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Manifesto TreeToo – Amelie Eise entrevista Etienne Verbist

Entrevista entre Amelie Eise e Etienne Verbist, o criador do Manifesto TreeToo, que pretende mobilizar a comunidade artística global para proteger as nossas árvores e a natureza – esperando que, como afirma o manifesto, “deixemos de olhar para uma árvore como antes”.

 

Amelie Eise – O que é o Manifesto TreeToo? É outro grupo de proteção ambiental? É um movimento político?

Etienne Verbist – O manifesto não é um movimento político, nem um grupo de proteção ambiental. O Manifesto é um apelo escrito à ação, que pretende mobilizar todos os envolvidos no mundo da arte. Afinal, a arte não só pode mostrar a beleza e a importância da nossa vida com as árvores, através das obras dos artistas, através do tempo, das fronteiras, dos meios de comunicação social, das gerações e perceções, como também nos recordará o quanto temos a perder se as árvores, as nossas mais fortes e tranquilas aliadas neste mundo desde sempre, forem destruídas.

AE Qual a razão de o nome TreeToo ser parecido com MeToo?

EVB – Foi inspirado no impacto do movimento MeToo. Politicamente correto ou não, queria um slogan marcasse imediatamente a sua presença.

AE – O que liga a arte às árvores?

EVB – As árvores têm inspirado artistas, escritores e ativistas de todo o mundo, ao longo do tempo, por muitas razões, entre elas religiosas e outras. Os exemplos são vários. Citando alguns: Leonardo Da Vinci, Vincent Van Gogh, Joseph Beuys, Georg Baselitz, Aiweiwei, Banksy, Thijs Biersteker & Stefano Manusco, Carol Dunham, Albert Oehlen, Ugo Rondinone.

AE – Por que razão é importante mobilizar este setor específico da sociedade – os artistas?

EVB – Os artistas podem criar um sentido de consciência, abrir os olhos, os ouvidos, o coração, com obras de índole tão díspar como as pessoas que habitam terra. Afinal, o gosto e as vontades são diferentes, e, assim, também as pessoas compreenderão através de canais diferentes. A situação atual do mundo e das árvores, e a urgência que lhes está associada, precisa de ser transmitida em todos os meios possíveis. Os artistas podem e devem ajudar a salvar o mundo. Sou alguém que acredita no poder da arte e na diversidade das obras. O artista não me parece ter outra escolha a não ser envolver-se.

AE – O que a arte pode alcançar?

EVB – A arte e a cultura podem fazer a sociedade progredir com novas ideias. Pedimos que o mundo da arte, nas suas diferentes formas – os artistas, os galeristas, os mais variados agentes – se tornem pioneiros na proteção do clima, criando obras de arte, exposições, recordando-nos incansavelmente o que temos a ganhar. E o que podemos perder.

AE – O que podem os artistas fazer, para além de subscreverem o manifesto?

EVB – Nas suas obras de arte, poderão refletir sobre a natureza ou os temas associados às árvores. Por exemplo, convido os artistas a criar um galho com uma mensagem, ou a organizar uma exposição sobre as árvores. O galho é uma tentativa de criar uma nova fonte de inspiração, com novas oportunidades criativas, e promover respostas imaginativas a questões contemporâneas, como as alterações climáticas.

Criei também uma plataforma, www.treetoo.art, onde artistas e obras relacionadas com árvores, de qualquer meio expressivo e período, podem ser exibidas para alcançar o nosso objetivo comum.

AE – O que vai acontecer com o manifesto e todas as assinaturas?

EVB – O manifesto será enviado para o Fórum Económico Mundial DAVOS e está associado à www.1t.org, uma plataforma para a comunidade do trilião de árvores. A 1t.org existe para conectar, capacitar e mobilizar uma comunidade global de milhões para a reflorestação, catalisando o seu potencial para agir numa escala e velocidade sem precedentes, a fim de garantir a conservação e restauração de um trilião de árvores durante esta década. Além disso, somos também curadores de uma exposição.

AE – O que esperam conseguir?

EVB – O TreeToo Manifesto foi criado para ajudar a visualizar, através das mais variadas formas concebidas pela arte e pelos artistas, uma tarefa urgente: garantir a conservação e o restauro de um trilião de árvores durante esta década.

AE – No manifesto, referem que pretendem criar uma plataforma para outros artistas – é possível saber mais? Será uma plataforma apena digital, haverá uma exposição?

EVB – A plataforma tem o nome www.treetoo.art. Convidamos os artistas a participar, subscrevendo-a em: www.treetoo.art/call-for-action. Para além disso, estamos a curar uma exposição através desta subscrição.

