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Music for the Weekend #001 — Quarentita

Foi com imenso prazer que recebi um telefonema do António Néu a convidar-me a repostar estas minhas compilações Music for the Weekend que encetaram um pequeno contributo meu na história do nosso maciço auto-confinamento.

Esta primeira foi o kick-start para o que aí viria, definitivamente um prenúncio do meu (a)variado gosto musical, que saltita do funk para a chanson, que nunca viu fronteiras entre a soul e a eletrónica, que começa com a pequenina Monáe convidando o grande Wilson para as harmonias e encerra com o Erasmo Carlos a pedir para “cortar os grilos”. Eu sempre fui assim e por este andar acredito que a coisa não irá mudar.

Esta Quarentita deu o mote para a limitação de 40 temas, à parte desse número parecer ser familiar ao petit dirty mot do momento “quarentena”, nada mais significa, é inventado e por aí fica, nesse limbo existencialista, um nome sem aceção mas que assim acaba por comunicar o seu sentido. Uma seleção pejada de remixes e re-edits, covers e standards do cancioneiro pop que a rádio parece querer esquecer a todo o custo. Protagonizada por ingleses que gostariam de ter outra cor de pele, japoneses a pensar que são turistas de férias na soalheira west coast americana, produtores de House music regurgitando os blues enquanto músicos com ligações ao jazz robotizam uma surf music mutante. Músicas desenhadas para a passarela, outras para serem gozadas no boudoir

Mas afinal não é essa exatamente a maior magia da pop, uma enorme e lânguida catarse que aristotelicamente nos arrasta para longínquas paragens em que descansamos a alma mesmo quando os membros inferiores insistem em prosseguir o pé-de-dança? Saltem, girem, shake yer’ booty mas pensem nisso durante o fim de semana.

#staysafe #musicfortheweekend

Amor, paixão, alegria. E outros estados da alma induzidos por sexo, drogas e rock 'n' roll. Dandy, bon vivant e outros anglicismos que não são para aqui chamados. Pai babado, apaixonado inveterado por tudo o que seja de "agora" mas numa profunda mas recatada admiração por tudo o que "já foi". Europeu com raízes asiáticas numa sôfrega vontade de ter, ser e ver todo o mundo. Music was my first love / and it will be my last

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