuro transmitir estes valores através de imagens que se apresentam como metáforas visuais. Por intermédio da composição e do collage procuro recriar, tanto a reflexão interior da minha experiência de confinamento como a visualização de um lugar quase ideal, tantas vezes abanado e comprometido por circunstâncias exteriores no curso da história.

Tradicionalmente uso os meios do desenho, da pintura, escultura e instalação, mas encontrando-me confinado, afastado do atelier, dos materiais e projetos do meu ofício, a imagem digital surge como um meio predileto para colmatar a impossibilidade daquela que era antes a minha prática habitual.

Os trabalhos que se encontram no atelier, longe do confinamento da casa que habito, encontram-se agora suspensos, congelados até uma nova visita. Na suspensão de um voltar a reencontrar as obras que estão agora também elas confinadas ao seu espaço, encontro nesta abordagem a possibilidade de dar forma aos pensamentos e inclinações que antes me encontrava a explorar, informadas agora pela condição que todos juntos vivemos.

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