AE – Que outros projetos semelhantes vocês conhecem e como pode o TreeToo Manifesto chegar a outras iniciativas?

EVB – Existem centenas de organizações a fazer um trabalho importante para conservar e restaurar florestas à escala global – por exemplo, a Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas 2021 – 2030, o Desafio de Bonn, a Iniciativa Triliões de Árvores, a Parceria Global para a Restauração das Florestas e da Paisagem, plant-for-theplanet.org, treedom, Ecosia, e muitas outras.

O TreeToo Manifesto e a sua plataforma associada podem ajudar a conectar os diferentes agentes e facilitar a comunicação e visualização de um objetivo comum, por exemplo em www.treetoo.art.

AE – Quem está por detrás do TreeToo Manifesto? O que vos motivou?

EVB – Escrevi o manifesto com a plena consciência de que o momento é AGORA. Há uma dinâmica e uma ação significativas em torno da reflorestação e das alterações climáticas. Desde cedo adotei o modelo crowdsourcing, o modelo empresarial disruptivo e a arte disruptiva. Sou também conselheiro de administração de várias empresas dedicadas à inovação e novas tecnologias e, curador de websites como Arty-Farty.fun e Tree.Too.art, o mais pequeno museu relacionado com árvores e arte do mundo. Acredito que as minhas experiências anteriores e atuais no crowdsourcing podem e devem ser usadas para uma tarefa tão importante como a salvação do nosso planeta.

Para esclarecimentos: o crowdsourcing, a prática de envolver uma ‘multidão’ ou grupo em função de um objetivo comum, muitas vezes associado à inovação, à resolução de problemas ou à eficiência, pode acontecer nos mais variados níveis e indústrias. Quero ligá-lo à arte e à criatividade. Com a nossa cada vez maior conectividade, é agora mais fácil do que nunca contribuir coletivamente – com ideias, tempo, conhecimentos ou fundos – para um projeto ou causa. Posso ajudar nessa parte. É tão simples quanto isso.

AE – Qual a ideia por trás dos galhos embandeirados? Considera-se um ativista? Um artista? Ambos?

EVB – Não sou artista, nem ativista, apenas quero inspirar artistas, ajudando a criar um mundo melhor. O galho que uso como símbolo para o TreeToo – porque razão está pintado as cores nacionais? Acredito plenamente que o nacionalismo não salvará o mundo. Temos de pensar e agir globalmente, em harmonia e não em conflito.

AE – Qual é a história das árvores e do sexo?

EVB – As árvores são seres vivos, comunicam, ajudam-se, até fazem sexo. As árvores reproduzem-se assexuadamente, ou através do cultivo pelo homem. E sexualmente através da troca de pólen entre os sistemas reprodutivos masculino e feminino. Uma única árvore pode produzir flores masculinas e femininas, dependendo das adaptações, como os diferentes tempos de floração para evitar a autopolinização. As árvores têm cromossomas X e Y. O cromossoma Y transporta genes que são não apenas cruciais para a determinação sexo, mas também para a sobrevivência individual. Como um galho tem a forma do cromossoma Y, escolhi o galho como símbolo do manifesto.

AE – Qual é a sua visão para o movimento TreeToo?

EVB – Acredito que a arte poderá salvar o mundo: fazendo com que os líderes mundiais tomem forçosamente medidas. Afinal, a crise climática tem de enfrentada. Acredito que é nosso dever, como artistas, fãs de arte, loucos e apaixonados por árvores, visualizar o que o mundo precisa para a sobrevivência de todos: o ar que respiramos, o amor e o cuidado que sentimos, a atenção de que precisamos.

Devemos inspirar e motivar todos os que se propuseram a conservar e restaurar as florestas e, portanto, a vida na terra. Este é o nosso contributo.

AE – Qual é a sua árvore favorita?

EVB – Não tenho nenhuma árvore favorita. Tenho algumas árvores favoritas. No meu jardim, planto árvores em ocasiões especiais. Quando nasce uma criança, morre um pai, planto uma árvore relacionada com a personalidade dessa pessoa. Todos os dias, quando caminho no meu jardim, cumprimento a minha amada.

AE – Qual a sua peça de arte favorita relacionada com árvores?

Forest Man de Germaine Richiers.

Nota:  Etienne convida o público a participar, endossando o TreeToo Manifesto através do link: https://www.treetoo.art/call-for-action. Como resultado está a ser organizada uma exposição digital.

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