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Feeling Blue, na Galeria Espaço Real

A História da Arte é também a história das cores. Durante séculos, o azul foi a cor que mais esteve sujeita a códigos e regras de utilização. Oneroso, sempre em porções reduzidas, pois que o lápis-lazúli era escasso e viajava todo um mar para ser trabalhado e reduzido a pó, o azul era a cor da espiritualidade por excelência e devia ser utilizado com parcimónia. Só o manto da Virgem podia ter a profundidade e o brilho do azul ultramarino. Nas suas gradações e tonalidades, o azul adquire a potência do cosmos e da emoção. Não é frio: tem a doçura do calor materno, a temperança do equilíbrio, a ardência desejada da ascese celeste. Mas também não é quente: é a frieza da solidão, a brisa da tristeza, o gládio gelado da morte. Na sua complexidade, o azul é a mais humana das cores.

Com a curadoria de Carolina Quintela, Feeling Blue reflete justamente a dificuldade e a ambiguidade desta cor, do que tem de misterioso, romântico, nostálgico e memorioso. Partindo dos estados de impermanência que estes conceitos invocam, repartidos entre presente e passado, interioridade e exterioridade, “a escolha das obras e dos artistas recaiu sobre a natureza particular de cada discurso e da forma como convocam estados subjetivos e emocionais como matéria principal.” Deste modo, “podemos ver agora o azul como vestígio, memória, paisagem, casa, gesto e tempo. O apagamento, a nostalgia do lugar e a temporalidade.”

Com as obras de Fábio Colaço, Hugo Cantegrel, Teresa Arega, Patrícia Domingues, Bárbara Bulhão, Bernardo Ferreira e Inês Brites, Feeling Blue pode ser vista até 21 de dezembro, na Galeria Espaço Real.

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