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Music for the Weekend #005 — Chama do Triunfo

Talvez por causa de termos chegado à Quinta edição a alusão à quantidade de quinas na nossa esfera armilar acabou por ser inevitável no momento de preencher esta M4we exclusivamente com música portuguesa e subsequentemente quando tive de “dar nome ao bebé”…

Uma escolha pessoal claro, nem mais ou menos woke, com clássicos true and tested a dar de caras com pequenas preciosidades caídas injustamente no esquecimento de quem continua a não valorizar suficientemente a música que é feita por cá.  Repito, é uma escolha pessoal e se fosse feita para a semana que vêm estariam de certeza quase outras 40 nesta lista.

Mesmo assim, como resistir à Amália a cantar samba ou ao Martim a dizer que “tu não és o B Fachada”? Tinha primeiro decidido só escolher músicas cantadas na nossa lusitana e tão proverbial língua mas lembrei-me de desencantar do baú dos olvidados o Lucky Stereo, projeto super fixe do Nuno Mendes feito no rescaldo da sua saída dos Bandemónio e que infelizmente nem no Discogs aparece catalogado. Quanto às vantagens de introduzir uma dos Wraygunn e nenhuma do Homem Tigre é que posso ver se o Mixcloud censura ou não uma amiúde utilização da palavra Muthafucker.

Uma proposta de curadoria limitada a quarenta peças dá lugar a discos pe(r)didos, gestálticas notas soltas aos ventos da nossa perceção. Porquê o Dunas cantada pelo Melo D e não pelo Reininho? Será que assim se legitima a inclusão de um tema do Adriano Correia de Oliveira mas pela voz  da Claudia Efe? Ou será dessa forma que se dá primazia a uma música do primeiro álbum do Cid em detrimento de qualquer coisa mais sinfónica do seu clássico follow-up? Que Sera, Sera (Whatever Will Be, Will Be) cantava a Doris Day em 1956 mas será que é mesmo assim? Que não temos voto na matéria das nossas próprias escolhas e que todas, são fruto da soma do que somos e fomos?

Por um lado a escolha de um particular tema dos Capitão Fausto surgiu como resposta do Domingos Coimbra e do Tomás Wallenstein ao meu repto pelo WhatsApp: “que canção dos Fausto passou entre as brechas da perceção nacional e que vocês gostariam que tivesse sido mais conhecida?”. A resposta de ambos foi logo indicativa do Litoral, a segunda música do seu segundo LP. Em tempos pandémicos a curadoria tem coisas assim.

Mas por outro lado tinha mesmo de findar esta seleção nacional com o Havemos de Acordar interpretado pela Ana Moura. Aproveitando assim para agradecer ao seu compositor, o Pedro da Silva Martins, por ter escrito a mais bonita canção da década passada. Obrigado e bem haja. Tenham um bom fim de semana.

#staysafe #musicfortheweekend

Amor, paixão, alegria. E outros estados da alma induzidos por sexo, drogas e rock 'n' roll. Dandy, bon vivant e outros anglicismos que não são para aqui chamados. Pai babado, apaixonado inveterado por tudo o que seja de "agora" mas numa profunda mas recatada admiração por tudo o que "já foi". Europeu com raízes asiáticas numa sôfrega vontade de ter, ser e ver todo o mundo. Music was my first love / and it will be my last

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